segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Latitude Zero (1969)

Latitude Zero (1969)

Título em Inglês: Latitude Zero

Elenco: Joseph Cotton, Richard Jaeckal, Akira Takarada, Cesar Romero, Patricia Medina, Linda Haynes, Masumi Okada, Tetsu Nakamura, Mari Nakayama

Diretor: Ishiro Honda

Produtor(es): Tomoyuki Tanaka, Don Sharpe

Latitude Zero é um dos poucos filmes japoneses de ficção científica que foi lançado no Brasil em fita, tendo sido distribuído pela distribuidora uma vez famosa WR Filmes Ltda. Sediada no Largo Paissandu em São Paulo, WR Filmes, gerenciada por Wilson Rodrigues, trouxe vários filmes japoneses e alemães para o Brasil, inclusive a épica espacial Bye, Bye Jupiter, qual filme nunca foi lançado oficialmente em fita nos EUA. O Wilson Rodrigues acabou produzindo seus próprios filmes, embora muitos desses foram filmes pornográficos (vejahttp://redutovhs.blogspot.com.br/2013/01/selo-wr-filmes.html) .

Latitude Zero foi produzido durante uma época difícil no cinema japonês. Havia anos que o número de pessoas frequentando os cinemas estava diminuindo, ao ponto que a série de Godzilla havia “terminado” no ano anterior com O Despertar dos Monstros. Além disso, os filmes de Hollywood como Planeta dos Macacos e2001: Uma Odisseia no Espaço havia levantado uma nova estandarte para efeitos especiais, algo que os filmes japoneses, com os orçamentos cada vez menores, jamais poderiam copiar. Finalmente, o Grande Mestre de Efeitos Especiais em Japão, Eiji Tsuburaya, não estava com boa saúde e acabou falecendo no ano depois do lançamento de Latitude Zero. Então, como o crítico Scott Ashlin comentou na sua resenha do mesmo filmes, o Latitude Zero se destaca por ser um síntese de todos os elementos que definiam o cinema fantástico japonês desde 1954: super-gênios benevolentes e malevolentes; submarinos que voam; monstros (gigantes e do tamanho de pessoas normais); armas futuristas; e sociedades submarinas.

Em 1969, três pessoas: Dr. Fujira (Akira Takarada, Gojira e Ebirah, Horror do Abismo), Dr. Jules Maison (Masumi Okada) e um repórter, Perry (Richard Jaeckal, O Lodo Verde), estão descendo para o fundo do mar para investigar uma corrente de água que passa pela área. A sua pesquisa é interrompida por uma explosão vulcânica submarina, o que decepa a corta ligando o bathysphere ao navio na superfície o oceano. Os três homens são salvos por dois mergulhadores de um submarino, o Alpha, que também está fazendo pesquisas na região. Quando o Fujira e Perry acordam, descobrem que os seus benfeitores não são americanos...nem japoneses....e nem russos. São habitantes de uma cidade submarina conhecida como Latitude Zero, localizada abaixo do mar onde o Equador passa pela Linha Internacional de Data.

O Capitão do submarino é Capitão MacKenzie (Joseph Cotton, A Meia Luz), que alega ter 204 anos de idade. Ele auxiliado por um assistente japonês e uma loira bonita, Dra. Barton (Linda Haynes, Coffee: Em Busca de Vingança), a médica do submersível. A ferida do Dr. Maison é muito grave para ela tratar, então o Capitão MacKenzie resolve voltar para Latitude Zero para poder salvar a vida do cientista francês (estrelado por um ator japonês). Durante a viagem para casa, o Alpha é atacada por outro submarino, o Tubarão Negro. Ele pertence ao Malick (Cesar Romero, que fez o Coringa no seriado do Batman da década de 60), o arquiinimigo do MacKenzie e um ex-habitante do Latitude Zero. Malick deseja destruir o Latitude Zero para que não haja ninguém de impedi-lo de conquistar o próprio mundo.

Sobrevivendo o ataque, o Alpha chega no seu destino. Em Latitude Zero, aprendemos um pouco mais sobre a sociedade. Primeiro, a tecnologia do local já chegou ao ponto que não mais escassez, e, portanto, nenhum conflito sobre como dividir os recursos. Além disso, o segredo de juventude eterna já foi descoberta e é aplicada aos habitantes. A cidade é habitada em grande parte por cientistas, muitos dos quais são recrutados pelos habitantes do Latitude Zero, que aproveitam a falta de interferência de governos e outros interesses para realizar os seus estudos em paz. Às vezes, os resultados das suas pesquisas são divulgadas secretamente para as nações pelos agentes do Latitude Zero para o bem da humanidade. Atualmente, o Latitude Zero está no processo de “recrutar” um cientista japonês, Dr. Okada, que acabou de descobrir uma maneira de proteger células humanas contra a radiação. Infelizmente, o Dr. Okada e a sua filha, Tsuruko, são raptados pelo Malick, que ameaça transformá-los em monstros (no estilo de Dr. Moreau de H.G. Wells) se o Dr. Okada não revelar a fórmula. Então o Capitão MacKenzie, acompanhado por seus três novos amigos da superfície, vai até a ilha Blood Rock para resgatar os reféns do Malick.

O roteiro do filme foi escrito por Shinichi Sekizawa e Ted Sherdeman, o segundo sendo mais famoso por ter escrito O Mundo em Perigo (1954), um dos filmes de monstros atômicos mais importantes de todos os tempos. Sherdeman escreveu as primeiras histórias de Latitude Zero em 1941, o que foi adaptado como um programa de rádio. O roteiro demonstra o optimismo presente em muitos dos filmes do Ishiro Honda, em que ele acreditava que a ONU poderia resolver as suas diferenças mesquinhas se fosse para o maior bem. Neste filme, a cidade de Latitude Zero é uma verdadeira utópia, sem nenhuma ironia. em que o conhecimento científico consegue superar todos os obstáculos (humanos) necessários para ter uma sociedade pacífica. O filme ainda reconhece que o mundo como um todo não está pronto para saber da existência de um lugar assim. 

Os efeitos especiais foram providenciados pela equipe de Eiji Tsuburaya, com Teruyoshi Nakano como assistente do diretor e Sadamasa Arikawa encarregado com os efeitos fotográficos. Infelizmente, o produtor Don Sharp retirou a sua contribuição monetária no último momento, e as fantasias dos monstros são especialmente fracas. Há uma raça de homens morcego que servem o Malick e ratos gigantes que infestam as cavernas do Blood Rock. O monstro mais famoso é um grande leão com asas que o Malick cria através de experiências com animais vivos. Infelizmente, o monstro não faz nada até os últimos momentos do filme. O melhor efeito é a explosão vulcânica no início do filme, que é bastante impressionante. O Alpha é afinal uma cópia interessante, mas inferior, ao submarino Gotengo do filme Atragon (1963).

A versão brasileira que foi lançada em fita VHS tem duração de 88 minutos, mas segundo o Internet Movie Database, há versões do filme de 99 minutos e 105 minutos. A falta de material é sentido nessa versão, pois parece que nós da plateia não temos tempo o bastante de realmente conhecer o Latitude Zero antes de partir para a invasão de Blood Rock. Além disso, o filme implica dois romances entre os personagens principais, mas nenhum motivo é dado para ninguém se apaixonar a não ser "porque fulana está disponível". 

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