quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Monsters from the Movies

Monsters from the Movies

Autor: Thomas G. Aylesworth
Ano de Publicação: 1972
Editora: J. B. Lippincott Company
Páginas: 160




 
 
Agora tentem descobrir todos os erros fatuais que há nessas páginas.

terça-feira, 25 de agosto de 2015

Godzilla vs the Robot Monsters - Uma Resenha

Godzilla vs the Robot Monsters
 
Autor: Marc Cerasini
Ano de Publicação: 1998             
Editora: Random House
Páginas: 279 (mais um glossário de monstros e trecho de Godzilla and the Lost Continent)
 
Infelizmente, Godzilla vs the Robot Monsters foi o último livro na série de livros de Godzilla escritos para o público adolescente e jovem adulto. O quinto livro, Godzilla and the Last Continent, foi cancelado, e o mundo criado pelo Cerasini termina com uma questão importante não respondida: o que será o destino final do Godzilla? Há bastante ação, e as virtudes do estilo de Cerasini se manifestam outra vez neste livro, embora as falhas evidentes nos dois livros anteriores atingem o seu auge. O resultado é um livro simultaneamente divertido e frustrante, o que não alcança o níveis de Godzilla 2000 e Godzilla At World’s End.
 
Há nada menos que seis histórias diferentes que fazem parte do enredo, embora nem todos irão convergir da maneira adequada. Por um lado, o G-Force (do livro Godzilla 2000) está construindo uma versão mecanizada de Godzilla, Mechagodzilla, para defender o mundo contra as ameaças kaiju. Um sistema de realidade virtual foi desenvolvido para controlar o monstro, mas ninguém conseguiu fazê-lo funcionar...a não ser Michael Sullivan, o hacker paraplégico do livro anterior. Na Rússia, outro robô, MOGUERA, foi construído com a intenção de proteger o pais contra Anguirus, que está atacando plataformas de petróleo no Mar Caspião. O controle do robô é manual, e a pilota principal é Nadia, uma ginasta olímpica. Em Mongólia, um senhor de guerra insano, Kulgan Khan, descobre o corpo de King Ghidorah nas montanhas onde o famoso Genghis Khan foi sepultado. Para ele, isso é um sinal que ele deveria continuar o sonho do seu antecessor de dominar a Ásia...com a ajuda do monstro tricéfalo.
 
Ao mesmo tempo, em Montana, EUA, uma tribo de índios estão discutindo entre si sobre a possibilidade de construir um casino nas terras sagradas da reserva. O filho do Pajé, Jack, não acha isso uma boa ideia e prefere abrir a velha mina, onde ele acha que tem uma camada de urânio. Segundo a lenda local, a região da mina é onde foi descoberto a “Rocha Búfalo”, um crânio de um monstro pré-histórico que recebeu o nome popular de Baragon. Para quem conhece filmes de monstro, isso só pode significar uma coisa...
 
Finalmente, o Godzilla sai da cratera de Krakatau na Indonésia e inicia um percurso de volta para Japão.
 
O maior ponto fraco do livro é (mais uma vez) o Rodan. Rodan aparece brevemente para atacar os EUA antes de botar outro ovo. Como Godzilla 2000, ele nunca interage com os personagens principais ou com os outros monstros. É triste dizer isso, mas o Rodan e o Mothra são os dois elos fracos da série, quando falamos de monstros. Baragon, porem, é mais interessante. Como o Varan em Godzilla 2000, uma boa parte do livro acompanha o seu enredo e o fato do monstro ser menos conhecido entre os monstros do Toho faz a trama ser mais marcante. O fato que o contexto dessa parte da história, incorporando assuntos sociais referente aos índios americanos numa história de monstro gigante, é original ajuda muito.
 
Além do enredo do Baragon, a história de MOGUERA e Anguirus na Rússia ocupa boa parte do livro. Fãs do dinossauro espinhoso irão gostar que o Anguirus se demonstra capaz de lutar contra um robô cheio de armas avançadas, e quase ganhar. A história  de MOGUERA ganha uma reviravolta durante a última luta em Tóquio, o que acaba por completar o ciclo de desenvolvimento dos personagens, principalmente a Nadia. Muita atenção é dada para Michael Sullivan e Mechagodzilla durante os primeiros capítulos, mas eles desapareçam da trama e só voltam nos últimos dois capítulos para lutar contra Baragon e depois contra Mechagodzilla. Isso diminui a majestade do monstro robô, pois se torna apenas uma arma militar a mais, e não um personagem em si. Godzilla também sofre no meio do caos de monstros, personagens e tramas conflitantes, pois ele sai do vulcão, destrói alguns navios, e depois tem nada a fazer até a última luta. Até a destruição da China pelo Mecha King Ghidorah parece abreviada e apressada, como se o Cerasini tivesse que cumprir o prazo para terminar o livro e correu até última luta o mais rápido possível.  
 
Como as outras sequências a Godzilla Returns, o elenco do livro é uma mistura de personagens novos e velhos. O canal INN, cujos personagens foram um dos vínculos principais entre os livros, está quase ausente desta história, a não ser uma breve menção de Brian Shimura durante a última luta. A Robin Halliday e o Nick Gordon dão um sumiço do enredo. O G-Force, que quase não foi nem mencionado em Godzilla At World’s End, volta a ter participação aqui, já que construiu Mechagodzilla. Estranho é que o Pierce e Kip, os dois pilotos principais em Godzilla 2000, não retornam. A Profetista do Destino, que teve uma pequena participação no segundo livro, também faz um participação especial aqui, suprindo o misticismo na ausência da Mothra (graças ao Cerasini). Se for para escolher quem são os protagonistas principais, seriam a Nadia (do segmento de MOGUERA) e o Jack (do segmento de Baragon), que mais crescem como pessoas durante a trama (embora o segundo não participe na última batalha).
 
Em sumo: o livro precisava de menos monstros, menos personagens e mais foco.

domingo, 23 de agosto de 2015

A Vingança de Godzilla (1969)

A Vingança de Godzilla (1969)

Título(s) em Inglês: Godzilla's Revenge; All Monsters Attack

Elenco:  Kenji Sahara, Hideyo Amamoto, Sachio Sakai, Kazuo Suzuki, Tomonori Yazaki, Machiko Naka

Diretor: Ishiro Honda

Produtor: Tomoyuki Tanaka

A Vingança de Godzilla é filme notório entre os fãs. Para muitos, é o *pior* filme Godzilla já produzido. Para outros, é o segundo pior após o Godzilla (1998). Para mais alguns, está entre os piores cinco, sem sombra de dúvida. Para mim, o filme tem certo valor emocional e nostálgico que quase impossibilita uma classificação com os outros filmes.

