sábado, 25 de março de 2017

A Guerra dos Monstros (1965)

Título: A Guerra dos Monstros (1965)

Titulo em Inglês: Monster Zero; Godzilla vs. Monster Zero; Invasion of the Astro-Monster


Título em Japonês: Kaiju Daisenso

Elenco: Akira Takarada, Nick Adams, Kumi Mizuno, Jun Tazaki, Akira Kubo, Keiko Sawaii, Yoshio Tsuchiya
Diretor: Ishiro Honda
Diretor de Efeitos Especiais: Eiji Tsuburaya

Quando escrevi sobre Ghidrah, o Monstro Tricéfalo, comentei que aquele filme representou tanto o final da trilogia Mothra/Peanuts, quanto o começo da trilogia Ghidorah. Se aceitar esse ponto de vista, então o próximo filme de Godzilla, A Guerra dos Monstros, seria necessariamente o segundo filme da trilogia. Há um debate entre fãs sobre qual desses dois filmes é melhor, com bons argumentos para ambos os lados. A ação monstruosa de Ghidrah era melhor em termos de peso e volume, mas por outro lado, a trama de Guerra dos Monstros é montada melhor e segue uma lógica mais precisa entre os eventos do filme.

Dependendo da fonte, o roteiro do filme ocorre ou logo após os eventos de Ghidrah, ou em turno de duas décadas. Em outras palavras, o filme ocorre na década de 80, uns dez a quinze anos antes dos eventos de O Despertar dos Monstros (1968). Isso explicaria as melhorias tecnológicas que permitem que os astronautas Fuji (Takarada) e Glen (Nick Adams, que apareceu em Frankenstein Conquista o Mundo no mesmo ano) viajem para Planeta X, escondido atrás do Júpiter, num foguete. Por outro lado, se o cenário desse filme é da década de 60, devemos pressupor que os eventos dos filmes Os Bárbaros Invadem a Terra (1957) e A Guerra no Espaço (1959) também fazem parte da cronologia de Godzilla.

No Planeta X, os dois astronautas descobrem uma civilização avançada vivendo numa cidade subterrânea com medo do “Monstro Zero” que vive na superfície do planeta. O Monstro Zero na verdade é o próprio King Ghidorah, e os alienígenas não possuem a tecnologia para matá-lo. O que sugerem é que a Terra empreste dois monstros, Godzilla e Rodan, para derrotar o monstro e salvar o seu planeta. Em troca, os alienígenas prometem dar a fórmula para uma droga que pode curar todas as doenças. Sabe, uma vez o lendário Akira Kurosawa falou que o diretor Ishiro Honda, que frequentemente trabalhou como o seu assistente, era pouco cético para o mundo em que vivia. Se esse cenário acontecesse na vida real (ou pelo menos filmado hoje em dia), imagino que haveria um sub-plot sobre a indústria farmacêutica fazendo de tudo para opor a divulgação desse medicamento milagroso, até fazendo tentativas de sabotagem da missão para impedir que isso ocorresse. Também, o cliché do capitalista do mal iria aparecer na forma de um ator imitando Martin Shkreli.

A Terra, representada pelo Dr. Sakurai (Jun Tazaki), aceita os termos dos Xianenses(?) e concede permissão para eles levarem o Godzilla, dormindo no fundo do Lago Myojin, o Rodan, que de alguma forma entrou na montanha Gekigasawa e está dormindo lá. No meio de tudo isso, há uma história paralela em que a irmã do astronauta Fuji, Haruno (Keiko Sawaii), está namorando com um inventor nerd (Akira Kubo), que o Fuji detesta. O inventor, Tetsui, acabou de criar uma bugiganga que serve com uma proteção para mulheres na rua, emitindo um barulho tão alto que pode ser ouvido sobre uma distância de mais que um quarteirão. Ele está vendendo a sua invenção para uma empresa, cujo representante é Namikawa (Kumi Mizuno), que por coincidência está namorando com Glen.

Desconfiado da Namikawa e seus superiores, o Tetsui a segue até uma ilha, onde ele é capturado.
Os monstros terráqueos chegam ao Planeta X, e derrotam o grande destruidor de planetas em dois minutos. Os alienígenas agradecidos concedem a fórmula para a cura ao Fuji, Glen e Dr. Sakurai, que voltam à Terra. Infelizmente, os alienígenas estavam mentindo o tempo todo. Eles possuem a tecnologia para controlar os monstros, e agora tem três monstros gigantes além de suas próprias armas para conquistar a Terra. Num ultimato que só poderia ser dado durante a Guerra Fria, eles declaram que o povo da Terra deverá tornar-se uma colônia do Planeta X e submeter-se ás ordens do computador central do planeta, ou serão destruídos. O medo de o indivíduo perder a sua identidade e arbítrio diante do Estado é algo visto em muitos filmes de ficção científica durante a década de 50. Então, os cientistas e o exéricito tem 24 horas para descobrir como derrotar a tecnologia dos Xianos(?) e achar o ponto fraco dos invasores. Felizmente, há um certo significado na captura do Tetsui...



Para quem já assistiu tanto este filme quanto Ghidrah, o Monstro Tricéfalo, é fácil entender os proponentes deste filme. O roteiro é muito mais focado e os sub-plots (a invenção de Tetsui, o namoro do Glen com Namikawa) ainda estão relacionados com a trama principal da invasão da Terra pelos habitantes do Planeta X. Por outro lado, este filme tem um ritmo muito mais lento, apesar da aparência de King Ghidorah nos primeiros 15 minutos. Depois disso, é quase meia hora antes do Godzilla e o Rodan aparecer novamente. Além disso, as batalhas monstros são entre as mais breves de todos os filmes de Godzilla, principalmente o último. A propósito, a última luta entre os três kaiju é um exemplo bizarro de uma luta kaiju que termina o filme que não precisa acontecer, pois lutam após a derrota dos invasores pelos terráqueos. King Ghidorah poderia ter fugido antes da luta final e o resultado teria sido o mesmo.

Se não há muitas cenas de monstro, então o Tsuburaya capricha em 95% do seu trabalho, descontando uns 30 segundos ou tal do filme Rodan que foi acrescentado às cenas novas. As cenas no espaço e no Planeta X são ótimas pelas expectativas de 1965 (lembrando que 2001: Uma Odisseia no Espaço só iria revolucionar o gênero em 1968) e são mais convincentes do que cenas semelhantes em Godzilla vs. Space Godzilla, produzido quase 30 anos depois! Também o desenho de cenário na base dos Xianos no Planeta X, é simples, mas bastante eficaz. Como criança, a cena do Fuji andar pelos corredores escurecidos me assustava.

