sábado, 8 de agosto de 2015

King Kong X Godzilla Parte 2: O Filme

King Kong X Godzilla (1962)

Elenco: Kenji Sahara, Tadao Takashima, Mie Hama, Ichiro Arishima, Yu Fujiki, Akiko Wakabayashi, Michael Keith, Harry Holcombe, James Yagi, Jun Tazaki, Akihiko Hirata

Diretor: Ishiro Honda, Thomas Montgomery (cenas americanas)

Produtor: Tomoyuki Tanaka, John Beck (cenas americanas)

Sinopse: Um submarino americano carregando consigo uma equipe de cientistas da ONU é despachado para o Oceano Ártico para investigar o aquecimento das águas da região. Em Japão, o dono de um canal de TV e uma empresa farmacêutica envia dos funcionários, Sakurai (Tadao Takashima) e Furue (Yu Fujiki) dele para a Ilha Faro, onde há relatos que um "deus misterioso", descrito como sendo um monstro gigante, habita na ilha. O dono, Sr. Tako (Ichiro Arishima) espera aumentar a publicidade do seu canal trazendo esse monstro para Japão. O submarino chega no Ártico e descobre (fatalmente) que a causa da temperatura elevada das águas é Godzilla, que estava emprisionado num iceberg. O monstro pré-histórico escapa e nada até Japão. Na Ilha Faro, o deus se revela a ser King Kong, o macaco gigante. Ele é levado até Japão, onde um encontro com Godzilla é iminente.

É difícil escrever sobre este filme, já que nunca assisti a versão japonesa, que foi feito como uma sátira da modernização econômica de Japão na era pós-Segunda Guerra Mundial. Popular na década de 60 foi o subgênero de comédia chamado "salaryman comedy", ou comédia do homem assalariado. A premissa desses filmes é que há uma empresa em que o chefe tem uma ideia maluca para ganhar dinheiro, empregando um coitado subordinando para implementar essa ideia. No caso, é exemplificado pelo Sr. Tako mandar o Sakurai buscar um monstro e trazê-lo para Japão. Até o ator Ichiro Arishima era conhecido nessa época mais por seus filmes de comédia, alguns dos quais chegaram até Brasil (O Dedo de Ferro; Entre o Amor e Futebol).

Quando o John Beck trouxe o filme para os Estados Unidos, a sátira e os elementos "locais" do roteiro não traduziram bem com ele. Então, como muitos outros importadores desses filmes, ele resolveu fazer algumas alterações. Boa parte da história humana do filme foi cortado e cenas novas foram filmadas. Nessas cenas, um jornalista da ONU, Eric Carter (Michael Keith), aparece numa sala (barata) e comenta nos eventos do filme. As vezes ele entrevista um paleontólgo, Dr. Johnson (Harry Holcombe), para a sua opinião "científica" do que está acontecendo. Há outro jornalista, Yutaka Omura (James Yagi), localizado no "escritório da ONU em Tóquio" (provavelmente a mesma sala em que as cenas do Eric Carter foram filmados) para comentar no que está acontecendo. Essas cenas criam uma atmosfera mais de um documentário, do que uma sátira.

Além disso, ele removeu quase a trilha sonora completa do Akira Ifukube (menos as músicas tribais) e colocou música de outros filme no seu lugar, como de O Monstro da Lagoa Negra e O Monstro que Desafiou o Mundo. Na versão japonesa, é a canção dos habitantes da Ilha Faro que é tocada na abertura do filme. Na versão americana, é a música de abertura de A Princesa e os Bárbaros (1951). Segundo August Ragone, o motivo é que Beck achava a música "oriental demais". Isso se trata de uma grande ironia, já que A Princesa e os Bárbaros tratava do Gengis Khan invadindo a Pérsia e a música era muito mais oriental do que os temas do Akira Ifukube. Devemos notar aqui que este filme marcou a introdução do rugido famoso do Godzilla e do seu tema musical.

O elenco japonês do filme é composto de vários veteranos do gênero. Fãs de 007 irão reconhecer Mie Hama (Fumiko) e Akiko Wakabayashi (Tammy) como as amantes do Sean Connery em Com 007 Só Se Vive Duas Vezes. Tadao Takashima foi o principal em Atragon (1963) e teve papeis importantes em Frankenstein Conquista o Mundo (1965) e Filho do Godzilla (1967).  Kenji Sahara não necessita de introdução, pois foi o principal na maioria dos filmes do Toho na década de 50 (Rodan, o Monstro Voador; Os Bábaros Invadem a Terra; O Monstro da Bomba H) e continuou sendo um ator importante durante a década de 60. Akihiko Hirata, o famoso Dr. Serizawa, aparece novamente como cientista, mas o papel dele existe apenas para discutir com o primeiro ministro sobre usar a bomba atômica contra o Godzilla.

Os efeitos especiais estão entre os piores da série, em parte porque grande parte do orçamento foi gasto só em comprar os direitos para King Kong (segundo Ragone, as cenas na Ilha Faro ia ser filmados em Sri Lanka, mas não deu dinheiro para isso). Marionetes são utilizados para cenas filmadas à grande distância durante a última luta e parecem como isso mesmo: marionetes. Stop motion é utilizado, quando Godzilla atinge o King Kong com um chute frontal que deixaria o Steven Seagal cheio de orgulho. A fantasia do Godzilla é excelente, pelo menos quando visto do lado. De frente, a sua aparência é meio bizarra. As fantasias do King Kong são pouco convincentes; o Tsuburaya e sua equipe fariam um trabalho melhor com monstros mamíferos em Invasão das Gargântuas. Mais dois monstros aparecem no filme: um polvo gigante que ataca o vilarejo na Ilha Faro (realizado através de três polvos reais e um modelo) e um lagarto de dois metros que também aparece na ilha. Fora disso, porém, as miniaturas são ótimas: e equipe construiu miniaturas da região do Monte Fuji, inclusive milhares de árvores pequenas, todas cheias de folhas. O mesmo trabalho foi feito para algumas cenas em Hokkaido antes do primeiro encontro dos dois monstros e na Ilha Faro.

Apesar da qualidade dos efeitos, o filme está cheio de ação, mesmo na sua forma mutilada disponível no Brasil. A chegada do submarino no Ártico é um dos momentos mais emocionantes da série inteira e a batalha entre o Godzilla e o exército japonês também é divertido. A luta final é uma das melhores lutas de monstro de todos os tempos. Haruo Nakajima, o Godzilla, observou praticantes de luta livre para poder coreografar essa última luta. E, como no filme anterior, os combatentes destroem um castelo tradicional japonês. E quando o filme termina, o Kong ganha...em ambas as versões do filme.

 


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