Quando estava na terceira série, levei emprestado o livro Godzilla de Ian Thorne, livre que, para muitos da minha geração, foi o primeiro "fonte" de informações sobre a série de Godzilla organizado num livro. Infelizmente, estava claro que o Thorne escreveu o livro baseado em parte por lembranças desses filmes, pois quando falou de A Vingança de Godzilla, ele falou que o filme foi sobre um rapaz que sofria abuso com seus pais e que o filme terminou com os pais prometendo a nunca mais abusá-lo. Não foi bem assim quando finalmente assisti o filme.

Adquiri o filme no verão de 1991 durante uma visita ao shopping (provavelmente em Pleasanton, embora poderia ter sido em Modesto). Estava a venda por apenas 10 dólares e foi a primeira vez que eu o vi na prateleira. Acordei bem cedo no próximo dia para assistir. Não foi aquilo que esperei. Mas, por ser um filme curto, consegui assistir uma segunda vez em seguido antes dos meus irmãos acordarem. Poucas horas depois, foi na casa do meu amigo Dante no outro lado da rua e assisti com ele. Mais ainda, esse foi o filme que usei para tentar converter os meus amigos da quarta série para Godzilla, embora não funcionou.

O filme conta a história de Ichiro (Tomonori Yazaki), uma criança alienada pelos pais (que trabalham demais) e por seus colegas (ele sofre bullying por um grupo de rapazes liderado por um garoto chamado Gabara). Ele passa muito tempo sozinho em casa, e a única pessoa que consegue simpatizar com ele é um inventor de brinquedos, Manami (Hideyo Amamoto, A Fuga de King Kong). O mecanismo que o Ichiro desenvolveu para lidar com a solidão é imaginar que ele vai para a Ilha Ogasawara, também conhecida como a Ilha dos Monstros. Lá, ele faz amizade com Minya, o filho de Godzilla (nos sonhos do Ichiro, Minya para mudar de tamanho e falar--na versão japonesa, ele tem voz de menina; na versão americana, ele tem voz de caipira).  Daí o motivo do desgosto que os fãs sentem pelo filme: as aventuras dos dois consistem principalmente em assistir as lutas do Godzilla, que são cenas reutilizadas de Ebirah, Horror do Abismo e O Filho de Godzilla. As únicas cenas novas envolvem o monstro Gabara, o monstro valentão que atormenta Minya. Está vendo um paralelo aqui?

Durante um dos seus passeios pelo distrito industrial onde ele mora, o Ichiro entra numa fábrica abandonada. Ele acha uma carteira descartada...bem, não exatamente. A carteira pertence a um de dois ladrões que acabou de roubar 50 milhões de ienes de um banco, que agora estão escondendo da polícia. Os ladrões conseguem descobrir onde Ichiro mora o sequestram. Então, o garoto coloca em prática as lições que aprendeu na Ilha dos Monstros para se livrar dos bandidos idiotas. Espera aí!!! Um garoto? Que se defende contra dois bandidos? Num lugar solitário? Nossa, A Vingança de Godzilla na verdade é o protótipo de Esqueceram de Mim!!!!

Capa da fita VHS que eu tinha
A origem do filme é interessante. O cinema em Japão estava sofrendo muito na segunda metade dos anos 60 por causa da televisão e o sucesso de shows como Ultraman, Ultra 7, Vingadores do Espaço e outros programas. Afinal, agora as crianças poderiam assistir monstros gigantes em casa na televisão colorida. (OBS: esse fenômeno afetou o cinema japonês como um todo, e não apenas os filmes de monstro) No entanto, o estúdio Toei achou sucesso no cinema com uma maratona que passava no cinema (principalmente nos fins de semana) que consistia em episódios de alguns desenhos e talvez um filme de desenho animado. Assim, os pais podiam deixar as crianças no cinema por algumas horas enquanto faziam compras ou algo assim (foi assim que os filmes de Dragon Ball Z foram lançados no cinema japonês).

Então, o estúdio Toho começou a fazer a mesma coisa. Trabalhando como Tsuburaya Productions, que criou Ultraman, eles fizeram uma espécie maratona de programas juvenis para as crianças assistirem no cinema como um único pacote. Teria alguns episódios de Ultraman e um filme curto. Alguns desses foram filmes antigos de Godzilla editados para 70 minutos. Daí, o produtor Tomoyuki Tanaka resolveu seguir os passos de Gamera e fazer um filme novo, mas que poderia reciclar cenas de outros filmes. Assim a produção seria muito mais barata. O resultado foi este filme. Com o passar dos anos, essas maratonas cinemáticas de programas para crianças fizeram tanto sucesso que os cinemas começaram a pedir novos filmes, o que levou à ressurreição da série Godzilla em 1971.

Entendendo o contexto em que A Vingança de Godzilla foi produzido e aceitando-o não como filme de Godzilla, mas um filme sobre uma criança que gosta de Godzilla, é possível apreciá-lo pelo que realmente é. O filme é um comentário sobre o desenvolvimento econômico japonês na década de 60 e 70, e o efeito que teve sobre as crianças. Muitos pais da classe médio tinham que trabalhar, às vezes dois turnos em seguido, para sustentar a família e seus filhos cresciam como "latchkey kids" (i.e. crianças que voltam sozinhos da escola que ficaram sozinhas em casa até que os pais chegaram). As primeiras imagens do filme é do Ichiro e uma coleguinha da escola andando sem supervisão de adultos no meio do cacofonia de carros e caminhões que caracterizava a região industrial de qualquer cidade grande em Japão. A encrenca que o menino arruma com os ladrões começa pela falta de um adulto que poderia impedi-lo de brincar num prédio abandonado. Algumas famílias tinham um avô presente para ajudar, mas o Ichiro só tem o Manami, que ainda tem que trabalhar (mesmo em casa).

A Vingança de Godzilla no final é um filme charmoso e fascinante de assistir, embora diferente dos demais e faltando em cenas originais de efeitos especiais. Dito isso, prefiro a versão americana à versão japonesa. O Minya caipira tem mais personalidade do que o Minya japonês, e a música que toca no começo da versão dublada é mais legal e funky do que a canção infantil irritante que se ouve na versão japonesa.

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Godzilla At World's End - Uma Resenha

Godzilla At World's End

Autor: Marc Cersasini
Ano de Publicação: 1998
Editora: Random House
Páginas: 323

Godzilla At World's End, o terceiro livro na série de romances de Godzilla escritos para fãs e adolescentes, é uma obra bastante ambiciosa do Cerasini, até mais do que o livro anterior, Godzilla 2000. Além de aumentar o escopo do perigo (o mundo inteiro entra em colapse neste livro), o Cerasini homenageia não apenas os filmes japoneses de ficção científica, mas também as obras literárias de Jules Verne, Edgar Rice Burroughs e H.P. Lovecraft.