A nova fantasia de Godzilla, embora não tão icônico quanto ao dos últimos dois filmes, é eficiente e forte. Tsuburaya contruiu um pé de Godzilla de dois metros para interagir um miniaturas de uma escala aparecida e aparecer mais realista. O Rodan sai melhor aqui do que no filme anterior. O Ghidorah é o mesmo, embora menos ameaçador aqui do que na sua primeira aparência. A utilização de fantoches, o que mais prejudicou os efeitos do último filme, foi diminuída bastante, felizmente. A maior utilização deles vem quando o foguete espacial está saindo do Planeta x, e vários fantoches em escalas diferentes foram fabricados para demonstrar a distância entre os humanos e os monstros. Esse efeito ficou muito legal.

A música do maestro Akira Ifukube é uma forte exploração dos temas musicais do filme anterior. Ele utiliza o theremin para vários cenas no espaço, como os filmes de ficção da década de 50, que cria uma atmosfera  apropriada para um novo mundo. Às vezes ouvimos o tema de luta dos monstros de Ghidrah, mas arranjado da maneira mais minimalista, que é interessante, considerando a simplicidade da base dos alienígenas. A maior diferença entre a versão americana e a versão japonesa em termos de música é que na versão japonesa, ouvimos o tema militar que Ifukube criou no Gojira original durante a abertura. Na versão americana, ouvimos a música de theremin que ouvimos em outras cenas.




Pessoalmente, prefiro o Ghidrah, o Monstro Tricéfalo a este filme, mas reconheço os pontos em que o filme conseguiu se destacar do outro, inclusive a única batalha de Godzilla no espaço, e os pontos em que supera o outro. Há bons efeitos, boas cenas de monstros, boa música e um belo toque de humanidade que só o Ishiro Honda sabia colocar nesses filmes naquela época. Recomendado.

O Filme Japonês - Grupo de Estudos Fílmicos

O Filme Japonês - Grupo de Estudos Fílmicos


Estava no Centro Cultural de São Paulo ontem e procurei coisas sobre Godzilla na biblioteca. Achei um livro de 1963 chamado "O Filme Japonês" escrito por setes estudiosos brasileiros de cinema (Ernetes Ciocheti, João Ribeiro, José Eduardo Marques de Oliveira, Milton Merlucci, Orlando Parolini, Paulo Meirelles, Moacir Nilsson). Em 150 páginas, tem um páragrafo sobre a ficção ciéntífica japonesa:

"Pouco podemos falar sobre os filmes de ficção científica, pois, os raros exemplares exibidos não podem oferecer material suficiente para um comentário crítico mais profundo. Dos que vimos comparamo-los aos filmes norte-americanos, sendo mesmo mais inferiores os japoneses. Contudo, "O Segredo do Homem Elétrico" ("Denso Ningen - 1960 [ingl: Secret of the Telegian]), de Jun Fukuda, merece ser assinalado pelo alto nível de realização e perfeita direção, onde a côr tinha uma participação especial no fim da fita, quando o protagonista se dissolvia numa orgia de acro-íris. Citamos ainda "O Último Dia do Mundo" (ingl: The Last War) de Shue Matsubayashi que não obstante a esmerada produção, se consiste numa experiência fracassada por culpa de um roteiro ineficiente."

sábado, 11 de março de 2017

Kong: Ilha da Caveira (2017)

Kong: Ilha da Caveira (2017)


Elenco: Tom Hiddleston, Samuel L. Jackson, Brie Larson, John Goodman, John C. Reilly, Corey Hawkins, Tian Jing, Tobey Kebbel, Jason Mitchells

Diretor: Jordan Vogt-Roberts

Roteiro: John Gatins (argumento), Max Borenstein (roteiro), Derek Connoly (roteiro), Dan Gilroy (roteiro)

Kong: Ilha da Caveira é o segundo filme no Monsterverse, o universo cinemático criado pelo estúdio Legendary Pictures, o que começou com Godzilla (2014). Até este momento, os outros filmes de monstros que o Legendary produziu, A Grande Muralha (2016) e Círculo de Fogo (2013), não se encaixam na continuidade que esses dois outros filmes fazem parte. Este filme será seguido por Godzilla: King of the Monsters (2019) e Godzilla vs. Kong (2020).

O filme começa com um prologo, ocorrido em 1944, quando dois aviões--um americano e um japonês--caem numa ilha misteriosa. Os dois pilotos se enfrentam e uma briga começa. O japonês está para matar o piloto americano quando a sua briga é interrompida pela chegada de um macaco gigante (Observação - Isso provavelmente seja o pai do Kong deste filme).

Daí começa os créditos iniciais, que, como Godzilla (2014), mostram filmagens antigas e jornais para estabelecer a história. Seguimos a história do mundo começando com a Segunda Guerra Mundial, o estabelecimento do Monarch, a destruição misteriosa de um nave de guerra americano, as explosões atômicas no Pacífico, o Space Race entre os EUA e a União Soviética, e finalmente a guerra de Vietnã, uma guerra de "procuração" entre as idealogias de capitalismo/democracia e comunismo.
Os eventos do filme mesmo ocorrem em 1973, quando o Presidente Nixon dos EUA está autorizando a retirada das forças armadas americanas de Vietnã. Começamos em Washington, onde dois homens, Bill Randa (John Goodman, de Rua Cloverfield 10 e Os Flintstones) e geólogo Houston Brooks (Corey Hawkins, Dr. Dre em Straight Outta Compton), estão implorando uma reunião com um senador. Eles fazem parte de Monarch, a mesma organização de Godzilla que existe para estudar organismos gigantes. O Monarch está em ampuros, ameaçado de perder todos os fundos e assim deixar de existir. Posso supor que os ataques atômicos em Godzilla mencionados no filme anterior levou o monstro a voltar ao núcleo da terra. Assim, a preocupação do governo sobre monstros foi trocado pela Guerra Fria, a Crise de Mísseis em Cuba e a Guerra de Vietnã.

Mas Randa e Brooks tem algo interessante a mostrar ao político. Um satélite americano  descobriu a existência de uma ilha desconhecida cercada por uma tempestade perpétua. Randa e Brooks acham que há monstros lá, mas o senador está cético. Brooks, usando a retórica da Guerra Fria, sugere que pode haver petróleo na região (lembrando que a existência de petróleo no Golfo de Tonkin foi um dos fatores causadores da Guerra de Vietnã) e que os russos irão descobrir a existência da ilha dentro de 72 horas, quando um satélite deles passa por cima. Essa argumento é o bastante para convencer o senador a liberar os fundos para uma expedição à ilha.    

