quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Godzilla Contra a Ilha Sagrada (1964)


Godzilla Contra a Ilha Sagrada (1964)
Inglês: Godzilla vs. Mothra; Mothra vs. Godzilla; Godzilla Against Mothra; Godzilla vs. the Thing

Japonês: Mosura tai Gojira (trad. Mothra Contra Godzilla)

Elenco: Akira Takarada, Yuriko Hoshi, Hiroshi Koizumi, Kenji Sahara, Jun Tazaki, Yumi Ito, Emi Ito, Yoshifumi Tajima
Diretor: Ishiro Honda

Diretor de Efeitos Especiais: Eiji Tsuburaya

Godzilla Contra a Ilha Sagrada é geralmente considerado o melhor filme de Godzilla depois do original Gojira de 1954. Por um lado, os efeitos especiais são os mais imaginativos das décadas de 50, 60 e 70 e entre os mais consistentes do período. Além disso, a trilha sonora de Akira Ifukube é emocionalmente rica, contendo vários temas que ele havia compositado para King Kong x Godzilla, mas agora se tornaram mais maduros. O elenco é excepcional e a atuação é forte de todos os lados, até na versão dublada. Finalmente, de todos as sequências de Godzilla do período, este tenta abordar (indiretamente) alguns temas sociais: até que ponto somos justificados em tratar a vida animal como mercadoria e qual é a nossa responsabilidade para com os outros durante períodos de calamidade?

A história não é complicada. Há uma furação que atinge Japão as ilhas da região, inclusive a Ilha Infante. Durante o tufão, o ovo da Mothra cai no mar e aparece nas águas japonesas. A vila que tem jurisdição sobre as águas presume que o ovo lhe pertence e o prefeito vende o ovo para Kumayama (Yoshifumi Tajima), um empreendedor ganancioso. As fadas (Emi e Yumi Ito—conhecidas como Shobijin) vêm para Japão para pedir o retorno do ovo. Kumayama e o seu parceiro, Torahata (Kenji Sahara), não dão ouvidos, e até tenta sequestrá-las (já se esqueceram do destino do Nelson do outro filme).

As fadas acham amigos num jornalista (Akira Takarada), uma fotógrafa (Yuriko Hoshi) e um cientista (Hiroshi Koizumi, basicamente fazendo o mesmo papel que fez em Mothra, a Deusa Selvagem). Infelizmente, não esses três não conseguem convencer Kumayama e Torahata a devolver o ovo e as fadas voltam à Ilha Infante, decepcionadas. Pouco tempo depois, Godzilla aparece e destrói a cidade de Nagoya enquanto caminha rumo ao incubador gigante do ovo da Mothra. Os três protagonistas viajam à Ilha Infante para pedir a ajuda da Mothra para deter o Godzilla. Mas a Shobijin perderam a sua fé na humanidade e são relutantes e convocar a ajuda da sua deusa. Depois de um discurso sobre a necessidade de não permitir que os inocentes sofram por causa dos culpados, as fadas resolvem deixar a Mothra ajudar. Mas será que ela vai conseguir derrotar o Godzilla?

Godzilla Contra a Ilha Sagrada aborda os mesmos temas da Mothra, a Deusa Selvagem, principalmente a exploração da Ilha Infante pela humanidade, o que quase resulta na plena destruição do Japão. Podemos ver o sofrimento deles na cena em que os protagonistas visitam a ilha. No primeiro filme, a ilha era uma ilha tropical qualquer (exceto a mariposa gigante que habitava ali), mas no tempo que passou, os efeitos de vários testes nucleares se tornaram mais evidente, pois a ilha é desprovida de vegetação, a não ser num pequeno oásis no central da ilha. É capaz que isso explique por que na literatura oficial do Toho, a Ilha Infante em Ebirah, o Horror do Abismo (1966) estava localizada em outro local no Oceano Pacífico: a primeira ilha se tornou incapaz de sustentar a vida humana e tinham que abandonar o lugar. No entanto, além de ser uma metáfora da devastação promovida pela Era Atômica, o filme (e o seu antecessor) serve(m) como um comentário sobre a tendência capitalista de querer se lucrar com qualquer novidade, mesmo com a vida dos outros. Quando o Kumayama e o Torahata tentam comprar a Shobijin dos protagonistas, em momento nenhum eles façam a proposta às próprias fadas, mas já tratam os heróis como eles fossem o dono delas. É uma observação sobre a tendência ocidental de pensar de tudo em termos de posse e pertences.

Como eu comentei antes, os efeitos especiais são muito bons pela época, principalmente quando se compara aos filmes americanos da época, como Passagem Para o Futuro e  Papai Noel Contra os Marcianos. A minha sequência favorita do filme é quando a SDF (Força de Auto-Defesa) tenta deter o Godzilla usando relâmpagos artificiais. Além disso, a batalha entre Mothra (adulto) e Godzilla é memorável, principalmente uma sequência que parece que foi filmado com stop motion (ou bonecas de massa) a lá Ray Harryhausen. O último confronto entre Godzilla e as duas lagartas é muito legal e tem a imagem inesquecível de Godzilla completamente coberta com seda. Para a versão americana, a equipe de Tsuburaya filmou uma sequência em que a marinha americana ataca o Godzilla com mísseis, sem sucesso (esta cena não aparece na versão japonesa). Os efeitos por si só justificam a existência do filme, mas a atuação, a música e o tratamento do tema o fortalece ainda mais.

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