sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Godzilla terá um filme anime em 2017

Godzilla terá um filme anime em 2017

Fonte: http://www.animenewsnetwork.com/news/2016-08-18/2017-godzilla-anime-film-penned-by-gen-urobuchi-animated-by-polygon-pictures/.105542


Um filme anime, titulado "Godzilla", foi autorizado pelo Toho Studios.

Este será o terceiro desenho do Godzilla, o primeiro sendo uma série produzido pelo famoso Hanna-Barbera nos anos 70 e depois um desenho produzido por Centropolis que serviu de sequência para o filme americano de 1998, dirigido por Roland Emmerich.

Não se sabe nada sobre o enredo do filme, a não ser que o roteirista será Gen Urobuchi (Fate/Zero) e os diretores serão Kobun Shizuno (Detective Conan) e Hiroyuki Seshita (Final Fantasy X e Kingdom Hearts)
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quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Ghidrah, o Monstro Tricéfalo


Ghidrah, o Monstro Tricéfalo (1964)
Inglês: Ghidrah, the Three-Headed Monster

Japonês: San Daikaiju: Chikyu Saidai no Kessen (trad. Três Monstros Gigantes: A Maior Batalha da Terra)

Elenco: Yosuke Natsuki, Yuriko Hoshi, Hiroshi Koizumi, Akiko Wakabayashi, Emi Ito, Yumi Ito, Akihiko Hirata
Diretor: Ishiro Honda

Diretor de Efeitos Especiais: Eiji Tsuburaya

De certa maneira, podemos dizer que Ghidrah, o Monstro  Tricéfalo encerra uma trilogia e abre uma segunda. A primeira é a trilogia da Mothra, e, mais especificamente, das gêmeas Ito (Yumi e Emi) como as Shobijin, ou fadas da Mothra. O personagem da Mothra foi introduzido em 1961 em Mothra, a Deusa Selvagem. Além disso, as fadas são apresentadas como sendo duas criaturas ingênuas, pois não conhecem a sociedade moderna. Em Godzilla Contra a Ilha Sagrada, as Shobijin são mais céticas da humanidade do que eram no primeiro filme. Além disso, a Mothra já está morrendo, mas, sendo um símbolo de vida e renascimento, duas lagartas nascem para tomar o lugar da primeira. Neste filme, uma lagarta (aprendemos que a segundo morreu—o filme não explica como, mas vou supor que foi por ser exposta à radiação do Godzilla) cumpre com o seu dever, convencendo Godzilla e Rodan a lutarem pela humanidade. Além disso, as Shobijin já fizeram as pazes com a civilização moderna e já, aparentemente, estabeleceram alguma relação diplomática com Japão entre o último filme e este. Dessa maneira, podemos dizer que esses personagens completam o ciclo de crescimento como personagens.

Este filme também é a estreia do inimigo mais famoso do Godzilla: Rei Ghidrah (ou Ghidorah), o grande Monstro do Mal. Por isso que falo que este filme inicia uma segunda trilogia, a trilogia de Ghidrah. Este filme é seguido por Guerra dos Monstros (ing. Invasion of the Astro Monster/Monster Zero), em que Godzilla e Rodan voltam para lutar novamente contra o dragão espacial de três cabeças. Finalmente, O Despertar dos Monstros (ing. Destroy All Monsters!) encerra a trilogia com a derrota final do monstro.

Então, como foi que o roteirista Shinichi Sekizawa conseguiu juntar nada menos de quatro monstros num único filme e ainda ter um produto coerente? Bem, como Os Vingadores, Sekizawa se beneficia do fato que três dos quatro monstros já haviam sido estabelecidos em filmes anteriores. No final de Rodan, o Monstro Voador, os dois répteis voadores haviam sido mortos da explosão de Mt. Aso em Kyushu (uma ilha ao sul da ilha principal de Honshu). Quando Rodan (um dele) voltar novamente, é encontrado preso no mesmo vulcão. Godzilla simplesmente surge do oceano como é de costume e Mothra (uma delas) simplesmente havia voltada à Ilha Infante no final de Godzilla Contra a Ilha Sagrada. Apenas o Ghidrah necessitava de uma história para explicar a sua existência.

Então, no começo de 1965 (suponho eu), o Japão está experimentando uma forte onda de calor, apesar de estar no meio de inverno. Um grupo de crentes em OVNIs acha que o fim do mundo está próximo e que pode haver uma tentativa de comunicar com algum ser de outra galáxia para entender o que está acontecendo. Uma noite, um grupo deles está no teto de um prédio na esperança de receber algum sinal. No meio deles é Naoko (Yuriko Hoshi, quase repetindo o seu papel do filme anterior), um repórter com um programa de tabloide da TV. A incredulidade dela é citada como o motivo do grupo não receber comunicação naquela noite, mas na verdade, há uma comunicação acontecendo.

