sábado, 31 de dezembro de 2016

Return of Godzilla (1984) / Godzilla 1985

Return of Godzilla
(trad: O Retorno de Godzilla)

Elenco: Ken Tanaka, Yasuko Sawaguchi, Yosuke Natsuki, Shin Takuma, Hiroshi Koizumi, Keiju Kobayashi

Diretor: Koji Hashimoto

Diretor de Efeitos Especiais: Teruyoshi Nakano

Depois de nove anos sem produzir um Godzilla filme--e várias tentativas e ideias que não seguiram para frente--o Toho resolveu reviver o maior monstro de todos para seu aniversário de 30 anos. O filme foi criado uma sequência ao primeiro filme de Godzilla de 1954, ignorando as outras 14 sequências que compôs a Era Showa de Godzilla. Apesar de ser uma sequência, o filme é basicamente uma refilmagem, atualizando os efeitos especiais (na medida possível) e incluindo temas referentes à Guerra Fria e os medos do Japão estar no meio do fogo cruzado entre a então União Soviética e os Estados Unidos.

A versão japonesa começa a explosão de uma vulcão numa pequena ilha não muito longe da baía de Tóquio. Alguns meses depois, um navio de pesca está passando perto da ilha no meio de uma tempestade. Um dos tripulantes, Okamura (Shin Takuma), testemunha algo horrível emergindo da ilha. No próximo dia, um jornalista, Maki Goro (Ken Tanaka), descobre o mesmo navio vagando a deriva. Entrando no barco, ele logo descobre que a tripulação inteira está morta, todos os homens estando num estado terrível de decomposição. Goro logo descobre o responsável: um gigante piolho do mar que o ataca. Ele é salvo no último momento pelo Okamura, que conseguiu sobreviver os eventos da noite anterior.

Depois do Okamura ser entrevistado pelo Dr. Hayashida (Yosuke Natsuki, de Ghidrah, o Monstro Tricéfalo), fica claro que o Godzilla está de volta. O Primeiro Ministro (Keiju Kobayashi) pede uma censura da mídia temporária a fim de evitar pânico geral e problemas econômicos que vem quando tem rumores de um monstro gigante capaz de destruir cidades inteiras rodando por aí. Essa censura continua até o Godzilla destruir um submarino nuclear russo. A União Soviética imediatamente culpa os EUA e começa mobilizar para uma retaliação. Finalmente o governo japonês divulga os detalhes da carnificina que houve no navio Yahata-Maru e da volta de Godzilla.

Logo em seguida, o Godzilla aparece e destrói uma usina nuclear em busca de comida. Numa reunião entre os embaixadores americanos e russos e o primeiro ministro japonês, os dois superpoderes desejam utilizar armas nucleares contra o Godzilla. O primeiro ministro assegura os poderes de que não seja necessário, pois o Japão tem defesa própria. Mas quando o Godzilla aparece na baía de Tóquio, um acidente no porto ameaça colocar a cidade em perigo de destruição nuclear, se não pelo Godzilla, então por um míssil soviético.

É difícil escrever sobre este filme, pois cresci assistindo a versão americana, e quando eu vi a versão original, confesso que estranhei com a visão original do direto Koji Hashimoto. O filme não é ruim, mas o ritmo é mais ponderado e lento do que a versão americana. É o mais político dos filmes de Godzilla, sendo superado apenas recentemente por Shin Godzilla (2016), o que é interessante. A história pula entre o governo do Japão tentando lidar com a crise, e os cientistas (auxiliado pelo jornalista Maki e o pescador Okamura) tentando achar uma maneira de lidar diretamente com Godzilla. Muito do primeiro foi perdido na versão americana.

Os efeitos especiais de Teruyoshi Nakano, que foi o diretor de efeitos especiais dos filmes de Godzilla nos anos 1970, são mais atualizados e, em geral, mais sofisticados. As técnicas são as mesmas, mas ele tinha um orçamento bem maior esta vezes. As explosões são mais flamejantes e os efeitos óticos são mais realistas do que os raios e feixes da década anterior. Toho queria se distanciar o mais possível da imagem de "Godzilla como super-herói", então a nova fantasia é mais sério e intimidante do que antes. Esta vez, o ator dentro da fantasia foi o Kenpachiro Satsuma, que se vestiu de Hedorah em 1971 e Gigan em 1972 e 1973. Satsuma seria Godzilla até 1995 quando a série "Heisei" terminou com Godzilla vs. Destoroyah.

Infelizmente, alguns efeitos são estragados por um Godzilla robô de 5 metros que foi utilizado para algumas cenas não parece como a fantasia. Além disso, um pé gigante robótico que foi construído não é tão convincente e diminui o impacto de algumas cenas. Menos grave é a utilização de cenas de um outro filme, Catástrofe: Profecias de Nostrodamus (1974), quando um helicóptero cai num engarrafamento de carros, fazendo com que todos os carros na estrada explodam. O efeito é legal e o filme fonte é obscuro, então não é tão ruim assim.

A música foi compositada por Reijiro Koroku, mais conhecido por fazer a músico para o desenho The Guyver e uma série de filmes produzidos para televisão chamados Red Dead Wagon. A música em geral é boa, com fortes influências de filmes como Superman; Sexta-Feira 13 e Dragnet. A única música que não pertence no filme é uma música pop que toca no final.

Godzilla 1985 

Elenco (cenas americanas): Raymond Burr, Warren Kemmerling, James Hess, Travis Swords

Diretor (cenas americanas): R. J. Kizer

New World Pictures, a empresa de distribuição de filmes do lendário Roger Corman, comprou os direitos americanos para The Return of Godzilla e planejou para lançar o filme nos cinemas americanos um ano após a sua estreia em Japão. Ele contratou R.J. Kizer (mais conhecido por ser o editor de efeitos sonoros em filmes importantes como Interstelar; Deadpool; Wolverine - O Imortal; O Rei Leão; e A Origem) para dirigir novas cenas com atores americanos. O Raymond Burr, que havia aparecido em Godzilla, o Rei dos Monstros voltou a assumir o papel do jornalista Steve Martin. A ideia de Corman foi para transformar o filme numa paródia, mas o Burr, que realmente gostava de Godzilla, exigiu que o filme fosse tratado com mais respeito.

Além de ter novas cenas em que o Burr interage com o exército americano, o novo filme, titulado Godzilla 1985, foi editado. Algumas cenas foram cortadas (inclusive alguns efeitos menos convincentes do pé do Godzilla), outras foram arranjadas de outra maneira (no novo filme, o Godzilla ameaça o povo japonês assim que entra em Tóquio; na versão original, isso ocorre apenas depois da explosão nuclear acima de Tóquio). A versão americana acaba tendo um ritmo mais rápido, principalmente nas sequências e ação, embora muito do conteúdo se perde pelo caminho. 

A trilha sonro de Reijiro Koroku também foi complementada com músicas do filme pós-apocalíptico Def-Con 4 (Condição de Defesa). Na verdade, geralmente acredita-se que o motivo que Godzilla 1985 não foi lançado em DVD nos EUA é por causa de uma disputa dos royalties dessas outras músicas.

Uma música se toca nas cenas de Raymond Burr:



Outra se toca durante o ataque no submarino russo:


Finalmente, essa toca enquanto os soldados estão colocando os explosivos no Monte Mihara:




domingo, 4 de dezembro de 2016

Godzilla de Stephen Molstad

Godzilla - O livro sobre o 1998 film de Stephen Molstad - Comprei esse livro pelo Estante Virtual porque, embora eu não colecione brinquedos/bonecos de Godzilla, compenso comprando livros sobre o assunto. Ao começar a ler, estava esperando que houvesse algo no texto que não apareceu no filme, ou por ter sido editado ou porque o roteiro foi alterado de alguma forma depois do Molstad começar o trabalho. O livro em si é uma adequada tradução do roteiro para prosa e não tem nada que destacou no estilo de escrever do Sr. Molstad. Mas queria fazer três observações sobre esta versão:

1. O Nick Tatopoulos deste livro parece menos como a interpretação de Matthew Broderick e mais como o personagem teria sido se Jeff Goldblum tivesse aceitado o papel: arrogante, cético e um crente em teorias de conspiração.