Em Godzilla 2000, uma das protagonistas secundárias foi uma jovem repórter chamada Robin Halliday. O personagem dela passou o livro acompanhando a destruição realizada pelo monstro Varan. Quase um ano após os eventos do livro, ela agora é apresentadora de um show chamado Teen Beat, um tipo jornal de televisão voltado para adolescentes. Um dos projetos dela é o lançamento de um dirigível, o Destiny Explorer, com uma tripulação que inclui quatro jovens gênios, vencedores de um concurso de ciência. Os participantes são Leena Sims (engenharia de computação), Michael Sullvian (um hacker), Peter Blackwater (botânica) e Ned Landson (biologia marinha). Os quatro jovens são acompanhados na viagem pela Halliday, o Nick Gordon (dos outros dois livros), e a tripulação técnica do dirigível, inclusive Shelly Townsend, outra jovem e filha do engenheiro que desenhou o navio.

Durante a viagem, vários monstros surgem de Antártida e começam a destruir cidades em continentes diferentes. Um besouro mutante, Megalon, ataca Lima, Peru. Gigan, um cyborg, destrói todos os satélites em órbita antes de trazer o seu reino de fogo para Rússia. Manda, um serpente gigante, surge das águas do South China Sea para atacar Xangai. Finalmente, Hedorah, um monstro feito de gosmo e poluição, traz a morte para Osaka. Enquanto um contingente de monstros "bons", como Godzilla, luta contra essas aberrações, o Destiny Explorer adquire mais passageiros: um pelotão de soldados americanos. A missão: ir até Antártida e descobrir quem (ou o que) criou esses monstros.

Fora dos monstros japoneses, a maior influência sobre o Cerasini neste livro é o H.P. Lovecraft. O cenário em Antártida e a presença de "Anciões" monstruosos habitando abaixo do gelo naquele continente é uma homenagem ao romance Nas Montanhas da Loucura. Cerasini também inclui a universidade fictícia Miskatonic University, que aparece em boa parte dos contos do Lovecraft (e outros contribuintes à Mitologia de Cthulhu). O autor até faz menção ao artista Nicholas Roerich, algo que apenas os fãs hardcore do Lovecraft irão perceber. A viagem num dirigível e o personagem Ned Landson são homenagens às obras do Jules Verne, além da ideia da terra oca (também popular nos escritos de Edgar Rice Burroughs).

A vantagem que este livro tem sobre o último livro é que o enredo é mais focado. Todos os monstros do mal têm a mesma origem, então a história evita a sensação que é nada mais do que uma série de eventos ataques aleatórios por monstros diferentes. Além disso, os personagens principais também habitam o mesmo espaço geográfico durante boa parte do livro, então a trama parece estar mais "unida". Também, há mais luta entre monstros para fãs desse tipo de coisa (nem consigo imaginar quem seria). Na verdade, a estrutura do livro me lembra muito de um protótipo para o filme Godzilla: A Batalha Final (a destruição do mundo, uma parte da trama que ocorre em Antártida, a ideia de Godzilla viajando de cidade em cidade para lutar com monstros diferentes, etc.).

Há algumas falhas na trama, porém. Mais uma vez, há tantos protagonistas que é difícil saber quem é o principal no final. No começo, há toda indicação que será a Robin Halliday (e o Nick Gordon). Depois, parece que vão ser os quatro jovens gênios. Mais para frente, a Shelly Townsend e Sean Brennan (líder do pelotão) recebem mais atenção do autor. A protagonista que desenvolve mais como personagem é a Leena Sims, mas ela passa boa parte do livro trancada no seu quarto dentro do Destiny Explorer.

Da mesma forma, Cerasini coloca nada menos do que dez monstros no entrecho. Alguns deles, como Megalon e Gigan, deixam uma forte impressão. Outros, como Battra e Rodan, aparecem só para ter uma luta breve, e depois somem completamente da trama. O pior (mais uma vez) é a Mothra, que aparece uma vez nos sonhos da Leena e a adverte sobre o que há em Antártida, mas não faz nada depois disso. Cerasini poderia ter tirado a Mothra facilmente da série como um todo sem perder nada da história. Alguns leitores podem não gostar da batalha inconclusiva entre Godzilla e Biollante, um favorite dos fãs, no final.

Como sempre, as descrições de armas militares do Cerasini e as cenas de ação são extremamente bem escritas. Os detalhes referentes aos locais geográficos também são bastante impressionantes. O Cerasini realmente fez a lição de casa em preparação para este livro, bem como os outros dois. E, mais importante, o livro nos lembra de quão horroroso é estar no meio de um assalto por um monstro gigante (ex. quando a marinha chinesa ataca a Manda, que está enrolada em volta de um prédio, e mata centenas com balas perdidas).

Como os outros livro Godzilla At World's End não é perfeito, mas é uma ótima aventura para fãs de monstros e ficção científica em geral.

terça-feira, 18 de agosto de 2015

Godzilla 2000 (livro): Uma Resenha

Godzilla 2000

Autor: Marc Cerasini
Ano de Publicação: 1997
Editora: Random House
Páginas: 324


A história de Godzilla 2000 começa apenas algumas meses após os eventos de Godzilla Returns. Almejando uma escala bem maior do que o primeiro livro, o Cerasini nos dá um livro com várias tramas diferentes, (quase) todas interligadas pela presença do G-Force, uma organização militar composta de jovens com o intuito de proteger os EUA do Godzilla e qualquer kaiju que poderia surgir. A maneira de recrutar jovens é bastante interessante: um vídeo game popular nas fliperamas com câmeras escondidas que identificam os jogadores mais talentosos e investigam a sua vida, sem que eles saberem! O último recruto desse processo é o Kip Daniels, um jovem de uma família desestruturada morando nos guetos de Los Angeles. Ele logo se torna o membro mais talentoso da equipe, embora o seu receio moral em lutar contra Godzilla ameaça a união do time.

Durante o treinamento do G-Force, uma praga de monstros desce sobre a terra. Dois monstros pré-históricos aparecem na América do Norte: Rodan, um “pássaro de trovão” mítico aparece no Ártico e voa em direção a Canadá; e Varan, um lagarto gigantesco que ataca o México. Além disso, Godzilla volta das profundezas do Oceano Pacífico e nada rumo à Califórnia. Mas isso não é tudo. Astrónomos descobrem que um grupo de asteroides, o mesmo que atingiu a terra no final da Era Cretácea, encerrando o reinado dos dinossauros, está vindo em direção à Terra. Pouco tempo depois da sua descoberta, uma raça de louva-deus gigante surge no central dos Estados Unidos. E, por falar em insetos gigantes, Lori Angelo, membro do G-Force, começa a sonhar com uma entidade chamada Mothra (vindo de “moth”, que significa “mariposa” em inglês). Mas tudo isso é apenas o começo. Há uma celebridade em Hollywood, um médio que usa o apelido “A Profetista do Destino”, que começa a sonhar com a vinda do Rei do Terror: um monstro conhecido como King Ghidorah.