Primeiro, um meteoro gigante cai no Desfiladeiro Koruba, quase atingindo a barragem local. Um geólogo, Professor Miura (Hiroshi Koizumi, basicamente fazendo o mesmo papel que fez nos dois filmes anteriores), é enviado com a sua equipe para pesquisar o meteoro. Ao mesmo tempo, uma princesa do país fictício de Selgina (tipo Nepal ou Bután), Selina Salno (Akiko Wakabayashi de 007 em Só Se Vive Duas Vezes), está viajando para Japão para esconder de assassinos esquerdistas na sua pátria. Antes de chegar em Japão, ela é possuída por uma força desconhecida e pula do avião, poucos momentos antes de uma bomba explodi-lo. Quando a mulher aparece em Japão poucos dias depois, ela alega que vem de Vênus (em inglês, Marte; nas legendas portuguesas da versão que eu tenho: Júpiter) para advertir a Terra de uma grande destruição que está para vir.

Daí as coisas começam a complicar. Os assassinos da Selgina descobrem que a princesa está viva, e viajam para Japão para terminar o seu trabalho. Os únicos amigos que a princesa/profetista tem são a Naoko; o seu irmão, Detetive Shindo (Yosuke Natsuki); e as Shobijin, que entendem que as profecias ridicularizadas da mulher são verdadeiras. Godzilla e Rodan logo voltam para Japão e destroem o interior do país durante uma luta prolongada. Ghidrah, o destruidor de mundos, nasce do meteoro e começa a vaporizar cidades com mais eficiência do que o próprio Godzilla. E o Shindo está ocupado tentando proteger a profetista dos assassinos enquanto tenta ajudá-la ter a sua memória de volta. Quanto aos monstros, apenas a Mothra consegue liderar os outros dois contra Ghidrah.

O roteiro é bastante complexo, dando aos personagens muito para fazer enquanto os monstros estão brigando e derrubando prédios. Há uns graus de separação entre os aspectos políticos da trama e as cenas de destruição, mas prova a ser interessante mesmo assim. O primeiro ato requer um pouco de paciência, pois demora quase 40 minutos antes da ação realmente começar. Quanto ao ritmo do roteiro, só reclamo que a segunda canção para convocar a Mothra para Japão demora muito—na versão americana, esta cena é cortada para manter o movimento do filme.


Os efeitos especiais do filme são bastante inconsistentes neste filme. Godzilla quase não usa o seu raio nuclear, e quando usa, tem a sua aparência azul apenas uma vez (numa bela sequência à noite no oceano). Nas outras vezes, o raio parece mais como um gás ou fumaça, e ele nunca usa o raio contra o Ghidrah, que é muito estranho. Mas fora disso, o filme sofre da mesma problema com a dicotomia entre as miniaturas e fantasias, que são ótimas como sempre, e os fantoches, que deixam muito a desejar. São usados muito durante a luta entre Godzilla e Rodan e são óbvios, embora não tão falsos quanto em King Kong X Godzilla. Para compensar, as cenas em que Ghidrah destrói Tóquio e as regiões rurais ao redor da cidade são entre as melhores cenas de destruição já elaboradas em qualquer filme de monstro gigante.

A música de Akira Ifukube é top como sempre. Ele escreveu mais uma nova música para Mothra, o que as irmãs Ito cantam duas vezes. Pode se ouvir “Fonte Sagrada” brevemente, mas “Mahara Mothra” e “Mosura, Mosura” não se cantam aqui. Os temas musicais de Godzilla e de Ghidrah também são lendários e podem ser ouvidos em vários outros filmes de Godzilla produzidos depois. Interessante é que na versão americana, a música do Ifukube foi trocada em algumas cenas (“Godzilla Chega em Yokohama” e “Godzilla X Rodan”) por músicas de filmes americanos, como O Escorpião Negro (1957). Puristas podem reclamar disso, mas no final a mistura de estilos musicais não afeta o filme negativamente.

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Shin Godzilla/Godzilla Resurgence Continua em Primeiro Lugar

Shin Godzilla/Godzilla Resurgence Continua em Primeiro Lugar

Fonte: https://us.yahoo.com/movies/japan-box-office-shin-godzilla-roars-second-weekend-130207925.html

Shin Godzilla,” o reboot do Toho da sua franquia icônica de monstro, permaneceu em primeiro lugar nas bilheterias japonesas. Espera-se de que vai ganhar mais do que os 40 milhões de dólares projetados pela distribuidora.
As críticas têm sido extremamente positivas, enquanto os fãs estão voltando ao cinema várias vezes buscando pequenos e novos detalhes no roteiro que enfatiza o diálogo entre os personagens humanos."

Eu mesmo tenho procurado evitar spoilers sobre o que aconteceu no filme, mas os poucos comentários que li sugerem que o filme é tanto uma metáfora pelo incidente de Fukushima quanto o Gojira (1954) era uma metáfora por Hiroshima, Nagasaki e o Lucky Dragon. Então, sugiro aos meus leitores que leiam um pouco sobre a usina nuclear de Fukushima para preparar suas mentes para este filme.