2. Dra. Elsie Chapman, a paleotóloga que era a chefe do Nick no projeto Gojira, parece uma fantasia masculina. A maneira que ela foi descrita, achei que o Molstad havia vindo do futuro e usou Christina Hendricks ou Scarlett Johansson circa 2012 como modelo...ou talvez a Angie Everhardt ou Julianne Moore. Se não fosse pelo personagem de Audrey, esta Elsie com certeza teria levado a Nick à cama no final do livro.

3. Dr. Mendel Craven, o terceiro cientista da equipe técnica do Projeto Gojira. No filme, o seu personagem não serve para birosca nenhuma. O livro fornece um histórico para o personagem, informando-nos que ele é um cientista conhecido por escrever uma série de livros sobre o fim de mundo que como cada cenário iria se realizar. Assim aprendemos mais sobre ele do que no filme, mas mesmo assim, isso não explica porque o exército teria interesse nele como membro da equipe. Então, no epílogo, aprendemos que ele pretende publicar um livro sobre a possibilidade de outro ninho de Godzilla, e que pretende chamar o livro de "Cretaceous Park*, ou algo assim." Isso implica que Craven foi criado como uma paródia de Michael Crichton, embora esse fato se perde completamente no filme. Isso significa que o filme poderia ser interpretado com uma reação ou paródia dos dois primeiros filmes de [b]Jurassic Park[/b], que seria uma abordagem interessante, embora Emmerich não possuía o talento para realizar essa ideia adequadamente.


* - O título do livro do Craven não faz sentido nem no contexto do livro, pois ele foi um oponente da teoria da Dra. Chapman de que o Godzilla era um alossauro gigante.

sábado, 12 de novembro de 2016

Video Movie Guide For Kids: A Book for Parents

Video Movie Guide For Kids: A Book for Parents (ed. 1987)
de Mick Martin, Marsha Porter, e Ed Remitz
 
 
Comprei este livro uns sete anos atrás num sebo em Pinheiros, sob o pretexto de "Eu gosto de guias para filmes." O livro em si é interessante, pois há várias resenhas curtas de desenhos que muitos da minha geração cresceram assistindo, mas um trolhão de filmes antigos. Os autores não utilizam o sistema de pontuação de estrelas, mas simplesmente anotam se o filme é recomendado ou não.

Uma observação que deveria fazer é que os três autores odeiam animes japoneses dos anos 70 e 80, inclusive o do Ultraman, Gaiking e Grandizer. Creio que sem esses desenhos (e outros), não teríamos o filme Círculo de Fogo (2013).

Levando isso em consideração, vamos ver o que disseram sobre alguns dos filmes de Godzilla que estavam disponível em fita VHS em 1987 (obs: vou traduzir as resenhas, sem corrigir as informações errôneas e os erros de grafia nos nomes):

 
 

Diretores: Inoshiro Honda (Versão Original) -- Terry Morse (Versão Americana)
Elenco: Raymond Burr, Takashi Shimura

O primeiro, e por muito o melhor, filme estrelando o monstro de 130 metros (re: 400 pés) que posteriormente foi reduzido a um super-herói. Neste filme ele representa a morte e a destruição, e o filme alcança o seu objetivo, devido às belos efeitos fotográficos e música esquisita. Ignorem todos os outros filmes; este é o verdadeiro Godzilla. Originalmente filmado em 1954, e em cor, as cenas do Raymond Burr olhando para pessoas ou lendo foram incluídas para a estreia americana dois anos depois, e foram filmadas em preto e branco. Então, o filme inteiro foi apresentado em preto e branco, embora isso contribua à atmosfera e ajuda o filme sentir como um pesadelo.

1956
80 minutos
Preto e Branco


http://catedraldekaiju.blogspot.com.br/2016/08/godzilla-contra-ilha-sagrada-1964.htmlGodzilla vs. Mothra (Recomendado)
Diretor: Inoshiro Honda
Elenco: Okira Takarada, Yuriko Hiroshi Koizumi

Filme muito bom de Godzilla coloca o "rei dos monstros" contra a sua arqui-inimiga Mothra durante a primeira metade, e depois contra lagartas gêmeas que saíram do ovo gigante da Mothra que estava incubando numa praia japonesa. As cenas de batalha são excelentes neste filme, e a primeira aparência do Godzilla é inesquecível. Como o outro filme lançado pelo Paramount, Godzilla vs. Monster Zero, o título deste filme foi alterado para lançamento. Conhecido originalmente como Godzilla vs. the Thing

1964
90 minutos




Godzilla vs. Monster Zero (Recomendado)
Diretor: Inoshiro Honda
Elenco: Nick Adams, Akira Takarada

Filme de monstro decente em que uma civilização alienígena "pede emprestados" o Godzilla e o Rodan para derrotar uma ameaça local chamado Monster Zero (conhecido antes e depois deste filme como Ghidrah). Depois de bastante destruição na sua planeta, os ETs espertos transportam os três leviatãs para a Terra a fim de continuar a sua batalha. Excelentes efeitos especiais, como sempre, mas a dublagem mal feita afeta negativamente as cenas com os atores humanos. O título original era Monster Zero, mas provavelmente foi mudado para aumentar a locação.

1966
90 minutos




Son of Godzilla
Diretor: Jun Fukuda
Elenco: Tadao Takashima, Akira Kubo, Bibari Maeda, Kenji Sahara

Produção infantil mostra o filhote bonitinho de um dos maiores astros do Japão lutando contra vários monstros bizarros, com um pouco de ajuda do papai. Bons efeitos especiais e miniaturas fazem o filme assistível, mas a história é boba demais. Recomendado para a idade de 2 anos.

1969
86 minutos


Godzilla 1985
Diretor: Koji Hashimoto, e R.J. Kizer
Elenco: Raymond Burr, Keiji Kobayashi, Ken Tanaka, Yasuka Sawaguchi

Mais uma vez, o grande lagarto japonês esmaga carros e derruba prédios grandes em busca de nutrição radioativa. Raymond Burr, o ator coadjuvante do Godzilla na sua estreia de 1956, Godzilla,
volta para passar mais vergonha ainda. O que era normal na década de 50 e de 60 no gênero de monstros não serve para hoje, mesmo com efeitos especiais sofisticados. Classificação PG (ou 10 anos) por violência.

1985
91 minutos

Bibliografia:

Martin, Mick, Marsha Porter e Ed Remitz. Video Movie Guide For Kids: A Book For Parents. Ballatine, 1987.

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Godzilla 2 ganha dois novos roteiristas

Godzilla 2 Ganha Dois Novos Roteiristas
 
 
 
 
Roteiristas Michael Dougherty e Zach Shields foram contratados por produtor Thomas Tull para escrever o roteiro para Godzilla 2, a sequência do filme Godzilla (2014) de Legendary Pictures. Dougherty e Shields haviam trabalhado anteriormente no filme Krampus: O Terror do Natal (2015), o qual Dougherty também dirigiu. O filme fez sucesso, ganhando 60 milhões de dólares contra um orçamento de 15 milhões.
 
Dougherty também trabalhou como escritor nos filmes X-Men 2; X-Men: Apocalipse; e Contos do Dia das Bruxas, que já ganhou uma reputação cult desde a sua estreia em 2007.
 
Shields escreveu uma das músicas para Invocação do Mal, mas não tem outro trabalho de destaque no seu currículo fora do Krampus.
 
