sexta-feira, 29 de julho de 2016

As Primeiras Resenhas de Shin Godzilla (2016) Chegaram!

As Primeiras Resenhas de Shin Godzilla (2016) Chegaram!

 
 
 
*NÃO LEIA A NÃO SER QUE QUEIRA LER SPOILERS*
 
As primeiras resenhas de Shin Godzilla (aka Godzilla Resurgence) chegaram e variam entre "mais ou menos" e "realmente bom". A crítica principal é ironicamente semelhante à principal de Godzilla (2014) - muita conversa e pouco Godzilla. Na defesa do filme americano de Legendary Pictures, as cenas com Godzilla tratavam de pessoas fazendo coisas, embora este novo filme parece tratar um ataque de monstro do ponto de vista político. Vamos ver:


De Takuma (Kung Fu Fandom):


Godzilla: Resurgence (Japão, 2016) [DCP] - 2/5

  Um filme bastante decepcionante pelo diretor / escritor Hideaki Anno, cujo histórico como um brilhante analista de personagens problemáticos e alienados (Ritual), e como uma forte crítica social (Love & Pop) com antipatias para adultos e o governo (Evangelion), fez-nos esperar algo especial. Infelizmente, isso é tão longe da Anno sabemos quanto possível. É 25 minutos de ação e 95 minutos de falar cabeças em uma sala de conferências do governo. Curiosamente as cabeças pertencem a legião de políticos e pesquisadores pouco interessantes, deixando o filme sem um personagem principal que não seja o coletivo "Japão". Há alguns temas semi-interessantes sobre política japonesa e referências aos recentes desastres naturais são eficazes, mas a profundidade personagem é zero e a abordagem pró-governo muito inesperado de Anno. Os efeitos especiais são bons, sempre que os efeitos da velha escola dominam, mas existem alguns segmentos CGI pouco convincentes também.

De Brian Ashcraft of Kotaku.com:

...O que gostei do reboot e que eu gosto sobre filmes de Godzilla, em geral, é que muitas vezes refletem o humor do país no momento em que eles são feitos. Muitas partes do este filme certamente fazer isso e, sem dúvida, poderia ser responsável pela buzz positivo que o filme está ficando aqui no Japão...

Da mesma forma, Godzilla Resurgence é um reflexo do país hoje. O filme retrata alguns dos sentimentos em torno da Força de Auto-Defesa japonesas e as limitações que ele tem tradicionalmente sob a Constituição do país. O que se o Japão é atacado? Que tipo de limitações existem, politicamente? O Primeiro-Ministro pode fazer?

Estas são perguntas importantes para qualquer filme japonesa contemporânea, muito menos um kaiju. Assim, enquanto o filme de 1954 parecia se mover mais rápido através das cenas político a se concentrar mais sobre os personagens, Godzilla Resurgence passa a maior parte de seu tempo com os políticos, ponderando através destas questões...


...Em última análise, a maior parte do filme não compensa. O clímax sentiu monótono e termina sem acumular tensões. (No entanto, há uma grande recompensa no meio do filme, e eu realmente não podia acreditar que o filme fez aquilo. Mas depois de ir lá, ele nunca realmente totalmente explorado o que isso significava.) Nunca houve uma liberação ou uma satisfatória catarse. Apenas ansiedade espreitada .

E finalmente do RO65, website sobre a cultura popular japonesa:

... Tornou-se um dos principais [pontos de conversa que] Hideaki Anno é um diretor talentoso de hoje. Eu quero dizer um como uma pessoa que tenha visto o filme [plenamente] concluída, este "Shin Godzilla" é puramente uma obra-prima da sem precedentes [cinemáticos].
 
[O filme retem] um grande respeito para a mensagem fundamental dentro Godzilla, ansiando para os velhos tempos da [sua origem].
 
Expectativas das pessoas que estão olhando para a frente para a [mais recente encarnação japonesa] de "Godzilla" em 12 anos - [Por favor, sejam] contentes que [o filme] não trai [Godzilla], mas, ao mesmo tempo, as pessoas que são novos para
"Godzilla" pode [também desfrutar de um filme deste tipo de conteúdo, que anteriormente não podiam ter].
 