De um livro para outro, o Cerasini aumenta o seu fardo de escrever sobre apenas um monstro para seis monstros no mesmo livro. Isso é bom e ruim. Por um lado, fãs dos filmes de Godzilla irão se divertir muito com as novas interpretações dos monstros clássicos, principalmente o Varan, que recebeu pouco amor por fãs e cineastas e agora é um dos monstros principais do livro. Depois do Godzilla, ele é o segundo monstro que mais tem uma arca dentro da história. Eu pessoalmente gosto muito dele, e o fato que ele ocupa boa parte dos primeiro e segundo atos livro foi um ponto bastante positivo para mim. Também gostei na nova interpretação do G-Force, entidade que apareceu tanto nos quadrinhos publicados pela editora Dark Horse quanto nos filmes dos anos 90. Como no livro anterior, as cenas de ação têm bastante detalhe militar, e o Cerasini não poupa esforço em nomear cada arma, jata, tanque e míssil que é utilizado nas frequentes batalhas entre o exército americano e os monstros. Bastante interessante é que a história de Godzilla entrando nos Estados Unidos via San Francisco e atravessando o país para enfrentar o seu inimigo mortal, King Ghidorah, em NYC é bastante parecido como o roteiro do projeto Godzilla vs. The Gryphon.

As interpretações dos monstros é de assustar, outro ponto no favor do livro. Os filmes de Godzilla de qualquer época são bastante divertidos, mas raramente são capazes de assustar uma criança acima de 6 ou 7 anos. Talvez por não ter uma classificação como filmes, mas Cerasini tem mais liberdade de escrever como um ataque de um monstro gigante realmente seria. E como o filme Cloverfield: Monstro (2008), não é muito divertido não. Milhares de pessoas morrem no livro. Os Kamacuras, os louva-deus gigantes, devoram os habitantes de várias cidadezinhas. Varan faz a mesma coisa. Godzilla traz consigo não apenas a destruição, mas a doença de radiação para qualquer pessoa azarenta que estiver perto dele. King Ghidorah reduz cidades inteiros a cinzas numa questão de minutos. E o Marc Cerasini nunca deixa de nos lembrar que aqueles soldados infelizes convocados para lutar contra os kaiju são pessoas e não meros figurinos sem nome.

Apesar da diversão do livro, ele não é perfeito. Há tanta coisa acontecendo, com tantos monstros destruindo o mundo, que vários aspectos da história parecem ser subdesenvolvidos. O pior é o Rodan, cuja trama, desde a sua origem até a sua saída, é completamente desligada do resto dos eventos da história. Em outras palavras, o livro não sentiria falta nenhuma do Rodan se fosse tirado. A mesma reclamação poderia ser feita contra Kamacuras, embora a origem deles está relacionado à origem do King Ghidorah. E, mais importante, a batalha aérea entre eles e a Fora Aérea americana é extremamente legal (e um dos poucos momentos em que os humanos têm chance contra os monstros). Outra reclamação que tenho é contra Mothra. Apesar da sua presença ser mais ou menos constante pela duração do livro, a sua “grande” contribuição à trama é “ela tinha que guiar o Godzilla até NYC.” Suponho que isso faz sentido se supor que o Japão era o território natural dele, mas isso poderia ser feito através de outro mecanismo de história sem introduzir outro monstro à história. Se o seu papel contra King Ghidorah fosse maior, talvez iria justificar a sua presença no livro.

Outra observação eu já fiz é que há muitos personagens secundários neste livro. Quase toda pessoa que aparece no livro é dado um nome e (pelo menos) uma motivação e/ou breve biografia. Muitos personagens são introduzidos no começo do capítulo, só para morrer dentro de dez páginas. Isso não seria estranho (pois lembrar-nos que os monstros estão matando pessoas faz o livro ser mais assustador), só que o epílogo conta o “depois” de personagens que apareceram por uma ou duas páginas, e, em um caso, de alguém que simplesmente foi mencionado por nome no livro. Vale mencionar que alguns personagens do livro anterior, como Nick Gordon, Emiko Takado e Brian Shimura voltam brevemente neste livro. Shimura, que nem foi muito interessante em Godzilla Returns, não faz nada interessante aqui. Nick Gordon tem papel um pouco mais importante, principalmente no final. Emiko Takado sofreu uma mudança bizarra, pois agora não é mais Tenente Emiko Takado do exército e sim Dra. Emiko Takado, kaijuóloga.

Apesar das minhas críticas, Godzilla 2000 é uma leitura imprescindível para fãs (que falam/lêem inglês, pois não foi traduzido para Português).

sábado, 15 de agosto de 2015

Godzilla Returns: Uma Resenha

Godzilla Returns

Autor: Marc Cerasini
Ano: 1996
Editora: Random House
Páginas: 234

Diferente do que o filme mais recente de Godzilla, o primeiro filme americano do Godzilla desfrutou de um pleno blitz de marketing, um dos maiores de qualquer filme já feito. Prateleira após prateleira estavam cheias de novos brinquedos (de vários tamanhos) de Godzilla e os personagens do filme. Prédios, ônibus e outros lugares públicos foram enfeitados com faixas com mensagens como "Size Does Matter" (Tamanho é documento) e "He is Bigger Than this Bus" (Ele é maior do que este ônibus) e tal. Tri-Star Pictures finalmente adquiriu os direitos para os filmes japoneses de Godzilla produzidos no anos 90, os quais foram lançados em fita pela primeira vez nos EUA (antes, tinha que comprar versões piratas de vendedores como Video Daikaiju, Revok e Far East Flix).

E tem a parte de literatura. Além dos livros diretamente associados com a produção e estreia do filme em si, livros de ficção sobre o Godzilla japonês também foram publicados. Houve uma série de livros para crianças pequenas, como Godzilla Likes to Roar e Who's Afraid of Godzilla. Para crianças da segunda/terceira série, houve uma série de livros escritos por Scott Ciencin, como Godzilla: King of the Monsters e Godzilla Invades América. Também havia uma série de romances de Godzilla direcionado para adolescentes e fãs mais velhos, escritos por Marc Cerasini (que escreveu vários livros sobre Guerra das Estrelas; Kim Possível; a série 24; histórias em prosa sobre Wolverine, e mais). Quatro livros foram publicados, mas o quinto e último livro, Godzilla and the Lost Continent, foi cancelado depois da tamanho decepção do filme Godzilla (1998) por fãs e críticos. Godzilla Returns foi o primeiro livro na série.