Opinião Própria: O trailer do primeiro filme de Godzilla o fez parecer filme de terror, mas no final, foi um filme de desastre no estilo de Terremoto: San Andreas e filmes semelhantes. Espero que esse filme, que certamente contará com outros monstros (talvez Rodan, Mothra e/ou King Ghidorah), tem mais toques de terror em meio da ação.


quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Godzilla: Origens


Godzilla: Origens


Lançamento:  2015

Distribuidora: Obras Primas

Idiomas: Português, Inglês, Japonês

Legendas: Português, Inglês, Espanhol

Classificação: 14 Anos

Disco 1:


Starring: Akira Takarada, Momoko Kochi, Akihiko Hirata, Takeshi Shimura, Haruo Nakajima

Diretor: Ishiro Honda

Diretor de Efeitos Especiais: Eiji Tsuburaya

Uma sinopse deste clássico do cinema mundial é quase desnecessária. Uma criatura pré-histórica é acordada e transformada pelo teste da bomba H original numa máquina mortífera de destruição e reduz Tóquio a entulho.  A única arma capaz de detê-lo é algo que é mais perigosa do que a bomba que o criou, mas o seu criador, Dr. Serizawa (Akihiko Hirata), está determinado a esconder a sua descoberta do mundo.

O problema de escrever sobre Gojira é que tantas pessoas já escreveram sobre o filme que não sei como poderia abordar o assunto. O filme é o produto da imaginação do diretor Ishiro Honda, que teve um momento de inspiração num voo da Indonésia para Japão depois que um projeto de um filme de guerra foi cancelado. Olhando para o oceano abaixo, o Ishiro ponderou sobre o que poderia estar habitando abaixo do oceano e dessa ponderação nasceu o Godzilla.

Gojira é uma palavra que mistura Go (de ‘gorila’) e kujira (que significa ‘baleia’ em japonês), que segundo a lenda, foi o apelido de um funcionário gorducho de Toho Studios. Godzilla foi uma romanização do nome (obs. É normal que para os monstros japoneses, a letra ‘r’ vira ‘l’ na tradução). Durante a fase de pré-produção, várias ideias foram discutidas quanto à natureza do monstro. Em uma versão do roteiro, Godzilla era um polvo gigante. Uma ideia conceitual para o Godzilla caracterizou o monstro como quase uma alienígena com uma cabeça que parecia um cogumelo, para lembrar a nuvem cogumelo  da explosão de uma bomba atômica. No final, foi decidido que Godzilla seria um dinossauro, em parte por causa do sucesso de O Monstro do Mar (1953) do ano anterior.

Apesar de ser um monstro atômico cinemático da mesma espécie do Rhedosaurus de O Monstro do Mar e o polvo de O Monstro do Mar Revolto, o Godzilla carrega consigo um significado especial. Afinal, ele foi criado por um país que foi o único país até hoje—61 anos após o fato—que sofreu um verdadeiro ataque atômico. Apesar da ameaça constante de guerra nuclear durante a Guerra Fria, nenhum míssil foi lançado ofensivamente. Japão, porém, foi sujeito a duas bombas atômicas em 1945 e, quando os EUA testaram a primeira bomba H em 1954, foi um barco japonês, O Dragão Sortudo, que sofreu os efeitos da radiação produzida pela bomba. Portanto, o Godzilla é mais do que uma advertência contra os possíveis perigos da Era Atômica, ele é simbólico do que o país já havia sofrido por causa desses avanços na química nuclear.

É por isso que o Godzilla não é vulnerável a armas convencionais, pois como um tanque deter uma explosão nuclear. Além disso, a arma que acaba derrotando o monstro não é um produto direto da Era Atômica. Afinal de contas, será que uma arma nuclear pode realmente destruir outra? Neste caso, a solução ao problema de Godzilla é o Destruidor de Oxigênio, uma substância fictícia que destrói o oxigênio na água e desintegra toda vida animal. Essa química é descoberta pelo Dr. Serizawa, que está tanto fascinado quanto horrorizado com a substância. Afinal, dinamite foi descoberto pelo Alfred Nobel para usar no trabalho de mineração, mas acabou virando uma arma. A energia nuclear pode ser uma bênção, e pode trazer o fim da humanidade. Então, o que aconteceria se essa substância fosse utilizada como arma? É essa questão que impede o Dr. Serizawa inicialmente de voluntariar o seu conhecimento para destruir o Godzilla.

O elenco oferece um bom apoio aos efeitos especiais e matéria temática. Akira Takarada interpreta Ogata, um marinheiro que namora com a Emiko Yamane, quem, por sua vez, foi prometida ao Dr. Serizawa como criança. É Ogata que ajuda convencer o Serizawa de usar o Destruidor de Oxigênio como arma no final do filme. Akira Takarada apareceu em vários outros filmes de Toho com o passar dos anos, voltando às telas para Godzilla: A Batalha Final. Durante a produção de Godzilla (2014) de Gareth Edwards, houve uma petição para incluir Takarada no elenco. Uma cena foi filmada com ele fazendo papel de agente alfandegário no aeroporto de Tóquio, mas a cena foi cortada da versão final.

Emiko Yamane é interpretada por Momoko Kochi, que apareceria 41 anos depois no mesmo papel em Godzilla vs. Destroyer (1995). Ela assume o papel de uma mulher que tem o trabalho nada desejado de declarar ao noivo (de um casamento arranjado)  que ela se apaixonou por outra pessoa. E é justamente a pessoa cujo coração ela terá que partir que guarda o segredo de salvar o mundo do Godzilla. Momoko Kochi também tinha papel como a noiva de Akihiko Hirata em Os Bárbaros Invadem a Terra (1957), qual relacionamento também acaba em tragédia. Que vida dura!

Finalmente há o pai da Emiko, Dr. Yamane, interpretado por Takeshi Kimura. Kimura havia recebido elogios da comunidade cinemática naquele mesmo ano pela sua atuação como o líder dos Sete Samurai s, de Akira Kurosawa. Dr. Yamane é o cientista que vê em Godzilla uma oportunidade para estudar o Godzilla e entender porque existe e o que esse conhecimento poderia fazer pela humanidade. Mas ele logo se resigna a ser espectador enquanto o SDF (Força de Auto-Defesa) japonesa dispõe todas as armas possíveis contra o monstro. Kimura voltaria como Dr. Yamane em Godzilla Contra-Ataca (Godzilla Raids Again) e teria outros papeis e filmes posteriores de ficção do mesmo estúdio.

Por esses filmes de ficção científica da década de 50 e de 60 ser rebaixados ao plano de “filmes infantis” por muitos críticos, o Gojira foi tratado como tal durante várias décadas. Mas agora que a versão original está disponível, já pode assumir o seu lugar entre as obras mais celebradas do cinema japonês e o cinema mundial. É um dos filmes de ficção científica mais importantes de todos os tempos, ocupando um lugar ao lado de 2001: Uma Odisseia no Espaço de Kubrick; Alien e Aliens: O Resgate de Ridley Scott e James Cameron, respectivamente; Guerra dos Mundos de George Pal; e alguns outros filmes.

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AKA: Godzilla, o Monstro do Mar; Godzilla, King of the Monsters


Starring: Raymond Burr, Akira Takarada, Momoko Kochi, Akihiko Hirata, Takeshi Shimura, Haruo Nakajima

Diretor: Ishiro Honda (novas cenas dirigidas por Terry Morse)

Diretor de Efeitos Especiais: Eiji Tsuburaya

A história desta versão é o seguinte:

Em 1955, uma versão legendada deste filme estava passando num cinema em Los Angeles, onde foi visto por Edmund Goldman. Ele comprou os direitos internacionais para o filme por 25.000 dólares, e, por sua vez, vendeu o filme para um estúdio independente chamado Jewell Enterprises. Um dos investidores na Jewell Enterprises foi o Joseph Levine, que ficou famoso alguns anos depois quando importou os filmes italianos de Hércules para os EUA.

Novas cenas com o ator Raymond Burr, que ficaria famoso posteriormente pelos seriados Perry Mason e Têmpera de Aço (Ironside em inglês), foram filmadas. O personagem do Burr é o Steve Martin (duas décadas antes do surgimento do ator cômico com o mesmo nome), um jornalista americano que vem para Japão a fim de visitar o Dr. Serizawa, um velho amigo da universidade.  Ele logo se envolve nos eventos do filme, acompanhando a imprensa para Ilha Oto duas vezes, e depois testemunha os ataques do Godzilla em Tóquio.