Além de Randa e Brooks, a equipe da expedição consiste num pelotão de helicópteros liderado por Captain Preston Packard (Samuel L. Jackson de Os Oito Odiados e Serpentes a Bordo); uma equipe Landsat (observação: o nome Landsat foi adotado em 1975, que seria depois dos eventos deste filme), que seria o programa para adquirir e analisar imagens da terra obtidas via satélite; Mason Weaver (Brie Larson, que será Capitã Marvel no universo Marvel), uma fotógrafa anti-guerra; Dra. San (Tian Jing, A Grande Muralha e Em Nome da Lei), uma bióloga; e James Conrad (Tom Hiddleston, Loki dos filmes de Thor e Os Vingadores), um mercenário britânico. Creio eu que o sobrenome Conrad é uma homenagem ao autor Joseph Conrad, o autor que escreveu Coração de Trevas, o filme que inspirou o clássico Apocalypse Now (1979). O diretor Vogt-Roberts já falou em entrevistas que Apocalypse Now foi uma das inpsirações dele para este filme.

Ao chegar à barreira tempestade, o pelotão de helicópteros consegue penetrar os nuvens e chegar no outro lado. Eles chegam na Ilha Caveira, onde começam a soltar bombas que irão determinar se a região é oca ou não--Dr. Brooks é conhecido pela sua teoria da Terra Oca, o que aparece em livros e filmes como Viagem ao Centro da Terra de Jules Verne e os livros de Pellucidar de Edgar Rice Burroughs. Infelizmente, um habitante da ilha não apoia essa abordagem: Kong, um macaco gigante de 30 metros. Ele lança uma palmeira num helícoptero, fazendo-o explodir e iniciando uma batalha violenta entre o pelotão e o macaco. No final, todos os helicópteros são destruídos e várias vidas se perdem.

A partir deste ponto, o filme se divide em três histórias paralelas. No primeiro, o Capitão Packard, seus homens, Landsat Steve (Mark Evan Jackson) e Randa iniciam a sua viagem para o ponto de encontro. Capitão Packard força o Randa a contar a verdade sobre o propósito da viagem, e descobrimos que o Randa estava presente na destruição do navio que vimos durante o começo do filme. Eles encontram uma aranha gigante cujas pernas lembram árvores de bambu, as quais são boas para impalar comida, inclusive soldados. O Packard culpa o Kong pela perda de seus homens, mas além disso, começa a projetar toda a sua decepção quanto à "perda" da guerra de Vietnã no macaco, irando-se cada vez com o macaco. Até o final do filme, o Packard terá se transformado numa mistura de Tenente-Coronel Hal Moore de Fomos Soldados e Capitão Ahab de Moby Dick.

Na segunda história, Conrad, Weaver, um piloto, Brooks, San e outro técnico Landsat também caminham para o norte em busca do ponto de encontro com o pelotão de resgate. Pelo caminho, eles encontram um búfalo gigante, mas benéfico, e um templo antigo. O templo é habitado pelos nativos da ilha, mais o Hank Marlow (John C. Reilly, Quase Irmãos e O Aviador), o piloto da primeira cena. Ele explica que a ilha é o lar de Kong, o Rei da Ilha. Ele também adverte que uma raça de lagartos gigantes, as Criaturas Caveiras (Skullcrawlers em inglês), vivem em baixo do chão e são muito mais perigosos do que o Kong. Foram esses monstros que mataram os pais do Kong, que agora é o último da sua espécie. Ele oferece levar a equipe ao norte num barco que ele construiu a partir dos destroços dos aviões que caíram no início do filme.

Finalmente tem o soldado Chapman, um dos pilotos que está sozinho. Na busca dele pelos outros, ele encontra o Kong caçando uma lula gigante (uma homenagem à luta entre o polvo e o King Kong em King Kong x Godzilla) e também encontra um bicho-pau gigante (bicho-tronco?). Uma coisa que gostei é que o filme sugere uma ecossistema em que nem todos os monstros e animais gigantes são carnívoros perigosos. Isso dá um sentimento de assombro  à ilha, em vez de fazer cada animal perigoso, o qual poderia ficar redundante após um tempo.

Em poucas palavras, eu gostei muito do filme. Há bastante ação, bons personagens, e monstros legais. Não peço muito mais que isso nesses filmes. O diretor Vogt-Roberts, apesar de ter uma filmografia bastante limitada e nenhuma experiência com terror ou ficção científica, sabe muito bem o que está fazendo e o que os fãs e espectadores querem. Numa entrevista, ele citou o Apocalypse Now; Princesa Monoke; Neon Genesis Evangelion; A Viagem de Chihiro e Pokémon como influênicas no roteiro, na criação dos monstros e no seu design, respectivamente. A cinematografia não é tão bela quanto a de Godzilla (2014), mas há várias belas passagens de Havaí e Vietnã, onde o filme foi gravado.

Tematicamente, o Vogt-Roberts disse que queria abordar um dos temas de Apocalypse Now, que às vezes aquele que julgamos ser o nosso inimigo é o oposto. Semelhante a essa é o conceito da primeira diretriz de Jornada nas Estrelas, que é não se ponha no meio dos assuntos de povos primitivos, ou monstros. Afinal de contas, é a interferência dos humanos que enraivece o Kong no primeiro lugar, sem contar que é por causa deles que o Skullcrawlwer principal, Ramarak, aparece, colocando o Kong e os nativos em perigo. A gente vê isso na natureza, como aquele caso em que uma pessoa deu uma carona para um bezerro de búfalo por medo que estava perdido. No final, o bezerro foi sacrificado porque iria ser expulso do rebanho por causa do contato humano. Ou seja, a natureza sabe o que está fazendo e os animais sabem cuidar de si sem os humanos idiotas botarem a mão nos seus assuntos.

Os personagens são carismáticos, mesmo não sendo profundos. Samuel L. Jackson e John C. Reilly provavelmente tem os personagens mais bem desenvolvidos, seguido por John Goodman. Infelizmente, depois de aprender sobre as suas motivações, o Goodman tem pouco a fazer pelo resto do filme. Jackson como Packard é bom, e mesmo sendo o antagonista entre os humanos, ele tem bastantes qualidades boas. O personagem de Reilly começa e termina o filme, e as filmagens "antigas" mostradas durante os últimos créditos realmente completam a vida de Marlow de maneira adequada. A maior decepção é o personagem de Tian Jing, cujo personagem faz nada de importante durante todo o filme. Ela nem tem oportunidade especular sobre o ecossistema da ilha ou maravilhar-se com as espécies que encontram...e ela é bióloga!