A aparência [do filme] é o do atual [estado e verdadeiro do Japão], o filme é criticamente pintado [e capaz de sarcasmo] e, ao mesmo tempo, é o melhor dos trabalhos de entretenimento em busca de diversão pura como um monstro
filme para os limites...




Mothra, a Deusa Selvagem (1961)


Mothra, a Deusa Selvagem (1961)

Inglês: Mothra

Japonês: Mosura

Elenco: Frankie Sakai, Jerry Ito, Hiroshi Koizumi, Emi Ito, Yumi Ito, Takashi Shimura, Kyoko Kagawa, Akihiko Hirata
Diretor: Ishiro Honda

Diretor de Efeitos Especiais: Eiji Tsuburaya

Godzilla foi o primeiro kaiju criado pelo estúdio Toho e serviu, pelo menos no seu primeiro filme, como metáfora pela destruição que o Japão sofreu pelas bombas atômicas (mais o entulho radiativo espalhado pela primeira bomba H). A sequência ao primeiro filme de Godzilla, Godzilla Contra-Ataca (1955), foi o primeiro filme de kaiju de ter dois monstros lutando. Rodan, O Monstro (1956) foi o primeiro filme de kaiju colorido. Daikaiju Baran (1959) não representou nenhum avanço para o gênero, mas o próximo filme de kaiju, Mothra, a Deusa Selvagem apresentou algo de novo: e se o kaiju em questão era, afinal de contas, um monstro benevolente?
O roteiro deste filme é bastante interessante. Durante uma furação, um navio japonês encalha numa ilha conhecida como Ilha Infante. Pouco tempo depois, um helicóptero descobre quatro sobreviventes na praia, o que surpreende as autoridades, pois um teste atômico havia sido realizado nas redondezas há pouco tempo. No entanto, os quatro homens não estão vomitando os seus órgãos internos devido ao envenenamento de radiação? Como foi que isso aconteceu? Bem, segundo os sobreviventes, os nativos da ilha haviam dado um suco especial para eles tomarem.

Espere aí? Nativos? Quer dizer que a ilha não estava desocupada quando o país fictício de Rolisica explodiu a bomba? Diante dessas descobertas, o país de Rolisica manda uma expedição para a ilha para pesquisar. Alguns cientistas japonesas, inclusive o antropólogo Dr. Chujo (Hiroshi Koizumi, que voltaria para este papel 42 anos depois em Godzilla: Tokyo SOS). Um jornalista, Senichiro “Bulldog” (Frankie Sakai), entra escondido no navio e acaba fazendo amizade com Dr. Chujo. O líder da expedição é o Nelson (Jerry Ito), que tem motivos pessoais por querer visitar a Ilha Infante.

Na Ilha, o Dr. Chujo descobre uma caverna cheia de escritos antigos...e uma planta carnívora. Ele é salvo por duas pequenas fadas (Emi e Yumi Ito). No próximo dia, a equipe científica descobre as fadas, e o Nelson tenta raptá-las, mas é impedido pela chegada dos nativos. Depois da volta do navio para Tóquio, o Nelson retorna à ilha sem avisar ninguém e sequestra as fadas, transformando-as numa sensação do palco. Mas o que ele não sabe é que a música que elas cantam é um grito de socorro para o seu deus, Mothra. E não demora muito antes da Mothra sair da ilha em busca de suas pequenas sacerdotistas.

O maior problema com o filme, o que fez com que eu não gostasse dele durante muitos anos, é o ritmo meio lento. Demora uns quarenta minutos antes de vermos a forma lagarta de Mothra (“Moth” significa “mariposa” em inglês) e a Mothra adulta só aparece nos últimos dez minutos. Mas se for uma pessoa paciente, será mais fácil apreciar os momentos mais quietos entre as cenas de destruição e poderá perceber que o roteiro mantem os protagonistas ocupados no último ato do enredo, em vez de transformá-los em meros espectadores.

