terça-feira, 25 de agosto de 2015

Godzilla vs the Robot Monsters - Uma Resenha

Godzilla vs the Robot Monsters
 
Autor: Marc Cerasini
Ano de Publicação: 1998             
Editora: Random House
Páginas: 279 (mais um glossário de monstros e trecho de Godzilla and the Lost Continent)
 
Infelizmente, Godzilla vs the Robot Monsters foi o último livro na série de livros de Godzilla escritos para o público adolescente e jovem adulto. O quinto livro, Godzilla and the Last Continent, foi cancelado, e o mundo criado pelo Cerasini termina com uma questão importante não respondida: o que será o destino final do Godzilla? Há bastante ação, e as virtudes do estilo de Cerasini se manifestam outra vez neste livro, embora as falhas evidentes nos dois livros anteriores atingem o seu auge. O resultado é um livro simultaneamente divertido e frustrante, o que não alcança o níveis de Godzilla 2000 e Godzilla At World’s End.
 
Há nada menos que seis histórias diferentes que fazem parte do enredo, embora nem todos irão convergir da maneira adequada. Por um lado, o G-Force (do livro Godzilla 2000) está construindo uma versão mecanizada de Godzilla, Mechagodzilla, para defender o mundo contra as ameaças kaiju. Um sistema de realidade virtual foi desenvolvido para controlar o monstro, mas ninguém conseguiu fazê-lo funcionar...a não ser Michael Sullivan, o hacker paraplégico do livro anterior. Na Rússia, outro robô, MOGUERA, foi construído com a intenção de proteger o pais contra Anguirus, que está atacando plataformas de petróleo no Mar Caspião. O controle do robô é manual, e a pilota principal é Nadia, uma ginasta olímpica. Em Mongólia, um senhor de guerra insano, Kulgan Khan, descobre o corpo de King Ghidorah nas montanhas onde o famoso Genghis Khan foi sepultado. Para ele, isso é um sinal que ele deveria continuar o sonho do seu antecessor de dominar a Ásia...com a ajuda do monstro tricéfalo.
 
Ao mesmo tempo, em Montana, EUA, uma tribo de índios estão discutindo entre si sobre a possibilidade de construir um casino nas terras sagradas da reserva. O filho do Pajé, Jack, não acha isso uma boa ideia e prefere abrir a velha mina, onde ele acha que tem uma camada de urânio. Segundo a lenda local, a região da mina é onde foi descoberto a “Rocha Búfalo”, um crânio de um monstro pré-histórico que recebeu o nome popular de Baragon. Para quem conhece filmes de monstro, isso só pode significar uma coisa...
 
Finalmente, o Godzilla sai da cratera de Krakatau na Indonésia e inicia um percurso de volta para Japão.
 
O maior ponto fraco do livro é (mais uma vez) o Rodan. Rodan aparece brevemente para atacar os EUA antes de botar outro ovo. Como Godzilla 2000, ele nunca interage com os personagens principais ou com os outros monstros. É triste dizer isso, mas o Rodan e o Mothra são os dois elos fracos da série, quando falamos de monstros. Baragon, porem, é mais interessante. Como o Varan em Godzilla 2000, uma boa parte do livro acompanha o seu enredo e o fato do monstro ser menos conhecido entre os monstros do Toho faz a trama ser mais marcante. O fato que o contexto dessa parte da história, incorporando assuntos sociais referente aos índios americanos numa história de monstro gigante, é original ajuda muito.
 
Além do enredo do Baragon, a história de MOGUERA e Anguirus na Rússia ocupa boa parte do livro. Fãs do dinossauro espinhoso irão gostar que o Anguirus se demonstra capaz de lutar contra um robô cheio de armas avançadas, e quase ganhar. A história  de MOGUERA ganha uma reviravolta durante a última luta em Tóquio, o que acaba por completar o ciclo de desenvolvimento dos personagens, principalmente a Nadia. Muita atenção é dada para Michael Sullivan e Mechagodzilla durante os primeiros capítulos, mas eles desapareçam da trama e só voltam nos últimos dois capítulos para lutar contra Baragon e depois contra Mechagodzilla. Isso diminui a majestade do monstro robô, pois se torna apenas uma arma militar a mais, e não um personagem em si. Godzilla também sofre no meio do caos de monstros, personagens e tramas conflitantes, pois ele sai do vulcão, destrói alguns navios, e depois tem nada a fazer até a última luta. Até a destruição da China pelo Mecha King Ghidorah parece abreviada e apressada, como se o Cerasini tivesse que cumprir o prazo para terminar o livro e correu até última luta o mais rápido possível.  
 
Como as outras sequências a Godzilla Returns, o elenco do livro é uma mistura de personagens novos e velhos. O canal INN, cujos personagens foram um dos vínculos principais entre os livros, está quase ausente desta história, a não ser uma breve menção de Brian Shimura durante a última luta. A Robin Halliday e o Nick Gordon dão um sumiço do enredo. O G-Force, que quase não foi nem mencionado em Godzilla At World’s End, volta a ter participação aqui, já que construiu Mechagodzilla. Estranho é que o Pierce e Kip, os dois pilotos principais em Godzilla 2000, não retornam. A Profetista do Destino, que teve uma pequena participação no segundo livro, também faz um participação especial aqui, suprindo o misticismo na ausência da Mothra (graças ao Cerasini). Se for para escolher quem são os protagonistas principais, seriam a Nadia (do segmento de MOGUERA) e o Jack (do segmento de Baragon), que mais crescem como pessoas durante a trama (embora o segundo não participe na última batalha).
 
Em sumo: o livro precisava de menos monstros, menos personagens e mais foco.

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