Por falar em espécies, vamos falar dos monstros. São muitos e variados. Fiquei contente que os cineastas não se contentaram em colocar os mesmos dinossauros do King Kong original, ou da refilmagem do Peter Jackson. Os efeitos em si são ótimos e os Skullcrawlers são antagonistas perigosos e assustadores (parecem a mistura de Anolis porcatus e Varanus komodoensis, mas com um único par de pernas). Queria que o Legendary usasse um monstro secundário de Godzilla, como Gorosaurus ou Varan, como o inimigo principal do Kong, mas tudo bem. O Legendary Pictures está tendo tanto sucesso em criar novos monstros (os MUTOs, os Skullcrawlers), que é quase uma decepção que o Godzilla: King of the Monsters está aparecendo cada vez mais como uma refilmagem de Ghidrah, o Monstro Tricéfalo (1964).

O Kong é magnífico. Ele é completamente bipedal, como a encarnação de 1962 em King Kong x Godzilla. Os pelos são mais ruivos do que a versão de Peter Jackson, que na verdade foi um gorila normal numa escala maior. Esse Kong é bastante inteligente e até estratégico nas suas lutas, sabendo como improvisar armas durante a batalha. A luta entre o Kong e os helicópteros é ótima e bastante intenso, talvez a melhor cena do filme.

Em resumo, o Legendary Pictures bem sabe o que está fazendo no seu Monsterverse e felizmente está contratando roteiristas e diretores que entendem e apreciam o gênero. Muitas pessoas criticam o Godzilla '14 por diversos motivos, mas o filme foi muito bem feito com uma trama forte e convincente, mesmo se alguns personagens precisavam ser mais interessantes. Este filme melhora essa falha, e a outra falha de não mostrar os monstros o bastante. Gareth Edwards e Jordan Vogt-Roberts tem visões diferentes, mas os dois conseguiram criar dois filmes fortes do gênero de daikaiju. Vamos torcer para Michael Dougherty continuar isso com Godzilla: King of the Monsters.


segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Godzilla vs. Leonard Maltin (Parte 2)

Godzilla vs. Leonard Maltin - Os Outros Filmes Japoneses de Ficção Científica

Algumas semanas atrás, escrevi sobre a opinião do Leonard Maltin sobre os filmes de Godzilla e como a opinião dele evoluiu com o passar dos anos. A conclusão que poderíamos chegar é que o Leonard Maltin e a sua equipe respeita os filmes de Godzilla mais do que muitos outros críticos mainstream. Agora escrevo a opinião dele(s) sobre outros filmes japoneses do gênero de ficção científica. A maioria são do Toho, mas alguns são de outros estúdios, inclusive Daiei (GAMERA) e Toei (TERROR BENEATH THE SEA). Creio que podemos supor que o Maltin gostava mais dos filmes de Godzilla do que os outros, até aqueles que os fãs hoje acham clássicos.

Atragon (1963-Japonês) C - 96m. ** D: Ishiro Honda. Tadao Takashima, Yoko Fujiyama, Yu Fujiki, Hiroshi Koizumi. O mundo é ameaçado por um reino submarino nessa aventura infantil de ficção científica, com divertidos (senão realistas) efeitos especiais. O título se refere a um submarino e não a um monstro.

Battle in Outer Space (1959-Japonês) C - 74m. *1/2 D: Ishiro Honda. Ryo Ikebe, Kyoko Anzai, Leonard Stanford, Harold Conway. Filme pouco emocionante sobre a Terra se preparando para um ataque do espaço. Muitos efeitos especiais.

Frankenstein Conquers the World (1965-Japonês) C - 87m. ** D: Ishiro Honda. Nick Adams, Tadao Takashima, Kumi Mizuno. Filme de terror mediócre, em que Adams estrela como cientista em Tóquito que está combatendo um novo, gigante monstro de Frankenstein que está aterrorizando a região. Efeitos especiais inadequados.

Gammera, the Invincible (1966-Japonês-EUA) 88m. *1/2 D: Noriaki Yuasi. Brian Donlevy, Albert Dekker, John Bragey. Uma tartaruga gigante que vem do espaço e cospe fogo aterroriza a Terra, após uma explosão atômica. O primeiro numa série de filmes infantis de ficção científica. A versão japonesa original--sem atores americanos e chamado GAMERA--tem duração de 82m.

Green Slime (1969-Japonês-EUA) C-99m. *1/2 D: Kinji Fukasaku. Robert Horton, Luciana Paluzzi, Richard Jaeckal, Lucina Paluzzi, Bud Widom. Numa estação espacial, a substância titular--exposta a sangue--evolui em monstros de olhos vermelhos com tentáculos que multiplicam rapidamente e ameaçam a Terra. Não tão divertido quanto parece.

Half-Human (1955-Japonês) 70m. *1/2 D: Ishiro Honda, Kenneth Crane. John Carrdine, Morris Ankrum, Russ Thorson, Robert Karns. Americanos Carradine e Ankrum são inseridos num filme japonês sobre um abominável homem das neves e seu filhos. Há indicações que o filme original poderia ser bom, mas esta versão não é. Quase não tem dublagem, apenas a narração de Carradine.

H-Man (1958-Japonês) C-79m. ** D: Ishiro Honda. Kenji Sahara, Yumi Shirakawa, Akihiko Hirata, Koreya Senda. Bons efeitos especiais impedidos por roteiro bobo sobre um líquido radioativo causando destruição em Tóquio. Há história secundária de policiais contra criminosos.

King Kong Escapes (196-Japonês) C-96m. BOMB D: Ishiro Honda. Rhodes Reason, Mie Hama, Linda Miller, Akira Takarada. História forçada que envolve uma moça que conquista o coração do macaco, que batalha contra homem que quer dominar o mundo. O Kong nunca passou tanta vergonha.

Latitude Zero (1969-Japonês) C-99m. ** D: Ishiro Honda. Joseph Cotton, Cesar Romero, Richard Jaeckal, Patricia Medina, Linda Haynes, Akira Takarada. Um elenco importado acima da média ajuda esta aventura de ficção científica sobre uma civilização submarina de gênios benevolentes lutando contra as legiões de Malic (Romero), que quer dominar o mundo. A direção de arte é boa, mas a ação é o suspenso não são bem montados. Baseado numa antiga série de rádio.