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Godzilla Contra a Ilha Sagrada (1964)


Godzilla Contra a Ilha Sagrada (1964)
Inglês: Godzilla vs. Mothra; Mothra vs. Godzilla; Godzilla Against Mothra; Godzilla vs. the Thing

Japonês: Mosura tai Gojira (trad. Mothra Contra Godzilla)

Elenco: Akira Takarada, Yuriko Hoshi, Hiroshi Koizumi, Kenji Sahara, Jun Tazaki, Yumi Ito, Emi Ito, Yoshifumi Tajima
Diretor: Ishiro Honda

Diretor de Efeitos Especiais: Eiji Tsuburaya

Godzilla Contra a Ilha Sagrada é geralmente considerado o melhor filme de Godzilla depois do original Gojira de 1954. Por um lado, os efeitos especiais são os mais imaginativos das décadas de 50, 60 e 70 e entre os mais consistentes do período. Além disso, a trilha sonora de Akira Ifukube é emocionalmente rica, contendo vários temas que ele havia compositado para King Kong x Godzilla, mas agora se tornaram mais maduros. O elenco é excepcional e a atuação é forte de todos os lados, até na versão dublada. Finalmente, de todos as sequências de Godzilla do período, este tenta abordar (indiretamente) alguns temas sociais: até que ponto somos justificados em tratar a vida animal como mercadoria e qual é a nossa responsabilidade para com os outros durante períodos de calamidade?

A história não é complicada. Há uma furação que atinge Japão as ilhas da região, inclusive a Ilha Infante. Durante o tufão, o ovo da Mothra cai no mar e aparece nas águas japonesas. A vila que tem jurisdição sobre as águas presume que o ovo lhe pertence e o prefeito vende o ovo para Kumayama (Yoshifumi Tajima), um empreendedor ganancioso. As fadas (Emi e Yumi Ito—conhecidas como Shobijin) vêm para Japão para pedir o retorno do ovo. Kumayama e o seu parceiro, Torahata (Kenji Sahara), não dão ouvidos, e até tenta sequestrá-las (já se esqueceram do destino do Nelson do outro filme).

As fadas acham amigos num jornalista (Akira Takarada), uma fotógrafa (Yuriko Hoshi) e um cientista (Hiroshi Koizumi, basicamente fazendo o mesmo papel que fez em Mothra, a Deusa Selvagem). Infelizmente, não esses três não conseguem convencer Kumayama e Torahata a devolver o ovo e as fadas voltam à Ilha Infante, decepcionadas. Pouco tempo depois, Godzilla aparece e destrói a cidade de Nagoya enquanto caminha rumo ao incubador gigante do ovo da Mothra. Os três protagonistas viajam à Ilha Infante para pedir a ajuda da Mothra para deter o Godzilla. Mas a Shobijin perderam a sua fé na humanidade e são relutantes e convocar a ajuda da sua deusa. Depois de um discurso sobre a necessidade de não permitir que os inocentes sofram por causa dos culpados, as fadas resolvem deixar a Mothra ajudar. Mas será que ela vai conseguir derrotar o Godzilla?

Godzilla Contra a Ilha Sagrada aborda os mesmos temas da Mothra, a Deusa Selvagem, principalmente a exploração da Ilha Infante pela humanidade, o que quase resulta na plena destruição do Japão. Podemos ver o sofrimento deles na cena em que os protagonistas visitam a ilha. No primeiro filme, a ilha era uma ilha tropical qualquer (exceto a mariposa gigante que habitava ali), mas no tempo que passou, os efeitos de vários testes nucleares se tornaram mais evidente, pois a ilha é desprovida de vegetação, a não ser num pequeno oásis no central da ilha. É capaz que isso explique por que na literatura oficial do Toho, a Ilha Infante em Ebirah, o Horror do Abismo (1966) estava localizada em outro local no Oceano Pacífico: a primeira ilha se tornou incapaz de sustentar a vida humana e tinham que abandonar o lugar. No entanto, além de ser uma metáfora da devastação promovida pela Era Atômica, o filme (e o seu antecessor) serve(m) como um comentário sobre a tendência capitalista de querer se lucrar com qualquer novidade, mesmo com a vida dos outros. Quando o Kumayama e o Torahata tentam comprar a Shobijin dos protagonistas, em momento nenhum eles façam a proposta às próprias fadas, mas já tratam os heróis como eles fossem o dono delas. É uma observação sobre a tendência ocidental de pensar de tudo em termos de posse e pertences.

Como eu comentei antes, os efeitos especiais são muito bons pela época, principalmente quando se compara aos filmes americanos da época, como Passagem Para o Futuro e  Papai Noel Contra os Marcianos. A minha sequência favorita do filme é quando a SDF (Força de Auto-Defesa) tenta deter o Godzilla usando relâmpagos artificiais. Além disso, a batalha entre Mothra (adulto) e Godzilla é memorável, principalmente uma sequência que parece que foi filmado com stop motion (ou bonecas de massa) a lá Ray Harryhausen. O último confronto entre Godzilla e as duas lagartas é muito legal e tem a imagem inesquecível de Godzilla completamente coberta com seda. Para a versão americana, a equipe de Tsuburaya filmou uma sequência em que a marinha americana ataca o Godzilla com mísseis, sem sucesso (esta cena não aparece na versão japonesa). Os efeitos por si só justificam a existência do filme, mas a atuação, a música e o tratamento do tema o fortalece ainda mais.