A história é simples. Após a morte da sua mãe, Brian Shimura, um estudante de jornalismo, aceita um estágio para o canal INN em Japão, a terra de seus antepassados. Ele sabe nada da cultura, e espera uma oportunidade de crescer não apenas profissionalmente, mas como uma pessoa também. Ele logo faz amizade com o branco Nick Gordon, outro jovem com aspirações para ser uma jornalista de ciência. Após a destruição de alguns navios na região, inclusive uma balsa coreana, fica claro de que o Godzilla está de volta pela primeira vez desde o seu ataque inicial em Japão em 1954. Shimura e Gordon são convocados para acompanhar as tentativas de combater o monstro, em parte porque o tio do Brian, Almirante Willis, está encarregado com a tarefa. Daí começa uma aventura que os colocará face a face com a morte, várias vezes.

Em muitas maneiras, a trama é bastante parecida como a do filme Godzilla 1985. Pode se dizer que este livro é uma "refilmagem literária" desse filme. Ambos tratam do mesmo assunto: a volta do Godzilla ao Japão depois de várias décadas. Os dois contam com protagonistas que são da imprensa, a destruição de um submarino nuclear russo, e um plano final para acabar com o reinado de terror do monstro através de um sinal que imita a frequência de pássaros. No entanto, este livro é muito mais excitante do que aquele filme, com mais ação e batalhas militares entre Godzilla e o exército, e uma coisa que o Cerasini sabe fazer bem é escrever sobre batalhas e armas militares. O autor demonstra o seu amplo conhecimento do assunto através de descrições detalhadas de todas as armas, misseis, bombas e veículos utilizados no combate contra o monstro.

Os personagens são carismáticos, embora um pouco rasos, principalmente o protagonista principal Brian Shimura. Não há muito crescimento no personagem dele e na maior parte da história, ele simplesmente está seguindo a onda. Gordon, o jornalista ambicioso e amigo do Brian, é mais interessante e animado do que Shimura, e participa das cenas mais arrepiantes do livro. É interessante que essa ideia dos protagonistas serem jornalistas que passam a história inteira seguindo a destruição em nome de mostrar notícias ao mundo seria utilizada anos depois por Toho para o filme Godzilla, Mothra, King Ghidorah: Giant Monsters All-Out Attack (2001).

Apesar de alguns personagens mais fracos, o Cerasini sabe não apenas escrever ação, ele demonstra um conhecimento forte do assunto: Godzilla. O livro faz menção várias vezes do filme Godzilla: O Monstro do Mar/Godzilla: O Rei dos Monstros (1956). No universo que o Cerasini cria, os eventos daquele filme aconteceram, o personagem Steve Martin existia, e até o filme existe, feito como um "docu-drama" do ataque. Também há personagens com nomes que lembram os personagens do filme e as pessoas que trabalharam nos bastidores. Um dos personagens principais do livro é uma soldada chamada Emiko (Emiko foi o nome do personagem principal do filme Gojira) e há outros soldados com nomes como Ogata (homenagem ao personagem de Akira Takarada em Gojira) e Tsuburaya (diretor de efeitos especiais nos filmes japoneses de ficção e fantasia de 1954 até 1969).

O livro não está disponível em Português, e pode ser um pouco caro comprar nos EUA. Mas se sabe ler inglês e tem dinheiro de sobra, vale o investimento. É muito divertido ler!

sábado, 8 de agosto de 2015

King Kong X Godzilla Parte 2: O Filme

King Kong X Godzilla (1962)

Elenco: Kenji Sahara, Tadao Takashima, Mie Hama, Ichiro Arishima, Yu Fujiki, Akiko Wakabayashi, Michael Keith, Harry Holcombe, James Yagi, Jun Tazaki, Akihiko Hirata

Diretor: Ishiro Honda, Thomas Montgomery (cenas americanas)

Produtor: Tomoyuki Tanaka, John Beck (cenas americanas)

Sinopse: Um submarino americano carregando consigo uma equipe de cientistas da ONU é despachado para o Oceano Ártico para investigar o aquecimento das águas da região. Em Japão, o dono de um canal de TV e uma empresa farmacêutica envia dos funcionários, Sakurai (Tadao Takashima) e Furue (Yu Fujiki) dele para a Ilha Faro, onde há relatos que um "deus misterioso", descrito como sendo um monstro gigante, habita na ilha. O dono, Sr. Tako (Ichiro Arishima) espera aumentar a publicidade do seu canal trazendo esse monstro para Japão. O submarino chega no Ártico e descobre (fatalmente) que a causa da temperatura elevada das águas é Godzilla, que estava emprisionado num iceberg. O monstro pré-histórico escapa e nada até Japão. Na Ilha Faro, o deus se revela a ser King Kong, o macaco gigante. Ele é levado até Japão, onde um encontro com Godzilla é iminente.

É difícil escrever sobre este filme, já que nunca assisti a versão japonesa, que foi feito como uma sátira da modernização econômica de Japão na era pós-Segunda Guerra Mundial. Popular na década de 60 foi o subgênero de comédia chamado "salaryman comedy", ou comédia do homem assalariado. A premissa desses filmes é que há uma empresa em que o chefe tem uma ideia maluca para ganhar dinheiro, empregando um coitado subordinando para implementar essa ideia. No caso, é exemplificado pelo Sr. Tako mandar o Sakurai buscar um monstro e trazê-lo para Japão. Até o ator Ichiro Arishima era conhecido nessa época mais por seus filmes de comédia, alguns dos quais chegaram até Brasil (O Dedo de Ferro; Entre o Amor e Futebol).

Quando o John Beck trouxe o filme para os Estados Unidos, a sátira e os elementos "locais" do roteiro não traduziram bem com ele. Então, como muitos outros importadores desses filmes, ele resolveu fazer algumas alterações. Boa parte da história humana do filme foi cortado e cenas novas foram filmadas. Nessas cenas, um jornalista da ONU, Eric Carter (Michael Keith), aparece numa sala (barata) e comenta nos eventos do filme. As vezes ele entrevista um paleontólgo, Dr. Johnson (Harry Holcombe), para a sua opinião "científica" do que está acontecendo. Há outro jornalista, Yutaka Omura (James Yagi), localizado no "escritório da ONU em Tóquio" (provavelmente a mesma sala em que as cenas do Eric Carter foram filmados) para comentar no que está acontecendo. Essas cenas criam uma atmosfera mais de um documentário, do que uma sátira.

Além disso, ele removeu quase a trilha sonora completa do Akira Ifukube (menos as músicas tribais) e colocou música de outros filme no seu lugar, como de O Monstro da Lagoa Negra e O Monstro que Desafiou o Mundo. Na versão japonesa, é a canção dos habitantes da Ilha Faro que é tocada na abertura do filme. Na versão americana, é a música de abertura de A Princesa e os Bárbaros (1951). Segundo August Ragone, o motivo é que Beck achava a música "oriental demais". Isso se trata de uma grande ironia, já que A Princesa e os Bárbaros tratava do Gengis Khan invadindo a Pérsia e a música era muito mais oriental do que os temas do Akira Ifukube. Devemos notar aqui que este filme marcou a introdução do rugido famoso do Godzilla e do seu tema musical.