Message from Space (1978-Japonês) C-105m. **1/2 D: Kinji Fukasaku. Vic Morrow, Sonny Chiba, Philip Casnoff, Peggy Lee Brennan, Sue Shiomi, Tetsuro Tamba. Planeta em guerra mande um SOS e recebe ajuda de um time intergalático. Atuação mecânica compensada pelos efeitos especiais e um robô adorável, ambos inspirados por STAR WARS.

Mothra (1961-Japonês) C-100m. **1/2 D: Ishiro Honda, Lee Kressel. Franky Sakai, Hiroshi Koizumi, Kyoko Kagawa, Emi Itoh, Yumi Itoh, Jelly (re: "Jerry") Itoh, Ken Uehara. Filme japonês de mostro bastante colorido sobre uma lagarta gigante que invade o Tóquio para resgatar pequeninas moças gêmeas, que estão a guiando com poderes supernaturais. A lagarta transforma numa grande mariposa, o que continua com a destruição. Mothra (ou os seus descendentes) voltaram para filmes posteriores também.

Mysterians, The (1957-Japonês) C-85m. **1/2 D: Ishiro Honda. Kenji Sahara, Yumi Shirakawa, Momoko Kochi, Akihiko Hirata. Séculos após a destruição do seu planeta, os alienígenas do título aterrissam na terra, constroem uma cúpula impregnável perto de um lago, e exigem mulheres. O mundo não gosta muito dessa atitude. Efeitos epeciais coloridos e um ritmo agitado fazem este filme um dos melhores de ficção científica a vir do Japão.

Rodan (1956-Japonês) C-70m. ** D: Ishiro Honda. Kenji Sahara, Yumi Shirakawa, Akihiko Hirata, Akio Kobori. Um pterodáctilo colossal  nasce numa mina e depois ataca Tóquio. Filme colorido no estilo de livros em quadrinho, muito típico dos estúdios de Toho.

Terror Beneath the Sea (1970-Japonês) C-85m.*1/2 D: Hajimo Sato. Peggy Neal, Andrew Hughes, Shinichi (Sonny) Chiba, Mike Daneen, Eric Nielsen. Cientista maluco cria monstros a partir dos prisioneiros numa cidade submarina. O mesmo de sempre.

Varan the Unbelievable (1958-Japonês-EUA) 70m. *1/2 D: Ishiro Honda, Jerry Baerwitz. Myron Healy, Tsuruko Kobayashi, Kozo Nomura, Ayumi Sonoda. Típico filme japonês de monstros feitos de borracha, menos o fato que o monstro desafia qualquer descrição. Parece ser um réptil, mas alguns insistem que é um esquilo gigante, pois na versão japonesa, ele voa com um esquilo-voador. No entanto, ele pisa nas cidades e assusta a população. Inacreditável é a palavra chave.

War of the Gargantuas (1966-EUA-Japonês) C-93m. BOMB D: Ishiro Honda. Russ Tamblyn, Kumi Mizuno, Kipp Hamilton, Yu Fujiki. Japão é ameaçado por uma gargântua (gigante humanoide) verde e má, enquanto uma gargântua marrom e amigável tenta promover a paz. Bizarro, mesmo pelos padrões do Toho.

 

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Godzilla de Kazuhisa Iwata

Godzilla de Kazuhisa Iwata



Roteiro e arte: Kazuhisa Iwata
Arte da Capa: Bob Eggleton
Ano de Publicação: 1988-1989 (livros em quadrinho); 1995 (Trade Paperback)
Editora: Shogakukan, Inc (mangá original); Dark Horse Comics, Inc (versão inglesa)


A tradução em inglês do mangá Godzilla foi a primeira publicação de Dark Horse de Godzilla no final dos anos 80. Antes, o Godzilla havia sido o protagonista/anti-herói de uma série de quadrinhos do Marvel, que parou de publicar quando Toho Studios aumentou o preço da licença do nosso dinossauro radiativo favorito. Dark Horse adquiriu os direitos a Godzilla em 1988 e, depois de importar esta mangá baseada no filme Godzilla 1985/Return of Godzilla, passou a publicar uma série em quadrinhos.

A história é igual ao filme (versão japonesa), mas parecido como a versão americana, troca a ordem cronológica de alguns eventos. Infelizmente, essas mudanças na sequência de acontecimentos faz a trama ficar incoerente. Por exemplo, Godzilla ataca a usina nuclear antes da reunião entre o Primeiro Ministro de Japão e os embaixadores dos EUA e da União Soviética. No filme (ambas versões), é um grande passo ao governo revelar ao público que Godzilla está de volta e que foi responsável pela destruição do submarino russo, ainda mais que o mundo estava na beira de uma Terceira Guerra Mundial. Se Godzilla está atacando a usina nuclear logo após a destruição do submarino, não há nenhum sentimento de tensão entre países.

Pior é o tratamento da solução para o problema Godzilla: usar a frequência dos chilros dos pássaros para guiar o Godzilla até o vulcão, Monte Mihara, onde vai criar uma erupção controlada. No filme, isso sucede durante um período de alguns (ou até vários) dias. No livro, isso ocorre depois de Godzilla chegar em Tóquio, ou, em outras palavras, numa única noite. Isso quer dizer que conseguiram analisar as fotos, pesquisar as frequências (sem testar em Godzilla, ao contrário do filme--e pressupondo que todo equipamento já estava no seu laboratório), preparar a fita, mobilizar o SDF de Japão para implantar bombas nas encostas de Monte Mihara, etc. etc. etc. num período de algumas horas. Tudo acontece tão rápido que até parece meio ridículo.

Tem algumas diferenças na caracterização dos personagens. Maki Goro, o jornalista, parece ser mais egoísta e temeroso, principalmente quando o Dr. Hayashida e Naoko estão preparando a fita com a frequência dos pássaros. Mas de repente no final, a Naoko se torna pessimista e assustada, e é o Goro que tem que animá-la. É um tanto bizarro.