Os efeitos especiais são ótimos e bastante detalhados. Isso se aplica principalmente às miniaturas que a Mothra destrói, tanto em Tóquio quanto em New Kirk City (re: Cidade de Nova Iorque) no país de Rolisica. O final é especialmente impressionante, pois podemos ver a destruição de prédios, uma cópia fiel ao Brooklyn Bridge e dezenas e dezenas de carros sendo levados pelo ar por causa do vento que as asas gigantescas da Mothra produzem. Este filme e a sua sequência, Godzilla Contra a Ilha Sagrada (1964), representam a Era Dourada da Mothra e contem os melhores efeitos visuais quanto a realização dela, pelo menos até 2001. Há também uma cena muito bem montada mostrando a destruição de uma represa que foi roubada posteriormente para o filme taiwanês Thunder of the Gigantic Serpent.

A música não foi compositada esta vez pelo Akira Ifukube, mas por Yuji Koseki. O estilo dele é diferente das marchas épicas do Ifukube e ritmos jazz do Masaru Sato. Koseki cria músicas que lembram um filme de Hollywood dos anos 30 e 40, que é bastante diferente do normal. Mas as canções das irmãs Ito são lendárias, principalmente “A Canção da Mosura,” o que é cantada em vários filmes em que esse monstro aparece. No final, é um filme de monstro que realmente vale a pena assistir.

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Godzilla: Resurgence Tem Funimation como Distribuidora nas Américas

Godzilla: Resurgence (Shin Gojira) Ganha Distribuidora nas Américas
 
Fonte: Sci-Fi Japan
 

 
O novo filme japonês do Godzilla, Shin Gojira (ou Godzilla Resurgence), será distribuído na América do Norte, América do Sul, América Central e o Caribe pela empresa Funimation Entertainment. Funimation Entertainment é mais conhecido neste hemisfério por distribuir vários animes, inclusive Dragon Ball Z; Yu Yu Hakusho; X; e Psycho Pass. Uma divisão da empresa, Funimation Films, ficará responsável pela estreia nos cinemas americanos do filme no final do ano--a estreia japonesa será no dia 29 de julho (ou seja, em 7 dias).
 
Não há notícias ainda se o filme receberá uma estreia em cinemas brasileiros. Assim que tiver notícias, postará aqui no blog.

terça-feira, 12 de julho de 2016

O Universo de Monstros de Universal Studios

O Universo de Monstros de Universal Studios
 
 

Hoje de manhã eu li um artigo sobre os planos de Universal Studios para criar um universo compartilhado de monstros clássicos e por que a ideia é destinada ao fracasso. Bom, antes de comentar sobre o artigo em si, vamos ver o histórico dessa ideia.

Em 1931, quando o cinema "talkie" ainda estava bem novo, o Universal lançou adaptações de Drácula e de Frankenstein, ambos os filmes fazendo bastante sucesso nas bilheterias. Isso resultou em sequências para ambos os filmes, inclusive A Noiva do Frankenstein, que é considerado um dos melhores de filmes de terror de todos os tempos. Universal Studios começou a produzir inúmeros filmes de terror, inclusive O Corvo, O Gato Preto, A Múmia, e  O Lobisomem.

A partir de 1943, o Universal produziu o primeiro filme  de "crossover": Frankenstein Encontra o Lobisomem. Este filme foi seguido por Mansão de Drácula e Mansão de Frankenstein, em que Drácula, Frankenstein e o Lobisomem apareceram juntos. Apareceram juntos mais uma vez na próxima década para um filme de Abbot e Costello. Mas naquele momento, os gostos do público haviam mudado e monstros atômicos, alienígenas e dinossauros estavam mais populares. Universal Studios tentou seguir o fluxo e ainda produziu uns filmes clássicos (O Monstro da Lagoa Negra; Tarantula) e filmes não-tão-bons (O Monstro do Ártico).

No final da década de 50, o estúdio Hammer da Inglaterra ressuscitou os monstros clássicos do Universal em filmes que continham a violência e sensualidade que faltava nos filmes antigos. Isso provou a ser lucrativo para Hammer até o começo da década de 70, quando o sucesso do Exorcista mudou completamente o que o público esperava de filmes de terror.

Agora vamos pular para a década atual. Disney e Marvel estão ganhando bilhões e bilhões de dólares com o universo Marvel de super-heróis. Fox Studios já produziram oito filmes no universo X-Men desde 2000 (e o filme Deadpool de 2016 foi um sucesso inesperado, apesar da sua classificação de "R"--ou 16 anos no Brasil). Warner Brothers, ligado com DC Comics, já produziram dois filmes bem-sucedidos de Super-Homem e estão planejando criar o seu próprio universo de super-heróis cinemáticos (este ano estreia Suicide Squad e Mulher Maravilha ganhará um filme no ano que vem).