Nessas cenas, o Burr interage com o Chefe de Segurança Tomo Iwanaga (Frank Iwanaga), que serve de intérprete para o Sr. Martin. Durante esses segmentos, os personagens originais do filme falam em japonês. Às vezes, há uma narração do Burr para explicar o que estamos vendo, o que dá uma atmosfera de documentário para o filme. Além disso, Burr interage diretamente com os personagens do filme original do Gojira, interpretados por atores usando as mesmas roupas, mas filmados por trás para não mostrar os rostos. Finalmente, algumas cenas do filme original foram dubladas, embora as vozes, principalmente a da Emiko Yamane, são drasticamente diferentes daquilo que ouvimos em japonês.

O filme teve duas distribuidoras nos EUA. No oeste dos EUA, o filme foi distribuído nos cinemas pela TransWorld Releasing Corporation, uma empresa pertencente a Richard Kay, um dos donos de Jewell Enterprises. No leste do país, o Joseph Levine e a sua empresa, Embassy Pictures, se responsabilizou pela distribuição. O filme acabou ganhando uns 2 milhões de dólares nas bilheterias americanas, um grande valor da época (principalmente considerando o preço original dos direitos internacionais do filme). Fez tanto sucesso que esta versão foi importada até pelo próprio Toho, que lançou o filme nos cinemas japoneses, onde também fez sucesso.

Durante décadas e décadas, Godzilla, Rei dos Monstros, era a única versão que os fãs neste lado do mundo podiam assistir. Eu mesmo consegui alugar o filme do Blockbuster Video (nos EUA) em 1992, e só achei para comprar (a fita foi lançado pelo Paramount) em 1996. Eu consegui assistir Gojira em 1999 quando comprei a fita de uma empresa no mercado cinza, mas as pessoas não interessadas em bootlegs tinham que esperar até 2004, quando Gojira foi exibido em alguns cinemas como parte do aniversário de 50 anos do monstro, e depois em 2006, quando Gojira foi lançado em DVD nos EUA. Aqui no Brasil, o DVD importado (da distribuidora prestigiosa Criterion) está disponível para compra pela Livraria Cultura, para um valor exorbitante. O DVD de Godzilla: Origens é primeira oportunidade que muitos brasileiros terão para assistir as duas versões deste filme oficialmente.

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Disco 2:

 

AKA: The Beast from 20,000 Fathoms

 
Starring: Paul Christian, Paula Raymond, Cecil Kellaway, Kenneth Tobey, Lee Van Cleef

Diretor: Eugène Lourié

Diretor de Efeitos Especiais: Ray Harryhausen

Antes da televisão se tornar um objeto ubíquo na sociedade moderna, era normal para alguns filmes bem sucedidos serem exibidos no cinema mais que uma vez. Isso foi o que aconteceu com o King Kong, cuja estreia inicial foi em 1933. Ele foi reexibido no cinema em 1938, 1942, 1946, 1952 e 1956, antes de ser vendido para a televisão. Foi depois do sucesso desse filme em 1952 que dois produtores, Hal Chester e Jack Dietz, resolveram fazer o seu próprio filme sobre um monstro que destrói ataca e destrói a Cidade de Nova Iorque.

O roteiro original foi chamado de The Monster from Beneath the Sea (trad. O Monstro Que Veio De Baixo do Mar) e o Ray Harryhausen, que havia ganhado o Oscar por Melhores Efeitos Visuais em 1949 por Mighty Joe Young (Br. O Monstro do Mundo Proibido), foi contratado para fazer os efeitos do tipo stop motion. Durante a produção, o Harryhausen percebeu que havia uma cena em que o monstro, um dinossauro gigantesco acordado pela explosão de uma bomba atômica perto do Polo Norte, ataca e destrói um farol, o que era semelhante a um conto escrito por Ray Bradbury, autor conhecido de ficção científica. Incentivados pelo desejo de vincular o seu roteiro a um autor famoso e de evitar qualquer processo de plágio, Dietz e Chester compraram os direitos para o conto do Bradbury e mudaram o nome do seu roteiro para refletir o conto dele: The Beast from 20,000 Fathoms.

O orçamento do filme acabou sendo 225 mil dólares, e o filme final foi vendido para Warner Brothers por 500 mil dólares, mas acabou ganhando 5 milhões de dólares na bilheteria naquela época. O filme é o primeiro filme de monstro gigante da década de 50 e o Rhedosaurus foi o primeiro monstro atômico da nova era.

O enredo é simples. O exército americano está testando uma bomba atômica no Ártico. A explosão liberta um dinossauro, o Rhedossauro,  da sua prisão congelada. Dois cientistas acompanhando a experiência veem o monstro, mas um deles morre num avalanche. O outro, Tom Nesbitt (Paul Christian), é machucado e é levado de volta para civilização, mas ninguém acredita na sua história. Ele visita um paleontólogo (Cecil Kellaway) que também não acredita na história, mas a sua assistente, Lee (Paula Raymond) acha que pode ser verdade e tem uma boa ideia para descobrir:

Primeiro, ela convida o Nesbitt a olhar para uma coleção de gravuras de todos os animais pré-históricos já registrados (muitos dos quais foram pintados pelo artista famoso Charles Knight). Assim que ele identifica o que viu, o Nesbitt viaja até Canadá para ver o sobrevivente de um acidente de barco que alega que uma serpente de mar foi responsável. O marujo, Jacob, volta para Nova Iorque e identifica o monstro que ele viu: justamente o mesmo que o Nesbitt identificou. As duas testemunhas convençam o paleontólogo que há algo acontecendo. Um relatório da Guarda Costeira revela uma série de estranhos acontecimentos de Maine até Boston. Uma visita aos desfiladeiros submarinos perto do litoral da Nova Iorque revela o monstro, que logo aparece no “Big Apple”.

 A opinião popular desse filme varia entre muitas pessoas. Para alguns, o filme é um clássico do mesmo nível de O Mundo em Perigo (1954) e Gojira (1954). Outros elogiam os efeitos especiais do Harryhausen, mas acham o resto do filme “sem sal” e entediante. Não acho isso um problema, pois o filme é curto (apenas 80 minutos) e atuação de todos é forte e carismática. O roteiro mantem o foco durante todo o filme, mesmo quando parece que os dois protagonistas irão esquecer-se do que está acontecendo ao seu redor para namorar (típico de muitos filmes do gênero).

Não precisa nem dizer que os efeitos do Harryhausen são maravilhosos. O monstro do Rhedosaurus é bastante diferente do que o tiranossauro genérico que os produtores haviam solicitado no começo. O monstro é uma amalgamação de várias criaturas: tem a cabeça de um tiranossauro, a expressão facial de um alienígena que o Ray havia criado para um projeto não realizado, o corpo de um dimetrodon,  e as pernas e cauda de um crocodilo. A animação é sublime e a realização do monstro supera o trabalho que o Ray fez posteriormente em O Monstro do Mar Revolto (1955) e A Invasão dos Discos Voadores (1956). O showstopper do filme é o clímax em que o Nesbitt e um atirador fuzileiro (Lee Van Cleef, antes de ficar conhecido por estrear em filmes de faroeste) sobem uma montanha russa para matar o monstro.

Uma observação final que preciso fazer. Apesar de ser libertado e/ou acordado pela bomba atômica, o Rhedossauro não é um monstro atômico. Na verdade, é um isótopo radioativo que acaba por destruí-lo, ou seja, o filme não nos adverte nada sobre os possíveis perigos da Era Atômica, pois a solução ao problema também é produto dela. Podemos ver essa atitude de usar as armas nucleares como solução legítima aos problemas da humanidade em outros filmes durante várias décadas, inclusive Profundo Impacto e Armagedom (ambos de 1998), Independence Day (1996), Stargate (1995) e até recentemente em Circulo de Fogo (2013). Para os americanos, em que duas bombas atômicas terminaram uma guerra bastante sangrenta, podemos entender porque nossos cineastas ainda tratam armas nucleares assim. Por outro lado, o Japão, que estava no lado receptor dessas bombas, já tem outra visão mais sombria e negativa dessas armas, como exemplificado em Godzilla.