O elenco japonês do filme é composto de vários veteranos do gênero. Fãs de 007 irão reconhecer Mie Hama (Fumiko) e Akiko Wakabayashi (Tammy) como as amantes do Sean Connery em Com 007 Só Se Vive Duas Vezes. Tadao Takashima foi o principal em Atragon (1963) e teve papeis importantes em Frankenstein Conquista o Mundo (1965) e Filho do Godzilla (1967).  Kenji Sahara não necessita de introdução, pois foi o principal na maioria dos filmes do Toho na década de 50 (Rodan, o Monstro Voador; Os Bábaros Invadem a Terra; O Monstro da Bomba H) e continuou sendo um ator importante durante a década de 60. Akihiko Hirata, o famoso Dr. Serizawa, aparece novamente como cientista, mas o papel dele existe apenas para discutir com o primeiro ministro sobre usar a bomba atômica contra o Godzilla.

Os efeitos especiais estão entre os piores da série, em parte porque grande parte do orçamento foi gasto só em comprar os direitos para King Kong (segundo Ragone, as cenas na Ilha Faro ia ser filmados em Sri Lanka, mas não deu dinheiro para isso). Marionetes são utilizados para cenas filmadas à grande distância durante a última luta e parecem como isso mesmo: marionetes. Stop motion é utilizado, quando Godzilla atinge o King Kong com um chute frontal que deixaria o Steven Seagal cheio de orgulho. A fantasia do Godzilla é excelente, pelo menos quando visto do lado. De frente, a sua aparência é meio bizarra. As fantasias do King Kong são pouco convincentes; o Tsuburaya e sua equipe fariam um trabalho melhor com monstros mamíferos em Invasão das Gargântuas. Mais dois monstros aparecem no filme: um polvo gigante que ataca o vilarejo na Ilha Faro (realizado através de três polvos reais e um modelo) e um lagarto de dois metros que também aparece na ilha. Fora disso, porém, as miniaturas são ótimas: e equipe construiu miniaturas da região do Monte Fuji, inclusive milhares de árvores pequenas, todas cheias de folhas. O mesmo trabalho foi feito para algumas cenas em Hokkaido antes do primeiro encontro dos dois monstros e na Ilha Faro.

Apesar da qualidade dos efeitos, o filme está cheio de ação, mesmo na sua forma mutilada disponível no Brasil. A chegada do submarino no Ártico é um dos momentos mais emocionantes da série inteira e a batalha entre o Godzilla e o exército japonês também é divertido. A luta final é uma das melhores lutas de monstro de todos os tempos. Haruo Nakajima, o Godzilla, observou praticantes de luta livre para poder coreografar essa última luta. E, como no filme anterior, os combatentes destroem um castelo tradicional japonês. E quando o filme termina, o Kong ganha...em ambas as versões do filme.

 


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quinta-feira, 6 de agosto de 2015

King Kong X Godzilla (1962) - Parte 1: A Origem

King Kong X Godzilla (1962) - Parte 1: A Origem
 
 
A história de King Kong X Godzilla começa com a carreira trágica de Willis O’Brien. O’Brien foi um dos pioneiros da técnica de efeitos especiais conhecida como “stop motion”. Stop motion é feito através de bonecas de massinha, em que a boneca é filmada uma fotograma por vez, com o técnico fazendo pequenos movimentos com a boneca antes de filmar a próxima fotograma. Ao juntar todas as fotogramas, dá-se a impressão de que a boneca está se mexendo sozinho. Willis O’Brien ganhou bastante fama durante a era de filmes mudos por suas curtas metragens utilizando dinossauros, como Dinosaur and the Missing Link (trad. Dinossauro e o Elo Perdido), que contem o primeiro dinossauro cinemático. Em 1925, o filme O Mundo Perdido estreou no cinema e fez bastante sucesso nas bilheterias. Isso abriu a porta para o seu próximo projeto, King Kong (1933). King Kong fez tanto sucesso que foi exibido nos cinemas mais duas vezes durante a década de 30, mais algumas vezes na década de 40 e no começo da década de 50.



É lógico que King Kong não seria o clássico do cinema mundial se não fosse pelos efeitos especiais montados pelo Willis O’Brien. Seria lógico imaginar que um sucesso desse tamanho garantiria trabalho para O’Brien pelo resto da sua carreira, mas isso não é o que aconteceu. Willis O’Brien passou quase trinta anos tentando elaborar, vender e realizar projetos de filmes de fantasia e de dinossauros, só para ser negado a oportunidade de replicar para o mundo o que ele havia feito pelo King Kong.

Alguns dos seus projetos não realizados incluíram:

- War Eagles (Águias de Guerra) – O roteiro tratava de uma expedição ao polo norte em que uma sociedade Viking é descoberta. Os Vikings andam de águias gigantes e dinossauros moram neste continente perdido também. No final, as águias iriam ajudar as pessoas proteger os EUA de invasores.

- Gwangi  – Um filme sobre a descoberta de um mundo perdido pré-histórico encontrado no Grand Canyon. A produção iniciou, mas foi impedido por uma troca na diretoria do estúdio RKO. Anos mais tarde, o seu sucessor, Ray Harryhausen, realizou o projeto em 1969. No Brasil foi lançado como O Vale Proibido (Valley of Gwangi em inglês).

- Valley of the Mists (Vale do Nevoeiro)/El Toro Estrada (O Touro Estrela) – Filme sobre o garoto mexicano cujo animal de estimação, um touro, luta contra um tiranossauro. A ideia não foi para frente, mas mais tarde, outro técnico de stop motion, Edward Nassour, tentou filmar a ideia. O filme foi produzido na década de 70, mas sem dinossauros.

  Na década de 50, Willis O’Brien achou trabalho em projetos de orçamento limitado como O Monstro Submarino (que copiou O Monstro do Mar e Godzilla, Rei dos Monstros) e O Escorpião Negro. Ele também participou no documentário Animal World. A ideia dele de juntar cowboys e dinossauros foi a base do roteiro de The Beast of Hollow Mountain (1956), dirigido por Edward Nassour. Nassour deu crédito para Willis O’Brien pela história, mas não o contratou para fazer os efeitos especiais.



Em 1960, O’Brien convenceu Irwin Allen, diretor de Animal World, a fazer uma refilmagem de O Mundo Perdido. Infelizmente, Allen optou para não usar stop motion para os dinossauros, notando o quanto esse tipo de efeito especial demorava para realizar. No final, lagartos com chifres de plásticos colados na cabeça e magnificados através de truques de fotografia foram usados como dinossauros. O’Brien ajudou um pouco com a fotografia, mas o resultado é longe do que ele havia imaginado.