Então, onde se insere Universal Studios em tudo isso?

Uns anos atrás, Universal anunciou o seu universo cinemático: o dos monstros clássicos. A ideia era para os monstros famosos do Universal (Drácula, Frankenstein, a Noiva do Frankenstein, o Lobisomem, a Múmia e o Monstro da Lagoa Negra) ter novos filmes e depois um (ou mais) crossovers. A ideia é sólida, mas tem um grande "porém" nessa história.

O artigo que li falou que a ideia não dará certo simplesmente porque o povo quer ver super-heróis e não monstros. Ponto final. Como muitos artigos hoje em dia sobre o entretenimento, o argumento é simplificado demais e existe mais para ganhar "clicks" dos internautas, do que para realmente analisar a situação. Então, é melhor fazer essa análise monstro por monstro para entender melhor a situação:

Drácula - O maior problema em fazer um reboot de Drácula como parte de um novo universo é que o Drácula jamais saiu dos holofotes. Nas últimas duas décadas o Drácula já aparecer em Dracula 2000 (e suas duas sequências); Dracula 3000 (um filme de terror/ficção científica que ninguém gostou); os desenhos de Hotel Transilvânia; Van Helsing em 2004, e isso não inclui todos os outros filmes e seriados sobre vampiros feitos em anos recentes (Vampire Diaries; True Blood; A Saga Crepúsculo; Blade Trinity; etc.). Então para fazer um filme de Drácula bem sucedido, seria necessário fazer algo diferente e inovador que não depende do nome "Drácula" para vender ingressos. Infelizmente, a ideia do Universal foi para criar uma nova origem que transforma o vampiro famoso num anti-herói em vez de um monstro como o autor Bram Stoker havia imaginado. O resultado, Dracula Untold (Drácula, a História Nunca Contada) teve uma recepção decente na bilheteria, ganhando 210 milhões mundialmente contra um orçamento de 70 milhões.

Frankenstein - Como o Drácula, um dos problemas do Frankenstein é que o personagem (e o livro da Mary W. Shelley) já é do domínio público. Portanto, qualquer estúdio pode fazer um filme sobre ele--Universal Studios tem direitos autorais sobre a aparência do monstro do Frankenstein, mas só isso. Em anos recentes, já tivemos dois filmes sobre ele: Frankenstein: Entre Anjos e Demônios (2014) e Victor Frankenstein (2015).  Quase ninguém gostou do primeiro, e Victor Frankenstein (produzido por 20th Century Fox) foi um fracasso na bilheteria. Não sei se um novo filme do Frankenstein poderia incitar o entusiasmo do público ou evitar que as pessoas associem erroneamente o novo filme com esses outros.

Lobisomem - Criaturas mitológicas não estão sujeitas a direitos autorais, mas o nome inglês "The Wolf Man" parece pertencer ao Universal Studios. O original Wolf Man foi produzido em 1941, mas há dezenas e dezenas de lobisomens que apareceram em filmes desde então. Ainda mais, o Universal Studios já produziu uma refilmagem oficial do clássico de 1941 em 2010: O Lobisomem com Benicio del Toro e Anthony Hopkins. Não seria mais fácil (e menos confuso) pedir para os roteiristas fazer um “retcon” (continuidade retroativa) da versão de 2010 para enquadrar no novo universo, em vez de fazer mais um maldito reboot? E o que o novo filme poderia fazer para convencer o público de que precisam assistir mais um filme de Lobisomem?

A Noiva do Frankenstein - Apesar do filme original ser considerado um dos melhores filmes do gênero de todos os tempos, ele foi refilmado apenas uma vez, em 1985 como The Bride (A Prometida). Então este personagem não necessariamente iria se beneficiar com um reboot, mas pelo menos não sofre com a familiaridade que os personagens acima sofrem.