 
Extras:

“Sétima Arte Após a Bomba” – 14:30 – Um documentário sobre o cinema japonês durante a década de 50 produzido por David Dias, cujo foco é filmes que tratam da Era Atômica. Os três filmes que mais recebem atenção são Gojira; Anatomia do Medo (1955) de Akira Kurosawa e Filhos de Hiroshima (1952).


“Haruo Nakajima” – 9:41 – Entrevista com Haruo Nakajima, o homem que vestiu a fantasia de Godzilla em 12 filmes, começando com Gojira em 1954 e mais alguns outros filmes de monstro durante a mesma época. Não há nada aqui que não foi mencionado em vários livros sobre o assunto, mas novatos ao kaiju eiga irão admirar o relato do Nakajima das dificuldades de vestir-se de Godzilla.


“Tadao Sato” – 13:57 – Entrevista com um jornalista japonês que acompanhou a história de Godzilla. O mais interessante é quando ele compara o Godzilla japonês com o Godzilla ágil americano de 1998, falando que é difícil sentir empatia por uma criatura tão ágil.


“Ray Harryhausen – The Rhedosaurus and the Roller Coaster” – 6:11 – Entrevista com Ray Harryhausen de 2003 sobre a produção de O Monstro do Mar.  Descobri  que em todos os filmes dele desde O Monstro do Mar (1953) até Simbad e o Olho do Tigre (1977), o Harryhausen trabalhou completamente sozinho.


“Unused Footage from Godzilla” – 9:04 – Legendas em inglês(!?) – Depois de uma breve entrevista com Koichi Kawakita, diretor de efeitos especiais dos filmes de Godzilla durante a década de 90, há uma exibição de cenas/frames de Gojira, mostrando quais partes eram mattes (pinturas) ou miniaturas e quais partes da cena eram cenas filmadas com atores reais. A composição dessas cenas é bem feita.

 
“Dragão Terrível” – 9:39 – Breve documentário sobre o incidente do navio Daigo Fukuryu Maru (trad. O Dragão Sortudo), que ficou famoso quando entrou na região onde a primeira bomba H foi testada, onde a tripulação foi exposta aos resíduos radiativos da explosão. A tripulação inteira sofreu com intoxicação de radiação, e um homem acabou morrendo. O documentário também esclarece que a pesca na região inteira foi devastada  pela radiação da bomba e que o governo americano nunca assumiu culpa pelo sofrimento dos marinheiros.

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Return of Godzilla - A Era das Trevas Pt. 4

Return of Godzilla (roteiro #1)



The Return of Godzilla (trad. O Retorno do Godzilla) foi uma trama escrita por Akira Murao ao pedido do produtor Tomoyuki Tanaka, que desejou ressuscitar o Godzilla como o símbolo hediondo dos perigos da energia nuclear depois de uma década como um personagem infantil. Assim ele achou que poderia atingir mais pessoas e estabelecer o seu lugar na cultura popular novamente.

A roteiro introduz um novo monstro na forma de Bagan, qual monstro apareceu em alguns outros projetos não realizados, inclusive um filme em que lutaria com a Mothra. Bagan acabou aparecendo como o chefe final do jogo do Super Nintendo Super Godzilla, mas não apareceu em filme nenhum até hoje*.

No filme, Bagan aparece como um monstro que muda de forma (Murao conceituou três formas--uma terrestre, uma submarina e uma aérea) que ameaça a terra. Godzilla, semelhante à sua encarnação da década de 70, aparece para salvar o mundo de Bagan. No começo, o Godzilla não consegue derrotar o Bagan, pois é capaz de regenerar feito o Wolverine dos X-Men. Finalmente o Godzilla atinge o seu poder máximo ao destruir uma usina nuclear e é capaz de destruir o seu oponente.

Depois da sua vitória, o Godzilla começa a destruir o Japão, mas é derrotado por um cientista que constrói uma super-arma nuclear a partir de um novo elemento chamado "Reicônio." Na última cena do filme, Godzilla iria ressuscitar e o tema do filme seria: enquanto há energia nuclear na terra, o Godzilla sempre existirá.

Bibliografia:

Ghee, Jay and Steve Ryfle. "Begin the Bagan." Japan's Favorite Mon-Star: The Unauthorized Biography of "The Big G". ECW Press, 1998.


* - Houve um filme feito por um jovem fã, Omar Sayyah, nos anos 90 chamado Godzilla vs. Bagan. Eu mesmo recebi uma cópia do filme, o que foi bastante interessante. Foi filmado na floresta perto da casa do Omar, na fábrica de ração de animal onde trabalhava, na sua casa, e na casa dos seus amigos também.

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

A Space Godzilla - A Era das Trevas Pt. 3


A Space Godzilla (1979)
 


“A Space Godzilla” (trad. “Um Godzilla do Espaço”) é um conto escrito por Katsuhiro Otomo (Akira, Steamboy), mais conhecido por ser o diretor do filme Hausu, ou House, um filme de terror surrealista. Ele foi publicado em duas partes na edição japonesa da revista Starlog em 1979. A história conta a história da descoberta de um Godzilla morto numa praia, seus órgãos internos expostos e derramados na areia. É verificado de que o monstro é uma fêmea (chamada Rozan) e que estava grávida.  Numa reviravolta bastante bizarra, o cadáver do monstro é transformado num nave espacial e enviado de volta para o Planeta dos Godzillas. O filhote (chamado Ririm) é reunido com o Godzilla Pai (chamado Kunnin), quem luta contra outro monstro, General Gamoni e alguns esfinges também.
 

A trama foi criada como uma proposta de um novo filme de Godzilla, que não havia aparecido num filme desde de Terror of Mechagodzilla em 1975. A ideia acabou sendo rejeitada pelo Toho, mas eles permitiram que o conto fosse publicado em Starlog.

Minha opinião: Não preciso nem dizer que isso teria se tornado o filme de Godzilla mais bizarro de todos caso fosse produzido, fazendo o [b]Godzilla vs. the Smog Monster[/b] parecer normal e são em comparação. E não preciso dizer que muitos fãs iriam odiar este filme, pois transforma o símbolo dos perigos da Era Atômica num ET. No entanto, as criaturas oponentes são diferentes numa série que sofria muito do mesmice e a reciclagem constante de monstros, e depois de tantos filmes cujo roteiro trata de "o exército elabora novo plano para derrotar Godzilla...", eu pessoalmente iria gostar de ver algo diferente. Creio que o eu de hoje iria gostar mais do que o eu de 20 anos atrás.
 
O conto já foi traduzido para inglês e pode ser lido aqui:
 
 

terça-feira, 13 de setembro de 2016

Shin Godzilla está batendo recordes em Japão

Shin Godzilla está batendo recordes em Japão
 
 
 
 
O filme Shin Godzilla já conseguiu bater uns recordes em Japão. Primeiro, e mais importante, é o filme mais bem sucedido de live action, ou seja, que não seja desenho animado, nas bilheterias japonesas de 2016. Já vendeu mais que 4,2 ingressos e faturou 6,1 bilhões de ienes, ou 60 milhões de dólares. Contra um budget de 10 milhões de dólares, podemos dizer que o filme é um enorme sucesso.
 
O segundo recorde é que o filme já ultrapassou o número de ingressos vendidos por Godzilla: A Batalha do Século (aka Godzilla and Mothra: Battle for the Earth aka Godzilla vs Mothra '92), que era o filme de Godzilla mais bem sucedido da série desde os meados da década de 60. Isso o coloca no oitavo lugar entre os 30 filmes de Godzilla quanto à quantidade de ingressos vendidos. É capaz que o filme termina em sexto lugar, passando por frente de Guerra dos Monstros (aka Monster Zero aka Invasion of the Astro Monster) e Ebirah, Terror dos Abismos (aka Godzilla vs the Sea Monster).

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Godzilla terá um filme anime em 2017

Godzilla terá um filme anime em 2017

Fonte: http://www.animenewsnetwork.com/news/2016-08-18/2017-godzilla-anime-film-penned-by-gen-urobuchi-animated-by-polygon-pictures/.105542


Um filme anime, titulado "Godzilla", foi autorizado pelo Toho Studios.