A arte é boa. A capa é uma pintura do lendário Bob Eggleton, que fez a arte na maioria das capas dos quadrinhos de Godzilla da Dark Horse, mais o trade paperbacks publicados depois. A arte do mangá é interessante. Os personagens são desenhados no estilo típico de um mangá japonês (gosto do personagem de Dr. Hayashida, que parece o Dr. Wiley dos jogos de Megaman, se tivesse usado anabolizantes). Mas as cenas de destruição e o Godzilla são desenhados de forma bastante detalhada e realista, de modo que os dois estilos não sempre combinam. Mas há umas lindas spreads de Godzilla que tomam ou a página inteira, ou até duas páginas, que não devem ser ignoradas. Duvido que os fãs que não gostam de Godzilla 1985 serão convertidos através deste graphic novel, mas há bastante arte bonita aqui que não deve ser descontando completamente.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Godzilla vs. Leonard Maltin (part 1)

Godzilla vs. Leonard Maltin

 
 

Quando era pequeno, descobri que a nossa família era dona de duas edições do livro Leonard Maltin Movie Guide (anos 1978 e 1979). Eu lia esses livros mais do que eu lia a Bíblia Sagrada e quadrinhos de Homem-Aranha como criança. Mesmo quando eu não gostava do comentário dele sobre um filme, gostava de ler a opinião dele. Às vezes eu lia página após página durante horas esperando achar algum título de terror ou ficção científica que não conhecia antes. Não consigo contar quantas vezes eu lia seus comentários sobre os filmes de Godzilla, embora nenhum dos filmes que ele criticou passou de duas estrelas e meia na "pontuação" (de quatro estrelas em total).

Um ou dois anos depois de descobrir esses livros, o meu irmão comprou um livro chamado Movies on TV and Video Cassette de Steven Scheuer. Este livro, em algumas formas, foi melhor do que os do Leonard Maltin que já tinha em casa. Primeiro, ele escreveu sobre todos os filmes de Gamera (o Leonard Maltin só escreveu sobre Gammera, the Invincible). Ele também escreveu sobre Yongary, Monster from the Deep, o que eu jamais havia ouvido falar. Idem para Attack of the Mushroom People e Dogora, the Space Monster. Por outro lado, ele foi extremamente duro com os filmes de Godzilla e monstros gigantes em geral.

Aquele livro acabou caindo em pedaços (literalmente) e, ao contrário do Leonard Maltin, o Sr. Scheuer não fazia revisões anuais do livro para incluir novos filmes. Portanto, a minha família comprou uma edição mais recente do Leonard Maltin e continou fazendo o mesmo até eu me mudar para Brasil em 2004.

O mais interessante é que vi alguns comentários sobre os filmes de Godzilla na edição de 2015 do livro dele e percebi que Maltin havia expandido os seus comentários sobre vários filmes da série com o passar dos anos. Então é sobre isso que gostaria de escrever. A ideia é escrever os comentários em edições anteriores e edições mais recentes para vocês leitores verem a diferença entre um e outro:

Gojira/Godzilla 

Antes: Nenhum comentário até depois de 2004.

Atualmente:

Godzilla (1954 - Japonês) 96 min. *** D: Ishirô Honda. Takashi Shimura, Momoko Kôchi, Akira Takarada, Akihiko Hirata. O Avô de todos os filmes japoneses de monstro, com o grande Beemote que cospe radiação aterrorizando Tóquio. Muito mais complexo e matizado do que a versão americana, GODZILLA, KING OF THE MONSTERS, a versão do Raymond Burr, que utilizou apenas uma hora das cenas do original. Estreou nos EUA em 2004. Teve refilmagens em 1985, 1998 e 2014.

Godzilla, King of the Monsters!

Antes:

Godzilla, King of the Monsters!(1956-Japonês-Americano) 80 min. **1/2 D: Terry Morse, Ishirô Honda. Raymond Burr, Takashi Shimura, Momoko Kôchi, Akira Takarada, Akihiko Hirata. Um lagarto que cospe fogo ameaça a civilização: os efeitos especiais são a estrela deste film, o filme original de GODZILLA. Lançado originalmente em Japão em 1954 como GOJIRA com duração de 98 minutos; mais que 20 minutos foram cortados e novas cenas com Burr foram acrescentadas. Atualizado em 1985 e refilmado em 1998.

Atualmente:

Godzilla, King of the Monsters!(1956-Japonês-Americano) 80 min. **1/2 D: Terry Morse, Ishirô Honda. Raymond Burr, Takashi Shimura, Momoko Kôchi, Akira Takarada, Akihiko Hirata. Versão americana do lendário filme japonês foi editado e reorganizado, com o Burr sendo inserido na trama como repórter (chamado Steve Martin!) reagindo ao ataque do Godzilla. Divertido para assistir, mas não se compara com o original.

Gigantis, the Fire Monster

Antes:

Gigantis, the Fire Monster (1955-Japonês) 78 min. ** D: Motoyoshi Oda, Hugo Grimaldi. Hiroshi Koizumi, Setsuko Makayama. Dois monstros lutam pelo mundo. Primeira sequência a GODZILLA; renomeado.

Atualmente:

Gigantis, the Fire Monster (1955-Japonês) 78 min. ** D: Motoyoshi Oda, Hugo Grimaldi. Hiroshi Koizumi, Setsuko Makayama. Um novo Godzilla, chamado Gigantis, luta contro o espinhoso Angorous, arrebentando mais uma cidade japonesa. Primeira sequência a GODZILLA, KING OF THE MONSTERS, renomeado GODZILLA RAIDS AGAIN.

King Kong vs Godzilla

Antes:

King Kong Vs. Godzilla (1963-Japonês) C-90 min. **1/2 D: Ishirô Honda, Thomas Montgomery. Tadao Takashima, Kenji Sahara, Yu Fujiki, Ichirô Arishima, Mie Hama, Akihiko Hirata, Jun Tazaki. Muito "blah, blah, blah" até o final emocionante, quando os dois monstros brigam. Os efeitos especiais são acima do médio.

Atualmente:

King Kong Vs. Godzilla (1963-Japonês) C-90 min. **1/2 D: Ishirô Honda, Thomas Montgomery. Tadao Takashima, Kenji Sahara, Yu Fujiki, Ichirô Arishima, Mie Hama, Akihiko Hirata, Jun Tazaki. Basicamente uma refilmagem de KING KONG, substituindo o Tóquio pela Cidade de Nova Iorque, e Godzilla aparecendo para bagunçar mais ainda (Ah é, também há um polvo gigante). O terceiro filme de Godzilla--o primeiro a ser filmado em cor e widescreen--era originalmente uma sátira einteligente sobre os piores excessos do jornalismo, mas a versão americana elimina quase tudo isso (além da trilha sonora emocionante do Akira Ifukube) e inclui novas cenas ruins com Michael Keith, Harry Holcombe, Byron Morrow e Victor Millian. Ainda vale a pena assistir. (p.s. Apesar da lenda urbana, houve apenas um fim filmado). Duração do filme em Japão: 98 min.