A Múmia - A primeira Múmia estreou em 1932 e, como os outros filmes de terror do Universal Studios, é considerado um clássico. Depois, de 1940 a 1945, Universal Studios produziu mais quatro filmes não relacionados à versão de 1932, mas que formaram a sua própria continuidade. Em 1999, Universal Studios produziu uma refilmagem com Brendan Fraser que transformou o filme num blockbuster de ação no estilo de Indiana Jones. O filme foi seguido por duas sequências (o último foi feito em 2008). Em 2016, um novo reboot estrelando Tom Cruise está agendado para estrear nos cinemas. Posso entender que depois de três filmes e um "spin-off" (O Rei Escorpião—e suas sequências), um reboot seria necessário para enquadrar o monstro num novo universo. E a múmia tem a vantagem de não aparecer em muitos filmes. De fato, os filmes do Brendan Fraser são os únicos que foram para o cinema desde o começo da década de 90. Os outros são filmes de baixo orçamento que foram direto para a locadora ou TV a cabo e foram prontamente esquecidos. O único problema é que a múmia é limitada em termos de histórias que podem ser contadas (grupo de pessoas entra na tumba, ficam sujeitos a uma maldição, e são caçados por uma múmia vingativa), então espero que o roteiro do novo filme seja um pouco mais inovador. Até agora só sabemos que a múmia maligna será uma mulher.

O Monstro da Lagoa Negra – O monstro (conhecido como o Homem Peixe) fez a sua estreia em 1954 e apareceu em mais dois filmes, produzidos em 1955 e 1956, respectivamente. Outros estúdios criaram seus próprios homens peixe durante as décadas de 50 e 60, mas o monstro quase sumiu da mapa até o final da década de 70. O Homem Peixe apareceu no clássico Deu Uma Louca nos Monstros em 1986, mas só isso. O Universal Studios planejou várias vezes desde a década de 90 para fazer uma refilmagem de O Monstro da Lagoa Negra, mas nada se concretizou. Recentemente foi confirmado que o reboot iria acontecer e que a atriz principal seria a Scarlett Johansson. Agora, como um monstro que habita na Amazônia vai encontrar com os monstros baseados na Europa seria uma pergunta bastante interessante para os roteiristas responderem.

Não creio que o Universo Universal (que bizarro) está destinado ao fracasso simplesmente porque o público quer heróis e não monstros. Afinal, é possível que as pessoas nos próximos anos já comecem a sofrer fadiga de heróis e desejam algo novo. Mas acho que a melhor abordagem seria para produzir filmes com os monstros menos conhecidos primeiro e fazer esses filmes numa escala mais modesta com ênfase em sustos e não frisar as cenas épicas de ação. Isso provavelmente não irá acontecer, mas uma pessoa poderia esperar, né? No entanto, desejo o melhor para Universal Studios e espero que consigam criar novos filmes de monstros que respeitam os clássicos enquanto contam novas histórias criativas.

segunda-feira, 11 de julho de 2016

O Monstro da Bomba H (1958)


O Monstro da Bomba H (Japão, 1958)

Japonês: Bijo to ekitai ningen (trad. "A Beldade e o Homem Líquido")

Inglês: The H-Man (trad. "O Homem H")
 
Elenco: Kenji Sahara, Yumi Shirakawa, Yoshio Tsuchiya, Yoshifumi Tajima, Makoto Sato
Direcor: Ishiro Honda
Diretor de Efeitos Especiais: Eiji Tsuburaya
 
 

Numa noite chuvosa, dois gangsteres Yakuza roubam um cacifo, pretendendo fugir com quase seis milhões de ienes em drogas ilegais. Antes do ladrão conseguir entrar no carro de fuga, algo o ataca. Ele atira no objeto, alertando o policial patrulhando o quarteirão. O bandido cambaleia até a rua, onde é atropelado por um carro. Para a surpresa do motorista e do policial, não há cadáver algum de baixo do carro, apenas as suas roupas. A polícia chega na conclusão (um tanto lógico) que o homem tirou todas as suas roupas e fugiu, embora não consigam explicar por qual motivo o homem iria tirar a roupa na chuva e como ele conseguiria fazer isso tão rápido (medindo o tempo que passou entre o disparo da arma e o atropelamento).

