quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Godzilla - Batalha Final (2004) - Parte 2

(continued from part 1)

 
Na verdade, não vou falar *muito* sobre o roteiro. Mas eu quero mencionar todos os filmes referenciados e homenageiados por Ryuhei Kitamura durante o filme:
Atragon (1963) – O submarino voador Gotengo apareceu pela primeira vez neste filme. Depois apareceu em War in Space (1977) e um anime chamado Super Atragon;
A Guerra Dos Monstros (1965) – A ideia de alienígenas do Planeta X tentando conquistar a terra originou neste filme;
O Despertar dos Monstros (1968) – Tanto esse filme quanto este possuem cenas de diversos monstros, todos controlados por alienígenas, atacando cidades diferentes no mundo todo;
Gorath: Choque de Planetas (1962) – O planeta que vai chocar com a terra em Godzilla – Batalha Final é chamado de Gorath;
Godzilla's Revenge (1969) – A participação especial do Minya (o filho do Godzilla) e o fato que começa com tamanho de humano e cresce para um tamanho maior;
Godzilla Raids Again (1955) – O Godzilla estar preso no gelo;
The Matrix (1999) – Os efeitos fotográficos e referências ao “Escolhido” são roubados deste filme;
Independence Day (1996) – O navio mãe lança milhares de “mini-navios” para atacar as cidades;
X-Men (2000) – A inclusão de mutantes no roteiro;
Godzilla: A Batalha do Século (1992) – A cena em que as duas fadinhas da Mothra falam da batalha antiga entre Mothra e Gigan é uma cópia da cena deste filme em que falam de Mothra e Battra.
No começo, a trama do filme tratava da morte do Minya e a vingança que Godzilla buscaria contra o mundo, terminando na sua derrota e morte pelo novo monstro, Monster X. Isso não aconteceu. Em vez disso, temos uma situação em que Godzilla vai de cidade em cidade, lutando com vários monstros, a fim de salvar a terra de alienígenas. O Monstro X aparece no filme, mas infelizmente é a primeira fase de um monstro um pouco mais conhecido.
Esse cenário poderia facilmente gerar um filme divertido de monstros gigantes, mas o Kitamura aborda o assunto de outra maneira. Depois de duas cenas curtas em que os humanos lutam contra monstros (Godzilla e Manda), os próximos 30 minutos mostram um ataque geral à planeta Terra por todos os outros monstros, mais umas cenas de kung fu para manter o nível de adrenalina em certo nível. Depois o filme foca na chegada dos Xians e como a humanidade trata esses visitantes aparentemente benignos. Finalmente, depois de 70 minutos, o Godzilla volta e começa as lutas enquanto os humanos batalham contra a fora alienígena. O filme nunca é entediante, pois sempre tem algo acontecendo.
O problema está em no que está acontecendo e como o Kitamura aborda o assunto. Em sumo, se somar a duração das lutas de monstro na segunda metade do filme e comparar com a soma das lutas de kung fu, então o segundo será bem maior do que o primeiro. Teoricamente, não tenho problema algum com um filme de Godzilla ter cenas de artes marciais no meio das cenas de monstro para que os humanos tenham algo a fazer durante o filme. Mas é uma questão de proporção, pois as cenas de Godzilla tem que ser tratados como mais importantes do que as cenas de humanos. Infelizmente, o Kitamura parece mais interessado em copiar o Matrix do que fazer um filme de kaiju.
Outra crítica feita contra o filme é o tom dessas lutas de monstro. Ryuhei Kitamura está bastante influenciada pelos filmes de Godzilla da década de 70, o que quer dizer que as cenas são exageradas e pouco realistas. Na luta entre Godzilla, Rodan, King Seesar e Anguirus, os monstros estão visivelmente usando kung fu e fazendo técnicas de futebol. Achei engraçado, mas não foi o tom adequado por um filme que visava uma distribuição teátrica no cinema americano. Ainda mais que não coincide com as cenas dos humanos, o qual é mais sério e quase apocalíptico.
A trilha sonora é inadequada para um filme de Godzilla. Godzilla—e filmes de monstro como um todo—necessita de uma boa trilha sonora para ser bem sucedido. Isso foi estabelecido no primeiro filme, quando compositor Akira Ifukube escreveu uma série de músicas que definiam o gênero por mais que 50 anos. Godzilla – Batalha Final contratou Keith Emerson da banda prog rock Emerson, Lake and Palmer para fazer as músicas. Emerson compositou a música para filmes italianos como A Mansão do Inferno e O Catedral, e o seu estilo de música foi apropriado para esse tipo de filme. Mas prog rock e músic synth não foi a melhor escolha para este filme e as melhores músicas (King of Monsters; Beginning of the End; Reveal) acabam sendo dos co-compositores Daisuke Yano e Nobuhiko Morino.

Os melhores momentos são os ataques dos monstros nas cidades: Rodan ataca Nova Iorque, Anguirus destrói Shangai, King Seesar devasta Okinawa e o Godzilla americano (Zilla, neste filme) aparece em Sidney, Austrália. Embora os efeitos especiais não ultrapassam os dos outros filmes do ciclo Milênio de Godzilla, a direção é boa e são divertidos a se assistir. A melhor dessa sequência é quando os mutantes tem um tiroteio com Ebirah, a lagosta gigante. É uma das únicas vezes que os humanos num filme japonês de monstro conseguem derrotar um monstro sozinhos.
Godzilla – Batalha Final é um dos únicos filmes de Godzilla disponivéis no Brasil. Muitos o odeiam pelos motivos mencionados acima (sem mencionar o roteiro sem pé e sem cabeça), mas outros adoram a sua energia e ritmo bastante agitado e cheio de ação. Hoje em dia, eu faço parte do segundo grupo, mas entendo completamente aqueles que não o gostam.

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