Godzilla vs. the Thing

Antes/Atualmente:

Godzilla vs. the Thing (1964-Japonês) C-90 min. **1/2 C: Ishirô Honda. Okira Takarada, Yuriko Hoshi, Hiroshi Koizumi, Yu Fujiki. Efeitos especiais vívidos destacam a batalha entre o réptil, Godzilla e Mothra, a mariposa gigante. AKA: GODZILLA VS. MOTHRA.

Ghidrah, the Three-Headed Monster

Antes:

Ghidrah, the Three-Headed Monster (1964-Japonês) C-85 min. **1/2 D: Ishiro Honda. Yosuke Natsuki, Yunko Hoshi, Hiroshi Koizumi, Akiko Wakabayashi, Takashi Shimura, Emi Ito, Yumi Ito. Uma história inteligente integra os três favoritos (Mothra, Rodan e Godzilla) no roteiro, protegendo o povo de Tóquio contra o vilão do título.

Atualmente:

Ghidrah, the Three-Headed Monster (1964-Japonês) C-85 min. **1/2 D: Ishiro Honda. Yosuke Natsuki, Yunko Hoshi, Hiroshi Koizumi, Akiko Wakabayashi, Takashi Shimura, Emi Ito, Yumi Ito. Uma princesa linda, aparentemente morta num acidente de avião, reaparece, alegando ser do Marte e advertindo que seremos atacados por uma dragão espacial. E olha! Ela está certa! Introdução do King Ghidorah (cujo nome foi escrito errado pela distribuidora americana) e um dos melhores encontros de monstros japoneses, em que Godzilla, Rodan e Mothra declaram um cessar-fogo para batalhar contra o novo inimigo. A trilha sonora dinâmica do Akira Ifukube é ponto a mais, além da presença do renomado Takashi Shimura. A duração da versão japonesa é 92 minutos.


Monster Zero

Antes:

Monster Zero (1966-Japonês) C-92 min. *1/2 D: Ishiro Honda. Nick Adams, Akira Takarada. O Monster Zero sequestra o Godzilla e Rodan e invade a terra com seus dois colegas escravizados. Risível.


Atualmente:

Monster Zero (1966-Japonês) C-92 min. *1/2 D: Ishiro Honda. Nick Adams, Akira Takarada. Godzilla e Rodan são roubados da terra para batalhar contra Ghidrah em outro planeta. Filme de monstro menos interessante de Toho Studios.


Godzilla vs. the Sea Monster

Antes:

Godzilla vs The Sea Monster (1966-Japonês) C-83m.  **1/2 D: Jun Fukuda. Akira Takarada, Toru Watanabe, Jun Tazaki, Kumi Mizuno, Hideo Sunazuka. Filme empolgante e dinâmico sobre um grupo de náufragos ajudando os cativos dos vilões paramilitares. Enquanto isso, o Godzilla luta contra um camarão gigante. P.S. A Mothra também aparece.

Atualmente:

Godzilla vs The Sea Monster (1966-Japonês) C-83m.  **1/2 D: Jun Fukuda. Akira Takarada, Kumi Mizuno, Chotaro Togin, Hideo Sunazuka, Toru Watanabe, Akihiko Hirata, Toru Ibuki. Quatro pessoas são naufragadas numa ilha no Sul Pacífico, onde não apenas precisam se proteger contra uma organização terrorista chamada o Bambu Vermelho, mas também contra Godzilla, Mothra e uma criatura que parece um caranguejo que se chama Ebirah. O sétimo filme de Godzilla (e o primeiro dirigido por Fukuda) é também o primeiro a não contar com cenas de destruição urbana. O uso esplêndido de cor e uma trilha sonora jazzy do Masaru Sato fazem com que isso seja um dos filmes mais divertidos da série. A duração da versão japonesa é 87m. AKA: EBIRAH, HORROR OF THE DEEP.

Son of Godzilla

Antes/Atualmente:

Son of Godzilla (1967-Japonês) C-86m. *1/2 D: Jun Fukuda. Tadao Takashima, Akira Kubo, Bibari Maeda, Akihiko Hirata, Kenji Sahara. Godzilla e seu filho são ameaçadas por louva-deuses gigantes e um grande aranha neste rally bem-humorado de monstros, mas onde estão mamãe quando precisa dela? Algumas cenas foram recicladas para GODZILLA'S REVENGE.

 Destroy All Monsters!
Antes:

Destroy All Monsters! (1968-Japonês) C-88m. ** D: Ishiro Honda. Akira Kubo, Jun Tazaki, Yukiko Kobayashi, Yoshio Tsuchiya, Kyoko Ai. Um elenco "all-star" de monstros (de Toho Studios) se reúne para combater foças alienígenas. Godzilla, Mothra, Rodan e outros favoritos estão presentes neste filme épico e infantil.

Atualmente:

Destroy All Monsters! (1968-Japonês) C-88m. **1/2 D: Ishiro Honda. Akira Kubo, Jun Tazaki, Yukiko Kobayashi, Yoshio Tsuchiya, Kyoko Ai, Andrew Hughes.  Mais monstros do que há no céu (inclusive os monstros da classe A: Godzilla, Mothra e Rodan) se reúnem para um grande e divertido festa de monstros, na qual ameaçam destruir a terra sob o controle de mulheres alienígenas, mas depois são redirecionados pelos humanos a lutar contra um King Ghidorah obstinado. O nono filme de Godzilla, produzido com a intenção original de ser um grande final à série, é uma distração divertida, com uma bela trilha sonora do Akira Ifukube. Mais ou menos refilmado em 2004 como GODZILLA: FINAL WARS.

 Godzilla's Revenge
Antes/Atualmente:

Godzilla’s Revenge (1969-Japonês) C-69m. **1/2 D: Ishiro Honda. Kenji Sahara, Tomonori Yazaki, Machiko Naka, Sachio Sakai, Chotaro Togin, Yoshibumi Tujima. Fantasia sobre uma criança imaginando aventuras com o filho do Godzilla e outros monstros. As cenas de batalha são tiradas de GODZILLA VS. THE SEA MONSTER e SON OF GODZILLA. Boa ficção científica infantil.

Godzilla vs. the Smog Monster
Antes/Atualmente:

Godzilla vs. The Smog Monster (1972-Japonês) C-87. **1/2 D: Yoshimitsu Banno. Akira Yamauchi, Hiroyuki Kawase, Toshi Shibaki. Godzilla faz um trabalho “freelance” como herói, livrando o Japão de um monstro feito de lixo, que se alimenta de fumaça industrial. Dublado e bizarro. AKA: GODZILLA VS. HEDORAH.