Este será o terceiro desenho do Godzilla, o primeiro sendo uma série produzido pelo famoso Hanna-Barbera nos anos 70 e depois um desenho produzido por Centropolis que serviu de sequência para o filme americano de 1998, dirigido por Roland Emmerich.

Não se sabe nada sobre o enredo do filme, a não ser que o roteirista será Gen Urobuchi (Fate/Zero) e os diretores serão Kobun Shizuno (Detective Conan) e Hiroyuki Seshita (Final Fantasy X e Kingdom Hearts)
.

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Ghidrah, o Monstro Tricéfalo


Ghidrah, o Monstro Tricéfalo (1964)
Inglês: Ghidrah, the Three-Headed Monster

Japonês: San Daikaiju: Chikyu Saidai no Kessen (trad. Três Monstros Gigantes: A Maior Batalha da Terra)

Elenco: Yosuke Natsuki, Yuriko Hoshi, Hiroshi Koizumi, Akiko Wakabayashi, Emi Ito, Yumi Ito, Akihiko Hirata
Diretor: Ishiro Honda

Diretor de Efeitos Especiais: Eiji Tsuburaya

De certa maneira, podemos dizer que Ghidrah, o Monstro  Tricéfalo encerra uma trilogia e abre uma segunda. A primeira é a trilogia da Mothra, e, mais especificamente, das gêmeas Ito (Yumi e Emi) como as Shobijin, ou fadas da Mothra. O personagem da Mothra foi introduzido em 1961 em Mothra, a Deusa Selvagem. Além disso, as fadas são apresentadas como sendo duas criaturas ingênuas, pois não conhecem a sociedade moderna. Em Godzilla Contra a Ilha Sagrada, as Shobijin são mais céticas da humanidade do que eram no primeiro filme. Além disso, a Mothra já está morrendo, mas, sendo um símbolo de vida e renascimento, duas lagartas nascem para tomar o lugar da primeira. Neste filme, uma lagarta (aprendemos que a segundo morreu—o filme não explica como, mas vou supor que foi por ser exposta à radiação do Godzilla) cumpre com o seu dever, convencendo Godzilla e Rodan a lutarem pela humanidade. Além disso, as Shobijin já fizeram as pazes com a civilização moderna e já, aparentemente, estabeleceram alguma relação diplomática com Japão entre o último filme e este. Dessa maneira, podemos dizer que esses personagens completam o ciclo de crescimento como personagens.

Este filme também é a estreia do inimigo mais famoso do Godzilla: Rei Ghidrah (ou Ghidorah), o grande Monstro do Mal. Por isso que falo que este filme inicia uma segunda trilogia, a trilogia de Ghidrah. Este filme é seguido por Guerra dos Monstros (ing. Invasion of the Astro Monster/Monster Zero), em que Godzilla e Rodan voltam para lutar novamente contra o dragão espacial de três cabeças. Finalmente, O Despertar dos Monstros (ing. Destroy All Monsters!) encerra a trilogia com a derrota final do monstro.

Então, como foi que o roteirista Shinichi Sekizawa conseguiu juntar nada menos de quatro monstros num único filme e ainda ter um produto coerente? Bem, como Os Vingadores, Sekizawa se beneficia do fato que três dos quatro monstros já haviam sido estabelecidos em filmes anteriores. No final de Rodan, o Monstro Voador, os dois répteis voadores haviam sido mortos da explosão de Mt. Aso em Kyushu (uma ilha ao sul da ilha principal de Honshu). Quando Rodan (um dele) voltar novamente, é encontrado preso no mesmo vulcão. Godzilla simplesmente surge do oceano como é de costume e Mothra (uma delas) simplesmente havia voltada à Ilha Infante no final de Godzilla Contra a Ilha Sagrada. Apenas o Ghidrah necessitava de uma história para explicar a sua existência.

Então, no começo de 1965 (suponho eu), o Japão está experimentando uma forte onda de calor, apesar de estar no meio de inverno. Um grupo de crentes em OVNIs acha que o fim do mundo está próximo e que pode haver uma tentativa de comunicar com algum ser de outra galáxia para entender o que está acontecendo. Uma noite, um grupo deles está no teto de um prédio na esperança de receber algum sinal. No meio deles é Naoko (Yuriko Hoshi, quase repetindo o seu papel do filme anterior), um repórter com um programa de tabloide da TV. A incredulidade dela é citada como o motivo do grupo não receber comunicação naquela noite, mas na verdade, há uma comunicação acontecendo.

Primeiro, um meteoro gigante cai no Desfiladeiro Koruba, quase atingindo a barragem local. Um geólogo, Professor Miura (Hiroshi Koizumi, basicamente fazendo o mesmo papel que fez nos dois filmes anteriores), é enviado com a sua equipe para pesquisar o meteoro. Ao mesmo tempo, uma princesa do país fictício de Selgina (tipo Nepal ou Bután), Selina Salno (Akiko Wakabayashi de 007 em Só Se Vive Duas Vezes), está viajando para Japão para esconder de assassinos esquerdistas na sua pátria. Antes de chegar em Japão, ela é possuída por uma força desconhecida e pula do avião, poucos momentos antes de uma bomba explodi-lo. Quando a mulher aparece em Japão poucos dias depois, ela alega que vem de Vênus (em inglês, Marte; nas legendas portuguesas da versão que eu tenho: Júpiter) para advertir a Terra de uma grande destruição que está para vir.

Daí as coisas começam a complicar. Os assassinos da Selgina descobrem que a princesa está viva, e viajam para Japão para terminar o seu trabalho. Os únicos amigos que a princesa/profetista tem são a Naoko; o seu irmão, Detetive Shindo (Yosuke Natsuki); e as Shobijin, que entendem que as profecias ridicularizadas da mulher são verdadeiras. Godzilla e Rodan logo voltam para Japão e destroem o interior do país durante uma luta prolongada. Ghidrah, o destruidor de mundos, nasce do meteoro e começa a vaporizar cidades com mais eficiência do que o próprio Godzilla. E o Shindo está ocupado tentando proteger a profetista dos assassinos enquanto tenta ajudá-la ter a sua memória de volta. Quanto aos monstros, apenas a Mothra consegue liderar os outros dois contra Ghidrah.

O roteiro é bastante complexo, dando aos personagens muito para fazer enquanto os monstros estão brigando e derrubando prédios. Há uns graus de separação entre os aspectos políticos da trama e as cenas de destruição, mas prova a ser interessante mesmo assim. O primeiro ato requer um pouco de paciência, pois demora quase 40 minutos antes da ação realmente começar. Quanto ao ritmo do roteiro, só reclamo que a segunda canção para convocar a Mothra para Japão demora muito—na versão americana, esta cena é cortada para manter o movimento do filme.


Os efeitos especiais do filme são bastante inconsistentes neste filme. Godzilla quase não usa o seu raio nuclear, e quando usa, tem a sua aparência azul apenas uma vez (numa bela sequência à noite no oceano). Nas outras vezes, o raio parece mais como um gás ou fumaça, e ele nunca usa o raio contra o Ghidrah, que é muito estranho. Mas fora disso, o filme sofre da mesma problema com a dicotomia entre as miniaturas e fantasias, que são ótimas como sempre, e os fantoches, que deixam muito a desejar. São usados muito durante a luta entre Godzilla e Rodan e são óbvios, embora não tão falsos quanto em King Kong X Godzilla. Para compensar, as cenas em que Ghidrah destrói Tóquio e as regiões rurais ao redor da cidade são entre as melhores cenas de destruição já elaboradas em qualquer filme de monstro gigante.

A música de Akira Ifukube é top como sempre. Ele escreveu mais uma nova música para Mothra, o que as irmãs Ito cantam duas vezes. Pode se ouvir “Fonte Sagrada” brevemente, mas “Mahara Mothra” e “Mosura, Mosura” não se cantam aqui. Os temas musicais de Godzilla e de Ghidrah também são lendários e podem ser ouvidos em vários outros filmes de Godzilla produzidos depois. Interessante é que na versão americana, a música do Ifukube foi trocada em algumas cenas (“Godzilla Chega em Yokohama” e “Godzilla X Rodan”) por músicas de filmes americanos, como O Escorpião Negro (1957). Puristas podem reclamar disso, mas no final a mistura de estilos musicais não afeta o filme negativamente.

