sábado, 31 de dezembro de 2016

Return of Godzilla (1984) / Godzilla 1985

Return of Godzilla
(trad: O Retorno de Godzilla)

Elenco: Ken Tanaka, Yasuko Sawaguchi, Yosuke Natsuki, Shin Takuma, Hiroshi Koizumi, Keiju Kobayashi

Diretor: Koji Hashimoto

Diretor de Efeitos Especiais: Teruyoshi Nakano

Depois de nove anos sem produzir um Godzilla filme--e várias tentativas e ideias que não seguiram para frente--o Toho resolveu reviver o maior monstro de todos para seu aniversário de 30 anos. O filme foi criado uma sequência ao primeiro filme de Godzilla de 1954, ignorando as outras 14 sequências que compôs a Era Showa de Godzilla. Apesar de ser uma sequência, o filme é basicamente uma refilmagem, atualizando os efeitos especiais (na medida possível) e incluindo temas referentes à Guerra Fria e os medos do Japão estar no meio do fogo cruzado entre a então União Soviética e os Estados Unidos.

A versão japonesa começa a explosão de uma vulcão numa pequena ilha não muito longe da baía de Tóquio. Alguns meses depois, um navio de pesca está passando perto da ilha no meio de uma tempestade. Um dos tripulantes, Okamura (Shin Takuma), testemunha algo horrível emergindo da ilha. No próximo dia, um jornalista, Maki Goro (Ken Tanaka), descobre o mesmo navio vagando a deriva. Entrando no barco, ele logo descobre que a tripulação inteira está morta, todos os homens estando num estado terrível de decomposição. Goro logo descobre o responsável: um gigante piolho do mar que o ataca. Ele é salvo no último momento pelo Okamura, que conseguiu sobreviver os eventos da noite anterior.

Depois do Okamura ser entrevistado pelo Dr. Hayashida (Yosuke Natsuki, de Ghidrah, o Monstro Tricéfalo), fica claro que o Godzilla está de volta. O Primeiro Ministro (Keiju Kobayashi) pede uma censura da mídia temporária a fim de evitar pânico geral e problemas econômicos que vem quando tem rumores de um monstro gigante capaz de destruir cidades inteiras rodando por aí. Essa censura continua até o Godzilla destruir um submarino nuclear russo. A União Soviética imediatamente culpa os EUA e começa mobilizar para uma retaliação. Finalmente o governo japonês divulga os detalhes da carnificina que houve no navio Yahata-Maru e da volta de Godzilla.

Logo em seguida, o Godzilla aparece e destrói uma usina nuclear em busca de comida. Numa reunião entre os embaixadores americanos e russos e o primeiro ministro japonês, os dois superpoderes desejam utilizar armas nucleares contra o Godzilla. O primeiro ministro assegura os poderes de que não seja necessário, pois o Japão tem defesa própria. Mas quando o Godzilla aparece na baía de Tóquio, um acidente no porto ameaça colocar a cidade em perigo de destruição nuclear, se não pelo Godzilla, então por um míssil soviético.

É difícil escrever sobre este filme, pois cresci assistindo a versão americana, e quando eu vi a versão original, confesso que estranhei com a visão original do direto Koji Hashimoto. O filme não é ruim, mas o ritmo é mais ponderado e lento do que a versão americana. É o mais político dos filmes de Godzilla, sendo superado apenas recentemente por Shin Godzilla (2016), o que é interessante. A história pula entre o governo do Japão tentando lidar com a crise, e os cientistas (auxiliado pelo jornalista Maki e o pescador Okamura) tentando achar uma maneira de lidar diretamente com Godzilla. Muito do primeiro foi perdido na versão americana.

Os efeitos especiais de Teruyoshi Nakano, que foi o diretor de efeitos especiais dos filmes de Godzilla nos anos 1970, são mais atualizados e, em geral, mais sofisticados. As técnicas são as mesmas, mas ele tinha um orçamento bem maior esta vezes. As explosões são mais flamejantes e os efeitos óticos são mais realistas do que os raios e feixes da década anterior. Toho queria se distanciar o mais possível da imagem de "Godzilla como super-herói", então a nova fantasia é mais sério e intimidante do que antes. Esta vez, o ator dentro da fantasia foi o Kenpachiro Satsuma, que se vestiu de Hedorah em 1971 e Gigan em 1972 e 1973. Satsuma seria Godzilla até 1995 quando a série "Heisei" terminou com Godzilla vs. Destoroyah.

Infelizmente, alguns efeitos são estragados por um Godzilla robô de 5 metros que foi utilizado para algumas cenas não parece como a fantasia. Além disso, um pé gigante robótico que foi construído não é tão convincente e diminui o impacto de algumas cenas. Menos grave é a utilização de cenas de um outro filme, Catástrofe: Profecias de Nostrodamus (1974), quando um helicóptero cai num engarrafamento de carros, fazendo com que todos os carros na estrada explodam. O efeito é legal e o filme fonte é obscuro, então não é tão ruim assim.