 Godzilla on Monster Island
Antes/Atualmente:

Godzilla on Monster Island (1972-Japonês) C-89m. ** D: Jun Fukuda. Hiroshi Ishikawa, Tomoko Umeda, Yuriko Hishimi, Minoru Takashima. Garbo fala? Há! Neste inofensivo filme infantil, Godzilla fala, enquanto ele e o espinhoso Angillus lutam contra Ghidrah e o seu novo amigo, Gigan, que tem uma serra elétrica na sua barriga. Típica aventura de monstros produzido pelo Toho. AKA: GODZILLA VS. GIGAN.

Godzilla vs. Megalon 
Antes/Atualmente:

Godzilla vs. Megalon (1976-Japonês) C-80m. *1/2 D: Jun Fukuda. Katsuhiko Sasaki, Hiroyuki Kawase, Yutaka Hayashi, Robert Dunham. A série atinge um novo baixo em que o Godzilla se junta a um herói robô para lutar contra Megalon e seu amigo Gigan. Muito barato, com muitas risadas não intencionais. Um “hoho” de Toho em Tohoscope.

 Godzilla vs. the Cosmic Monster
Antes/Atualmente:

Godzilla vs. the Cosmic Monster (1974-Japonês) C-80m. ** D: Jun Fukuda. Masaaki Daimon, Kazuya Aoyama, Reiko Tajima, Barbara Lynn, Akihiko Hirata. Godzilla batalha contra um clone robótico de ele mesmo, construído por macacos alienígenas que pretendem conquistar o mundo. Esta vez ele é auxiliado por um monstro antigo da Okinawa, Kingseesar. Lento até o clímax explosivo. AKA: GODZILLA VS. THE BIONIC MOSNTER e GODZILLA VS. MECHAGODZILLA, e refilmado em 1993 sob esse título.

Terror of Mechagodzilla

Antes:

Terror of Mechagodzilla (1975-Japonês) C-83m *1/2 D: Ishiro Honda. K. Sasaki, Tomoko Ai, Akihiko Hirata, Kenji Sahara. O Mechagodzilla é restaurado por vilões e enviado para destruir Godzilla novamente, auxiliado pelo Titanosaurus. Colorido, mas sombrio.

Atualmente:

Terror of Mechagodzilla (1975-Japonês) C-83m *1/2 D: Ishiro Honda. K. Sasaki, Tomoko Ai, Akihiko Hirata, Kenji Sahara. O Mechagodzilla é restaurado por vilões e enviado para destruir Godzilla novamente, auxiliado pelo Titanosaurus. Colorido e cheio de monstros briguentos.

Godzilla 1985

Antes/Atualmente:

Godzilla 1985 (1985-Japonês) C-91m. BOMB D: Kohji Hashimoto, R. J. Kizer. Raymond Burr, Keiju Kobayashi, Ken Tanaka, Yasuko Sawaguchi, Shin Takuma. Suposta atualizada do GODZILLA original é apenas uma refilmagem, com o monstro atômico ameaçando Tóquio outra vez.  Burr está de volta em sequências inseridas de baixo orçamento aparentando um Coral Grego. Muito sério para ser engraçado; o Grandão é apenas um Chatão.

Godzilla (1998) 

Antes/Atualmente:

Godzilla (1998) C-139m. **1/2 D: Roland Emmerich. Matthew Broderick, Hank Azaria, Jean Reno, Maria Pitillo, Harry Shearer, Kevin Dunn, Michael Lerner, Vicki Lewis, Doug Savant, Arabella Field, Bodhi Elfman. Grande monstro lagarto viaja velozmente do Pacífico até a Cidade de Nova Iorque, e aterroriza o Big Apple. Biólogo Broderick se junta com homem misterioso Reno e sua equipe para impedi-lo. Filme pouco inteligente produzido em grande escala e movido pelos efeitos especiais, e que não faz sentido, sofre com personagens rasos, e é um pouco longo—mas mesmo assim oferece bastante diversão. Seguido por uma série animada; refilmado em 2014.

Godzilla 2000

Atualmente:

Godzilla 2000 (1999-Japonês) C-99m. *** D: Takao Okawara. Takehiro Murata, Naomi Nishida, Mayu Suzuki, Hiroshi Abe, Shiro Sano, Tsutomu Kitagawa. Filme energético e bem feito foca na descoberta de um navio alienígena antigo projetado para converter o meio ambiente da Terra num que seja sustentável para seus criadores. Godzilla acaba salvando o planeta outra vez. Filme interessante com bons efeitos e um roteiro forte, sofrendo apenas de um clímax um pouco longo. Dublado e arrumado para a estreia nos EUA, também substituindo a trilha sonora. Duração da versão original: 107m.

 Godzilla, Mothra, King Ghidorah - Giant Monsters All-Out Attack

Godzilla Mothra King Ghidorah (2001-Japonês) C-105m. *** D: Shusuke Kaneko. Chiharu Nîyama, Ryudo Uzaki, Masahiro Kobayashi, Shirô Sano, Takashi Nishina. Roteirista-diretor Kaneko foi contratado para fazer algo diferente, e realmente conseguiu com este épico sombrio e violento, que transforma o Godzilla numa máquina mortífera nuclear. Mothra, Baragon e até King Ghidorah agora são “espíritos guardiões” que são acordados para impedir a sua onda de destruição. O vigésimo-quinto filme de Godzilla é considerado por muitos fãs a ser o auge da série, com excelentes efeitos especiais e um tom adulto; vale a pena assistir mesmo para quem não é fã. Conhecido como GMK. O título completo do filme é GODZILLA MOTHRA KING GHIDORAH MONSTERS ALL-OUT ATTACK.

 Godzilla (2014)

Godzilla (2014) C-123m. *** D: Gareth Edwards. Aaron Taylor-Johnson, Ken Watanabe, Elizabeth Olsen, Juliette Binoche, Bryan Cranston, Sally Hawkins, David Strathairn, Richard T. Jones, CJ Adams, Carson Bolde, Victor Rasuk. Uma história espetacular e até bem escrito reintroduz o monstro japonês formidável—mais uns predadores parasíticos—num filme do gênero que não tenta inventar a roda, a não ser nos efeitos visuais modernos. Cranston tem papel de um americano que está convencido de que o acidente nuclear que ocorreu 15 anos antes não é o que parece. Taylor-Johnson é o seu filho adulto, que sempre achava que a busca obsessiva do seu pai pela verdade era loucura—até agora. Watanabe e Hawkins são cientistas que estão monitorando os monstros atômicos adormecidos durante todo esse tempo. Diretor Edwards dá uma nova vida aos momentos “cliché”, provando que o Godzilla ainda reina.