No mesmo período, O’Brien teve mais uma ideia para um filme: trazer o King Kong de volta às telas. A ideia dele era para criar um oponente para o macaco enorme: um monstro criado a partir de vários animais africanos. O nome do projeto era King Kong vs. Prometheus. A origem do nome do oponente do Kong vinha do livro Frankenstein da Mary Shelley, cujo título completo é Frankenstein, ou, o Prometeu Moderno. Willis tentou vender a ideia para vários estúdios, mas sem sucesso. Quem finalmente comprou a história foi o John Beck, um ex-produtor de Universal Studios.

Beck levou a história para o estúdio Toho em Japão. Toho gostou da premissa do filme e da proposta do Beck, que incluiu distribuição nos EUA pelo Universal, mas acabou fazendo algumas alterações na história. O monstro de Frankenstein/Prometeu foi tirado, pois o Toho tinha outros planos para ele. King Kong permaneceu, mas Toho achava que necessitava de outro oponente. Que tal o mais famoso e lucrativo de seus monstros, Godzilla? Afinal de contas, Toho queria fazer algo grande para comemorar o aniversário de 30 anos do estúdio e King Kong foi o oponente ideal para ressuscitar a série de Godzilla, que não havia aparecido num filme desde 1955. Toho pagou um valor absurdo—200,000 dólares—para RKO (o estúdio que retinha os direitos de King Kong) para poder usá-lo no filme. O filme foi para frente e acabou vendendo o maior número de ingressos para um filme de Godzilla, tanto em Japão quanto nos EUA. E Willis O’Brien? Mais uma vez ele foi negado a oportunidade de mostrar a sua magia ao mundo.

Vai para Parte 2.


Bibliografia

Ashlin, Scott. "King Kong vs. Godzilla". 1000 Misspent Hours and Counting. Retrieved from http://www.1000misspenthours.com/reviews/reviewse-g/kingkongvsgodzilla.htm .

Ragone, August. (2007) Eiji Tsuburaya: Master of Monsters. San Francisco: Chronicle Books.

Van Hise, James. (1993) Hot-Blooded Dinosaur Movies. Las Vegas: Pioneer Books.

sábado, 1 de agosto de 2015

Godzilla vs. Gryphon - O Antecessor ao Godzilla '98

Godzilla vs. Gryphon - O Antecessor ao Godzilla '98
 
OBS: Esta postagem é uma tradução/resumo do artigo encontrado em Rodan's Roost
 
 
Arte conceitual do filme
No Oceano Ártico no litoral de Alasca, um navio está em busca de reatores nucleares descartados pela União Soviética durante a Guerra Fria. Um acidente ocorre causando uma enorme explosão. O gelo da região começa trincar, soltando uma substância vermelha que parece como sangue.
 
Keith Llewellyn, um cientista trabalhando com o governo americano, chega na cena do accidente para investigar. O "sangue" é colocado em barris e levado para o continente para estudo, que demonstra que o líquido é como fluido amniótico. Uma caverna é descoberta abaixo da fenda no gelo. Dentro dela, um enorme monstro é encontrado no gelo, com a sua cabeça sobressaindo do chão. Keith sobe em cima da criatura, notando a sua aparência parecida como um dinossauro. Neste momento, os olhos do monstro se abrem. O monstro se livra da sua prisão, matando todos dentro da caverna, inclusive o Keith. O monstro nada até as ilhas Kuril do Japão, destruindo um vilarejo. Um pescador sobrevivente chama a criatura de Godzilla, baseada num dragão lendário.
 
12 anos depois, criptozoólogo Aaron Vaught e seu assistente, Marty, entram escondido num hospício japonês para entrevistar o pescador. A polícia militar aparece para levar os dois embora, mas não antes de eles verem uns desenhos feitos pelo pescador mostrando dois monstros lutando entre si. Ao mesmo tempo, no estado de Kentucky nos Estados Unidos, um meteoro atinge um lago. A explosão levanta todos os animais da região, criando um dilúvio de peixes e rãs na cidade mais próxima.
 
Em Massachusetts, o governo americano estabelece o Projeto São Jorge, que tem por finalidade encontrar o Godzilla. Ele foi visto seis anos antes, quando destruiu um navio petroleiro. Aaron Vaught é convocado para o projeto, na esperança que um "especialista" em monstros irá impressionar o Congresso e liberar mais fundos para o projeto. Jill Llewellyn, a viúva de Keith, está encarregada com o projeto, mas não está contente de que vai ter que compartilhar a sua autoridade com Aaron. Para piorar a situação dela, a sua filha, Tina, é presa pela polícia militar ao tentar roubar um carro.
 
Numa caverna em Kentucky, uma massa viscosa metálica saindo do meteoro começa consumir e absorver os morcegos lá, soltando-os como monstros com envergaduras de 3 metros.
 
Jill, Aaron e Marty vão até a caverna em Alasca, onde o líquido amniótico começa a fluir novamente. O Aaron supõe que este foi o momento correto para o Godzilla acordar, mas a explosão adiantou o seu ressurgimento. Figuras desenhadas nas paredes da caverna sugerem que uma antiga, embora avançada sociedade, habitava na região. Durante a investigação da caverna, uma pequena criatura entra no pescoço do Marty, sem mesmo ele perceber.
 
Em Kentucky, há uma onda de mutilações de gado. Godzilla é localizado nadando em direção de San Francisco.
 
Uma base temporária para o Projeto São Jorge é montado no Presídio em San Francisco. Ao chegar em San Francisco, o Marty passa mal e é levado até um hospital. A marinha americana envia vários navios de guerra para impedir a sua chegada na cidade. O Godzilla emerge do mar em baixo de um dos navios, fazendo-o rachar no meio. Ele destrói os outros navios com um raio tão quente que ioniza o oxigênio. O Aaron conclui que o líquido amniótico foi utilizado para manter o Godzilla em animação suspensa até o momento certo.   Aaron sugere que utilizem o líquido para deter o monstro. A baía de San Francisco é coberta com líquido, fazendo com que o monstro perca a consciência perto da Ponte de Golden Gate. Godzilla é levado por vários helicópteros até Massachusetts e colocado dentro de um hangar. Tina, a filha da Jill, entende que a mãe dela está associado com o projeto por querer vingança contra Godzilla pela morte do Keith, e discute com a mãe, dizendo que Godzilla não é mal, mas apenas uma força de natureza. Jill manda a Tina para Nova Iorque ficar com os avôs.
 
