sábado, 13 de fevereiro de 2016

Godzilla - Batalha Final (2004) - Parte 1

Godzilla - Batalha Final (2004)

 

Elenco: Masahiro Matsuoka, Rei Kikukawa, Kane Kosugi, Kazuki Kitamura, Don Frye, Akira Takarada, Kumi Mizuno, Masanobu Takashima, Kenji Sahara, Maki Mizuno

Diretor: Ryuhei Kitamura

Diretor(es) de Efeitos Especiais: Eiichi Asada, Nobuhiro Kondo

Produtor: Shogo Tomiyama

Nos anos 80, o vídeo game NES (Nintendo Entertainment System) lançou um jogo chamado Godzilla: Monster of Monsters. O jogo foi um sonho realizado para todos os kaiju otaku, pois juntou todos os melhores elementos do universo de ficção científica do estúdio Toho, tornando-o uma homenagem ao gênero inteiro e não apenas a Godzilla. Para qualquer fã do gênero, o jogo deverá gerar um grande sorrisão. Os dois monstros principais são Godzilla e Mothra, mas além disso, inclui Varan, Gezora, Mogera, Baragon, Hedorah, Gigan, Mechagodzilla e Ghidorah. Sem se contentar com isso, há participações especiais do Markelite (de Os Bárbaros Invadem a Terra), OVNIs (de O Despertar dos Monstros), o Super X (de Godzilla 1985) e mais!

Então por que menciono isso? É porque Godzilla - Batalha Final, que encerra o terceiro ciclo de filmes de Godzilla (começando com Godzilla 2000, ou se quiser, Godzilla '98), funciona sobre o mesmo princípio. É um tributo aos filmes de Godzilla e a todos os filmes de sci-fi do estúdio Toho. Não existe para ser um filme coerente, por que não o é. Em vez disso, o diretor Ryuhei Kitamura (Portal da Ressurreção; Azumi; O Último Trem) procura jogar um montão de monstros e navios espaciais num único filme e parecer "legal" fazendo-o. É o equivalente de pegar todos os filmes de Toho da década de 50, 60 e 70, mais The Matrix e Independence Day, e colocar tudo num liquificador. Godzilla - Batalha Final é o resultado dessa mistura.

Hoje em dia, há um grande número de fãs que odeiam o filme de todo o coração. As suas críticas são válidas e há falhas no filme que não podem ser explicadas pelo diretor ou qualquer outra pessoa por trás da câmera. No entanto, ainda há um contingente de fãs de Godzilla (e fãs de filmes trash em geral) que gostam e defendem deste filme, procurando se divertir com o produto da imaginação doida do Kitamura em vez de focar no que devia ter sido.

Para entender esse filme, temos que entender um pouco esse terceiro ciclo do Godzilla. Os japoneses ressucitaram o grande 'G' depois da grande decepção que fãs no mundo inteiro sentiram ao assistir Godzilla (1998) de Roland Emmerich e Dean Devlin. Godzilla 2000 não foi o melhor dos filmes de Godzilla, e nem fez muito sucesso na bilheteria local, mas foi recebido com braços abertos de muitos fãs. O segundo filme, Godzilla X Megaguiras (2000), também não foi todas essas coisas na bilheteria japonesa, alimentando a ideia de que um filme de Godzilla não podia fazer sucesso na ausência dos oponentes monstruosos famosos do Godzilla, como Ghidorah e Mothra.

O resultado dessa epifânia foi Godzilla-Mothra-King Ghidorah: Giant Monsters All-Out Attack (2001), em que Shusuke Kaneko juntou os monstros mais famosos do universo Toho. Kaneko havia ganho bastante fama na década anterior com os seus filmes de Gamera, que foram elogiados por fãs e críticos pelos efeitos realistas e roteiros fortes. GMK acabou sendo o filme mais bem sucedido do ciclo, mas ainda vendeu menos ingressos do que os filmes japoneses de Godzilla da década anterior.

Infelizmente, o sucesso de GMK também fortaleceu a noção de que um filme de Godzilla só sairia bem no cinema se contasse com um monstro familiar. Portanto, o próximo filme, Godzilla Against Mechagodzilla (2002), trouxe a versão mecânica de Godzilla de volta, assim sendo a quarto filme dele. Esse filme também fez muito sucesso, levando Toho a fazer uma sequência direta a ele (todos os filmes do terceiro ciclo até este ponto eram reboots que reconheciam apenas Gojira como antecessor), mas com Mechagodzilla e Mothra. Infelizmente, os japoneses já estavam ficando cansados de Godzilla (e monstros gigantes em geral) agora, e o filme, Godzilla: Tokyo SOS, desapontou na bilheteria. Foi neste clima que o Toho resolveu fazer um último filme de Godzilla tanto para comemorar o seu aniversário de 50 anos quanto para aposentar o monstro outra vez durante pelo menos uma década.

Toho e produtor Shogo Tomiyama tiveram grandes planos para este último filme. A ideia foi para produzir um filme que poderia competir com o Hollywood e até ser lançado em cinemas internacionais. Ryuhei Kitamura foi contratado para dirigir. Kitamura não era muito conhecido por fãs de Godzilla, mas havia recebido bastante atenção com fãs de filme trash e artes marciais, pois a sua primeira longa metragem, Portal da Ressurreição (Versus em inglês), já havia se tornado um filme cult, misturando filmes de zumbi, artes marciais, Yakuza e samurai. Assim, o Kitamura era muito como o Quentin Tarantino, em que cada obra era um pastiche dos gêneros favoritos dele. O segundo filme, Azumi, foi um filme épico de samurai que também ganhou muita atenção no palco internacional. Então, para um filme almeijava uma estreia internacional, Kitamura parecia uma boa escolha (Scott Hamilton e Chris Holland do antigo website Stomp Tokyo comentaram que Hideo Nakata, que fez Ringu, e Takashi Shimizu, que fez O Grito, também teriam sido boa escolhas, pois estavam mais próximos ao mainstream americano do que Kitamura).

Então, sabendo da experiência que o Kitamura tinha com filmes de ação e sabendo de que o novo filme teria por volta de 11 monstros no roteiro, um pode imaginar que o novo filme seria o Despertar dos Monstros para uma nova geração. As expectativas estavam bem altas. Infelizmente, para muitos, essas expectativas não foram alcançadas...A ser continuada...

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