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Shin Godzilla/Godzilla Resurgence Continua em Primeiro Lugar

Shin Godzilla/Godzilla Resurgence Continua em Primeiro Lugar

Fonte: https://us.yahoo.com/movies/japan-box-office-shin-godzilla-roars-second-weekend-130207925.html

Shin Godzilla,” o reboot do Toho da sua franquia icônica de monstro, permaneceu em primeiro lugar nas bilheterias japonesas. Espera-se de que vai ganhar mais do que os 40 milhões de dólares projetados pela distribuidora.
As críticas têm sido extremamente positivas, enquanto os fãs estão voltando ao cinema várias vezes buscando pequenos e novos detalhes no roteiro que enfatiza o diálogo entre os personagens humanos."

Eu mesmo tenho procurado evitar spoilers sobre o que aconteceu no filme, mas os poucos comentários que li sugerem que o filme é tanto uma metáfora pelo incidente de Fukushima quanto o Gojira (1954) era uma metáfora por Hiroshima, Nagasaki e o Lucky Dragon. Então, sugiro aos meus leitores que leiam um pouco sobre a usina nuclear de Fukushima para preparar suas mentes para este filme.

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Godzilla Contra a Ilha Sagrada (1964)


Godzilla Contra a Ilha Sagrada (1964)
Inglês: Godzilla vs. Mothra; Mothra vs. Godzilla; Godzilla Against Mothra; Godzilla vs. the Thing

Japonês: Mosura tai Gojira (trad. Mothra Contra Godzilla)

Elenco: Akira Takarada, Yuriko Hoshi, Hiroshi Koizumi, Kenji Sahara, Jun Tazaki, Yumi Ito, Emi Ito, Yoshifumi Tajima
Diretor: Ishiro Honda

Diretor de Efeitos Especiais: Eiji Tsuburaya

Godzilla Contra a Ilha Sagrada é geralmente considerado o melhor filme de Godzilla depois do original Gojira de 1954. Por um lado, os efeitos especiais são os mais imaginativos das décadas de 50, 60 e 70 e entre os mais consistentes do período. Além disso, a trilha sonora de Akira Ifukube é emocionalmente rica, contendo vários temas que ele havia compositado para King Kong x Godzilla, mas agora se tornaram mais maduros. O elenco é excepcional e a atuação é forte de todos os lados, até na versão dublada. Finalmente, de todos as sequências de Godzilla do período, este tenta abordar (indiretamente) alguns temas sociais: até que ponto somos justificados em tratar a vida animal como mercadoria e qual é a nossa responsabilidade para com os outros durante períodos de calamidade?

A história não é complicada. Há uma furação que atinge Japão as ilhas da região, inclusive a Ilha Infante. Durante o tufão, o ovo da Mothra cai no mar e aparece nas águas japonesas. A vila que tem jurisdição sobre as águas presume que o ovo lhe pertence e o prefeito vende o ovo para Kumayama (Yoshifumi Tajima), um empreendedor ganancioso. As fadas (Emi e Yumi Ito—conhecidas como Shobijin) vêm para Japão para pedir o retorno do ovo. Kumayama e o seu parceiro, Torahata (Kenji Sahara), não dão ouvidos, e até tenta sequestrá-las (já se esqueceram do destino do Nelson do outro filme).

As fadas acham amigos num jornalista (Akira Takarada), uma fotógrafa (Yuriko Hoshi) e um cientista (Hiroshi Koizumi, basicamente fazendo o mesmo papel que fez em Mothra, a Deusa Selvagem). Infelizmente, não esses três não conseguem convencer Kumayama e Torahata a devolver o ovo e as fadas voltam à Ilha Infante, decepcionadas. Pouco tempo depois, Godzilla aparece e destrói a cidade de Nagoya enquanto caminha rumo ao incubador gigante do ovo da Mothra. Os três protagonistas viajam à Ilha Infante para pedir a ajuda da Mothra para deter o Godzilla. Mas a Shobijin perderam a sua fé na humanidade e são relutantes e convocar a ajuda da sua deusa. Depois de um discurso sobre a necessidade de não permitir que os inocentes sofram por causa dos culpados, as fadas resolvem deixar a Mothra ajudar. Mas será que ela vai conseguir derrotar o Godzilla?

Godzilla Contra a Ilha Sagrada aborda os mesmos temas da Mothra, a Deusa Selvagem, principalmente a exploração da Ilha Infante pela humanidade, o que quase resulta na plena destruição do Japão. Podemos ver o sofrimento deles na cena em que os protagonistas visitam a ilha. No primeiro filme, a ilha era uma ilha tropical qualquer (exceto a mariposa gigante que habitava ali), mas no tempo que passou, os efeitos de vários testes nucleares se tornaram mais evidente, pois a ilha é desprovida de vegetação, a não ser num pequeno oásis no central da ilha. É capaz que isso explique por que na literatura oficial do Toho, a Ilha Infante em Ebirah, o Horror do Abismo (1966) estava localizada em outro local no Oceano Pacífico: a primeira ilha se tornou incapaz de sustentar a vida humana e tinham que abandonar o lugar. No entanto, além de ser uma metáfora da devastação promovida pela Era Atômica, o filme (e o seu antecessor) serve(m) como um comentário sobre a tendência capitalista de querer se lucrar com qualquer novidade, mesmo com a vida dos outros. Quando o Kumayama e o Torahata tentam comprar a Shobijin dos protagonistas, em momento nenhum eles façam a proposta às próprias fadas, mas já tratam os heróis como eles fossem o dono delas. É uma observação sobre a tendência ocidental de pensar de tudo em termos de posse e pertences.

Como eu comentei antes, os efeitos especiais são muito bons pela época, principalmente quando se compara aos filmes americanos da época, como Passagem Para o Futuro e  Papai Noel Contra os Marcianos. A minha sequência favorita do filme é quando a SDF (Força de Auto-Defesa) tenta deter o Godzilla usando relâmpagos artificiais. Além disso, a batalha entre Mothra (adulto) e Godzilla é memorável, principalmente uma sequência que parece que foi filmado com stop motion (ou bonecas de massa) a lá Ray Harryhausen. O último confronto entre Godzilla e as duas lagartas é muito legal e tem a imagem inesquecível de Godzilla completamente coberta com seda. Para a versão americana, a equipe de Tsuburaya filmou uma sequência em que a marinha americana ataca o Godzilla com mísseis, sem sucesso (esta cena não aparece na versão japonesa). Os efeitos por si só justificam a existência do filme, mas a atuação, a música e o tratamento do tema o fortalece ainda mais.

sexta-feira, 29 de julho de 2016

As Primeiras Resenhas de Shin Godzilla (2016) Chegaram!

As Primeiras Resenhas de Shin Godzilla (2016) Chegaram!

 
 
 
*NÃO LEIA A NÃO SER QUE QUEIRA LER SPOILERS*
 
As primeiras resenhas de Shin Godzilla (aka Godzilla Resurgence) chegaram e variam entre "mais ou menos" e "realmente bom". A crítica principal é ironicamente semelhante à principal de Godzilla (2014) - muita conversa e pouco Godzilla. Na defesa do filme americano de Legendary Pictures, as cenas com Godzilla tratavam de pessoas fazendo coisas, embora este novo filme parece tratar um ataque de monstro do ponto de vista político. Vamos ver:


De Takuma (Kung Fu Fandom):


Godzilla: Resurgence (Japão, 2016) [DCP] - 2/5

  Um filme bastante decepcionante pelo diretor / escritor Hideaki Anno, cujo histórico como um brilhante analista de personagens problemáticos e alienados (Ritual), e como uma forte crítica social (Love & Pop) com antipatias para adultos e o governo (Evangelion), fez-nos esperar algo especial. Infelizmente, isso é tão longe da Anno sabemos quanto possível. É 25 minutos de ação e 95 minutos de falar cabeças em uma sala de conferências do governo. Curiosamente as cabeças pertencem a legião de políticos e pesquisadores pouco interessantes, deixando o filme sem um personagem principal que não seja o coletivo "Japão". Há alguns temas semi-interessantes sobre política japonesa e referências aos recentes desastres naturais são eficazes, mas a profundidade personagem é zero e a abordagem pró-governo muito inesperado de Anno. Os efeitos especiais são bons, sempre que os efeitos da velha escola dominam, mas existem alguns segmentos CGI pouco convincentes também.