Os três detetives trabalhando no caso (que incluem Akihiko Hirata e Yoshio Tsuchiya) interrogam a namorada do bandido, Chikako (Yumi Shirakawa), mas não descobrem coisa alguma. Os Yakuza logo estão assediando a Chikako, convencidos de que ela sabe para onde foi o seu namorado. Então uma terceira parte entra em cena: um bioquímico chamado Masada (Kenji Sahara). As suas experiências com os efeitos de radiação sobre seres viventes o levou a pensar que algo “derreteu” o homem, embora ele não tenha muito evidência para sustentar essa teoria. Mas em breve, o Masada vai ter bastante evidência de que há algo se rastejando pelo Tóquio, reduzindo os gangsteres em meleca...

Este é um filme interessante do Toho, que faz parte da sua “Série Mutante” junto com Matango e Segredo do Homem Elétrico. Em vez de produzir monstros gigantes, os avanços da Era Atômica transformam os homens em monstros do nosso tamanho. Neste filme, trata-se de uma variação “atômica” do clássico A Bolha Assassina (1958), em que uma substância viscosa é capaz de dissolver ou derreter as vítimas. Os efeitos especiais do maestro Eiji Tsuburaya são assustadores, principalmente quando o líquido radioativo assume a forma humana. Às vezes, os efeitos óticos não são convincentes, como na morte de uma dançarina exótica. No entanto, é bom ver o Tsuburaya trabalhar com efeitos que não sejam homens em fantasias de monstros gigantes destruindo modelos de cidades inteiras.

O roteiro do filme pula entre drama policial e ficção científica. Os elementos “monstruosos” do enredo só ficam em primeiro plano no terceiro ato, e algumas pessoas poderão ficar impacientes com o filme. Apesar do ritmo menos agitado do filme—em comparação com outros filmes japoneses do gênero—gostei dessas cenas e a interação entre o Kenji Sahara, o cientista, e o detetive cético estrelado por Akihiko Hirata. O compositor do filme não foi o Akira Ifukube, mas sim o Masaru Sato. Sato já havia trabalhado em Godzilla Raids Again e fornece uma trilha sonora forte (pelo tema), embora um pouco esquecível. No entanto, a música se enquadra nas situações, principalmente na cena famosa no navio fantasma.

No final, O Monstro da Bomba H seria um ótimo filme para acompanhar uma sessão de filmes composto de A Bolha Assassina e Estranho do Mundo Perdido.

Requiescat in pace: Yumi Shirakawa (1936 - 2016) e Yumi Ito (1941 - 2016)

Requiescat in pace: Yumi Shirakawa (1936 - 2016) e Yumi Ito (1941 - 2016)


Fontes:

http://www.japantimes.co.jp/news/2016/07/11/national/death-yumi-ito-twin-pop-duo-peanuts-confirmed/#.V4PADId0zb0

http://www.dreadcentral.com/news/171733/rest-peace-yumi-shirakawa/


Nos últimos meses desde a minha última atualização do blog, fãs dos filmes antigos do Toho perderam duas atrizes queridas: Yumi Shirakawa e Yumi Ito.

Yumi Shirakawa foi uma atriz lindíssima que apareceu ao lado do ator Kenji Sahara em pelo menos três filmes: [b]Rodan, o Monstro Voador (1956)[/b]; [b]Os Bárbaros Invadem a Terra (1957)[/b] e [b] O Monstro da Bomba H (1958)[/b]. Eu havia escolhida ela como a minha musa da Ficção Japonesa numa época que todos os outros "fanboys" preferiam a Mie Hama e Kumi Mizuno. Gostava muito dos filmes em que ela apareceu e irei sentir muito a sua falta.


Yumi Ito, junto com a sua irmã gêmea Emi Ito (1941 - 2012), ficou famosa por interpretar uma das duas fadinhas que controlava a mariposa gigante, Mothra (as três estrearam no filme [b]Mothra, a Deusa Selvagem[/b] em 1961). As irmãs Ito constituíam uma dupla pop chamado "The Peanuts" e os seus papéis nos filmes da Mothra permitiram que exibissem os seus talentos para cantar--a melhor música que cantaram foi "Sacred Spring" (trad. Fonte Sagrado), compositada por Akira Ifukube para [b]Godzilla Contra a Ilha Sagrada[/b].

Convoco todos os fãs a assistirem uns filmes das filmografias delas em homenagem a elas.