A música foi compositada por Reijiro Koroku, mais conhecido por fazer a músico para o desenho The Guyver e uma série de filmes produzidos para televisão chamados Red Dead Wagon. A música em geral é boa, com fortes influências de filmes como Superman; Sexta-Feira 13 e Dragnet. A única música que não pertence no filme é uma música pop que toca no final.

Godzilla 1985 

Elenco (cenas americanas): Raymond Burr, Warren Kemmerling, James Hess, Travis Swords

Diretor (cenas americanas): R. J. Kizer

New World Pictures, a empresa de distribuição de filmes do lendário Roger Corman, comprou os direitos americanos para The Return of Godzilla e planejou para lançar o filme nos cinemas americanos um ano após a sua estreia em Japão. Ele contratou R.J. Kizer (mais conhecido por ser o editor de efeitos sonoros em filmes importantes como Interstelar; Deadpool; Wolverine - O Imortal; O Rei Leão; e A Origem) para dirigir novas cenas com atores americanos. O Raymond Burr, que havia aparecido em Godzilla, o Rei dos Monstros voltou a assumir o papel do jornalista Steve Martin. A ideia de Corman foi para transformar o filme numa paródia, mas o Burr, que realmente gostava de Godzilla, exigiu que o filme fosse tratado com mais respeito.

Além de ter novas cenas em que o Burr interage com o exército americano, o novo filme, titulado Godzilla 1985, foi editado. Algumas cenas foram cortadas (inclusive alguns efeitos menos convincentes do pé do Godzilla), outras foram arranjadas de outra maneira (no novo filme, o Godzilla ameaça o povo japonês assim que entra em Tóquio; na versão original, isso ocorre apenas depois da explosão nuclear acima de Tóquio). A versão americana acaba tendo um ritmo mais rápido, principalmente nas sequências e ação, embora muito do conteúdo se perde pelo caminho. 

A trilha sonro de Reijiro Koroku também foi complementada com músicas do filme pós-apocalíptico Def-Con 4 (Condição de Defesa). Na verdade, geralmente acredita-se que o motivo que Godzilla 1985 não foi lançado em DVD nos EUA é por causa de uma disputa dos royalties dessas outras músicas.

Uma música se toca nas cenas de Raymond Burr:



Outra se toca durante o ataque no submarino russo:


Finalmente, essa toca enquanto os soldados estão colocando os explosivos no Monte Mihara:




domingo, 4 de dezembro de 2016

Godzilla de Stephen Molstad

Godzilla - O livro sobre o 1998 film de Stephen Molstad - Comprei esse livro pelo Estante Virtual porque, embora eu não colecione brinquedos/bonecos de Godzilla, compenso comprando livros sobre o assunto. Ao começar a ler, estava esperando que houvesse algo no texto que não apareceu no filme, ou por ter sido editado ou porque o roteiro foi alterado de alguma forma depois do Molstad começar o trabalho. O livro em si é uma adequada tradução do roteiro para prosa e não tem nada que destacou no estilo de escrever do Sr. Molstad. Mas queria fazer três observações sobre esta versão:

1. O Nick Tatopoulos deste livro parece menos como a interpretação de Matthew Broderick e mais como o personagem teria sido se Jeff Goldblum tivesse aceitado o papel: arrogante, cético e um crente em teorias de conspiração.

2. Dra. Elsie Chapman, a paleotóloga que era a chefe do Nick no projeto Gojira, parece uma fantasia masculina. A maneira que ela foi descrita, achei que o Molstad havia vindo do futuro e usou Christina Hendricks ou Scarlett Johansson circa 2012 como modelo...ou talvez a Angie Everhardt ou Julianne Moore. Se não fosse pelo personagem de Audrey, esta Elsie com certeza teria levado a Nick à cama no final do livro.

3. Dr. Mendel Craven, o terceiro cientista da equipe técnica do Projeto Gojira. No filme, o seu personagem não serve para birosca nenhuma. O livro fornece um histórico para o personagem, informando-nos que ele é um cientista conhecido por escrever uma série de livros sobre o fim de mundo que como cada cenário iria se realizar. Assim aprendemos mais sobre ele do que no filme, mas mesmo assim, isso não explica porque o exército teria interesse nele como membro da equipe. Então, no epílogo, aprendemos que ele pretende publicar um livro sobre a possibilidade de outro ninho de Godzilla, e que pretende chamar o livro de "Cretaceous Park*, ou algo assim." Isso implica que Craven foi criado como uma paródia de Michael Crichton, embora esse fato se perde completamente no filme. Isso significa que o filme poderia ser interpretado com uma reação ou paródia dos dois primeiros filmes de [b]Jurassic Park[/b], que seria uma abordagem interessante, embora Emmerich não possuía o talento para realizar essa ideia adequadamente.


* - O título do livro do Craven não faz sentido nem no contexto do livro, pois ele foi um oponente da teoria da Dra. Chapman de que o Godzilla era um alossauro gigante.