De Brian Ashcraft of Kotaku.com:

...O que gostei do reboot e que eu gosto sobre filmes de Godzilla, em geral, é que muitas vezes refletem o humor do país no momento em que eles são feitos. Muitas partes do este filme certamente fazer isso e, sem dúvida, poderia ser responsável pela buzz positivo que o filme está ficando aqui no Japão...

Da mesma forma, Godzilla Resurgence é um reflexo do país hoje. O filme retrata alguns dos sentimentos em torno da Força de Auto-Defesa japonesas e as limitações que ele tem tradicionalmente sob a Constituição do país. O que se o Japão é atacado? Que tipo de limitações existem, politicamente? O Primeiro-Ministro pode fazer?

Estas são perguntas importantes para qualquer filme japonesa contemporânea, muito menos um kaiju. Assim, enquanto o filme de 1954 parecia se mover mais rápido através das cenas político a se concentrar mais sobre os personagens, Godzilla Resurgence passa a maior parte de seu tempo com os políticos, ponderando através destas questões...


...Em última análise, a maior parte do filme não compensa. O clímax sentiu monótono e termina sem acumular tensões. (No entanto, há uma grande recompensa no meio do filme, e eu realmente não podia acreditar que o filme fez aquilo. Mas depois de ir lá, ele nunca realmente totalmente explorado o que isso significava.) Nunca houve uma liberação ou uma satisfatória catarse. Apenas ansiedade espreitada .

E finalmente do RO65, website sobre a cultura popular japonesa:

... Tornou-se um dos principais [pontos de conversa que] Hideaki Anno é um diretor talentoso de hoje. Eu quero dizer um como uma pessoa que tenha visto o filme [plenamente] concluída, este "Shin Godzilla" é puramente uma obra-prima da sem precedentes [cinemáticos].
 
[O filme retem] um grande respeito para a mensagem fundamental dentro Godzilla, ansiando para os velhos tempos da [sua origem].
 
Expectativas das pessoas que estão olhando para a frente para a [mais recente encarnação japonesa] de "Godzilla" em 12 anos - [Por favor, sejam] contentes que [o filme] não trai [Godzilla], mas, ao mesmo tempo, as pessoas que são novos para
"Godzilla" pode [também desfrutar de um filme deste tipo de conteúdo, que anteriormente não podiam ter].
 
A aparência [do filme] é o do atual [estado e verdadeiro do Japão], o filme é criticamente pintado [e capaz de sarcasmo] e, ao mesmo tempo, é o melhor dos trabalhos de entretenimento em busca de diversão pura como um monstro
filme para os limites...




Mothra, a Deusa Selvagem (1961)


Mothra, a Deusa Selvagem (1961)

Inglês: Mothra

Japonês: Mosura

Elenco: Frankie Sakai, Jerry Ito, Hiroshi Koizumi, Emi Ito, Yumi Ito, Takashi Shimura, Kyoko Kagawa, Akihiko Hirata
Diretor: Ishiro Honda

Diretor de Efeitos Especiais: Eiji Tsuburaya

Godzilla foi o primeiro kaiju criado pelo estúdio Toho e serviu, pelo menos no seu primeiro filme, como metáfora pela destruição que o Japão sofreu pelas bombas atômicas (mais o entulho radiativo espalhado pela primeira bomba H). A sequência ao primeiro filme de Godzilla, Godzilla Contra-Ataca (1955), foi o primeiro filme de kaiju de ter dois monstros lutando. Rodan, O Monstro (1956) foi o primeiro filme de kaiju colorido. Daikaiju Baran (1959) não representou nenhum avanço para o gênero, mas o próximo filme de kaiju, Mothra, a Deusa Selvagem apresentou algo de novo: e se o kaiju em questão era, afinal de contas, um monstro benevolente?
O roteiro deste filme é bastante interessante. Durante uma furação, um navio japonês encalha numa ilha conhecida como Ilha Infante. Pouco tempo depois, um helicóptero descobre quatro sobreviventes na praia, o que surpreende as autoridades, pois um teste atômico havia sido realizado nas redondezas há pouco tempo. No entanto, os quatro homens não estão vomitando os seus órgãos internos devido ao envenenamento de radiação? Como foi que isso aconteceu? Bem, segundo os sobreviventes, os nativos da ilha haviam dado um suco especial para eles tomarem.

Espere aí? Nativos? Quer dizer que a ilha não estava desocupada quando o país fictício de Rolisica explodiu a bomba? Diante dessas descobertas, o país de Rolisica manda uma expedição para a ilha para pesquisar. Alguns cientistas japonesas, inclusive o antropólogo Dr. Chujo (Hiroshi Koizumi, que voltaria para este papel 42 anos depois em Godzilla: Tokyo SOS). Um jornalista, Senichiro “Bulldog” (Frankie Sakai), entra escondido no navio e acaba fazendo amizade com Dr. Chujo. O líder da expedição é o Nelson (Jerry Ito), que tem motivos pessoais por querer visitar a Ilha Infante.

Na Ilha, o Dr. Chujo descobre uma caverna cheia de escritos antigos...e uma planta carnívora. Ele é salvo por duas pequenas fadas (Emi e Yumi Ito). No próximo dia, a equipe científica descobre as fadas, e o Nelson tenta raptá-las, mas é impedido pela chegada dos nativos. Depois da volta do navio para Tóquio, o Nelson retorna à ilha sem avisar ninguém e sequestra as fadas, transformando-as numa sensação do palco. Mas o que ele não sabe é que a música que elas cantam é um grito de socorro para o seu deus, Mothra. E não demora muito antes da Mothra sair da ilha em busca de suas pequenas sacerdotistas.

O maior problema com o filme, o que fez com que eu não gostasse dele durante muitos anos, é o ritmo meio lento. Demora uns quarenta minutos antes de vermos a forma lagarta de Mothra (“Moth” significa “mariposa” em inglês) e a Mothra adulta só aparece nos últimos dez minutos. Mas se for uma pessoa paciente, será mais fácil apreciar os momentos mais quietos entre as cenas de destruição e poderá perceber que o roteiro mantem os protagonistas ocupados no último ato do enredo, em vez de transformá-los em meros espectadores.

Os efeitos especiais são ótimos e bastante detalhados. Isso se aplica principalmente às miniaturas que a Mothra destrói, tanto em Tóquio quanto em New Kirk City (re: Cidade de Nova Iorque) no país de Rolisica. O final é especialmente impressionante, pois podemos ver a destruição de prédios, uma cópia fiel ao Brooklyn Bridge e dezenas e dezenas de carros sendo levados pelo ar por causa do vento que as asas gigantescas da Mothra produzem. Este filme e a sua sequência, Godzilla Contra a Ilha Sagrada (1964), representam a Era Dourada da Mothra e contem os melhores efeitos visuais quanto a realização dela, pelo menos até 2001. Há também uma cena muito bem montada mostrando a destruição de uma represa que foi roubada posteriormente para o filme taiwanês Thunder of the Gigantic Serpent.

A música não foi compositada esta vez pelo Akira Ifukube, mas por Yuji Koseki. O estilo dele é diferente das marchas épicas do Ifukube e ritmos jazz do Masaru Sato. Koseki cria músicas que lembram um filme de Hollywood dos anos 30 e 40, que é bastante diferente do normal. Mas as canções das irmãs Ito são lendárias, principalmente “A Canção da Mosura,” o que é cantada em vários filmes em que esse monstro aparece. No final, é um filme de monstro que realmente vale a pena assistir.