Num hospital militar, a infecção que o Marty pegou está piorando, deixando o seu rosto sem traços faciais. Antes de morrer, ele conta para a Jill que a criatura dentro dele contou a sua história. O Godzilla foi criado por uma sociedade altamente avançada a partir do DNA de dinossauros para proteger a Terra contra uma força de invasão alienígena. Os invasores mandam um monstro para destruir toda a vida no planeta antes da sua chegada. Os monstros morcego continuam mantando animais e trazendo seus restos para a caverna, onde são absorvidos pela massa principal do meteoro que começa a assumir uma forma definitiva.
Arte Conceitual do Gryphon
 
Ao ouvir a história do Marty, o Aaron chega na conclusão que o Godzilla estava indo para Kentucky. Ele vai até a caverna onde o meteoro caiu. Dentro dela, descobre um monstro enorme com o corpo de uma puma, as asas de um morcego, e uma língua composta de cobras. O monstro persegue o Aaron antes de sair da caverna. Ele ataca um trem, matando centenas de pessoas.
 
Neste momento, Godzilla acorda, destruindo o hangar e entrando no Oceano Atlântico. Está previsto de que os dois monstros irão se enfrentar na Cidade de Nova Iorque. A Jill vai de carro até lá, mas é preso num túnel quando o Godzilla pisa nele. Ela consegue fugir, e encontra com a sua filha no momento em que a batalha entre Godzilla e o Gryphon começa. A batalha é feroz, e o Aaron percebe que o Godzilla não consegue lutar bem em razão de um dispositivo suprindo-o com o líquido amniótico.
 
Helicópteros atacam o Gryphon enquanto o Aaron escala o Godzilla para colocar explosivos no dispositivo. A Jill e Tina procuram destruir o Gryphon ainda mais, explodindo um caminhão de combustível perto dele. O dispositivo é destruído e a batalha continua. Ela finalmente termina quando o Gryphon voa em direção de Godzilla, quem se dobra para frente, esventrando o seu oponente. Godzilla arranca a cabeça do monstro, coloca-a na tocha da Estátua da Liberdade, e queima o seu corpo.
 
Godzilla volta para o mar. Um esquadrão de jatas o atacam, mas a Jill, agora aceitando a morte do seu marido, cancela o ataque.
 
Comentários:
 
Modelo construído por Stan Winston (Predator; Jurassic Park)
A história sobre a Produção e eventual cancelamento deste projeto é longa. Basta dizer por enquanto que o roteiro foi escrito por Terry Rosio e Ted Elliot, os roteiristas de Os Piratas do Caribe. A princípio, nenhum diretor de destaca se interessou pelo projeto, a não ser o Tim Burton. Conflitos de agenda o impediu de se comprometer com o filme. O diretor escolhido acabou sendo Jan de Bont, que trabalhou na cinematografia de filmes como Dura de Matar. Mais tarde seria o diretor de Velocidade Máxima e A Casa Amaldiçoada, a refilmagem do clássico Sombras de Terror. O orçamento foi projetado em 130 milhões de dólares, fazendo o filme o mais caro da época (para fins de comparação, Jurassic Park: Parque dos Dinossauros estreou no ano anterior e custou apenas 63 milhões de dólares para produzir). Jan de Bont saiu do projeto por não concordar com as limitações de orçamento. Outro escritor foi contratado para fazer ajustes no roteiro que poderiam baixar o orçamento, mas o projeto enfim morreu.
 
Com o sucesso de Independence Day, Sony/Tristar ressuscitou o projeto com produtor Dean Devlin e diretor Roland Emmerich envolvidos. Mas a sua visão de Godzilla foi uma criatura bem diferente...


Godzilla 3-D - O Filme que Não Era

Godzilla 3-D - A Primeira Tentativa de Trazer o Godzilla ao Hollywood
 
 
 
 
OBS: Este artigo é uma tradução (e resumo) do artigo postado no Rodan's Roost.
 
 
Um meteoro choca com um satélite americano em órbita, fazendo com que dispare um míssil nuclear, que entra na atmosfera da Terra e explode no meio Oceano Pacífico. A explosão acorda uma criatura reptiliana gigante. Ao mesmo tempo, um navio de pesca japonês se perde no mar. Quando é encontrado, o navio está queimado e fortemente danificado. O governo americano confisca o navio. Jornalista Dana Martin entra escondida no navio, e acha um trilobita viva entre os destroços. Ela fica estarrecida quando um pescador sai das sombras, falando a palavra "Godzilla" antes de morrer.
 
Martin leva a trilobita para paleontólogo Gerald Balinger, que duvida que a criatura é autêntica até conseguir examiná-la. Enquanto isso, soldados americanos estacionados na Ilha Oto, perto do Taiti, testemunham a destruição de um vilarejo por uma criatura gigante que emerge do mar.
 
No litoral do México, Coronel Peter Daxton da marinha americana é convocada para investigar a destruição de um submarino soviético. Daxton perdeu um olho numa briga com um espião russo Boris Kruschev, que está assistindo a investigação americana de um barco. Kruschev perdeu uma mão na mesma briga que custou Daxton o seu olho, e agora tem uma lâmina de aço no seu lugar. Kruschev não está interessado no submarino em si, mas quer dois misseis "Dragão" que se afundarem com ele. Esses misseis são armas "anti-fusão" desenhados para neutralizar armas nucleares. Os misseis são confiscados pelo governo americano até um acordo é feito entre a União Soviética e os Estados Unidos mediante uma conversa com as Nações Unidas. Uma gravação é encontrada, mostrando o navio sob ataque por uma criatura gigante.
 
Depois da missão, Daxton volta para Califórnia, onde encontra com seu filho Kevin. Kevin é um mágico amador e tem uma fascinação por lagartos. Pouco tempo depois, o CIA convoca o Daxton para Baja Califórnia, onde a carcaça de um grande réptil apareceu na praia. Daxton o reconhece como a criatura que atacou o submarino, e acha que foi morto por torpedos lançados pelos russos que estavam tentando proteger o navio. Balinger, o paleontólogo, acha que é um dinossauro, mas o governo americano acredita que o monstro tem origens extraterrestres e inicia um processo de encobrimento (ou "cover up"). Balinger, decepcionado com a atitude do governo, conta para o Kevin sobre a lenda de Godzilla, um dragão mitológico conhecido pelos pescadores japoneses.
 
Perto do litoral californiano, uma criatura ainda maior emerge do mar para destruir uma plataforma de petróleo.
 
A carcaça do outro animal é levado para um armazém em San Francisco. Os pesquisadores começam a ficar doentes, mostrando sinais de intoxicação de radiação. Balinger supõe que a criatura era um reator nuclear vivo, um "proto-ssauro" que existia até antes dos dinossauros. Ele também acredita que há um outro animal, um maior, que está causando os desastres marinhos.
 
Kruschev, num tentativo de pegar os misseis de volta, sequestra o Kevin e o leva para um base secreto na Ponte de Golden Gate. Neste momento, o Godzilla aparece, aterrorizando os motoristas presos na ponte. Um golpe com a sua cauda destrói parte da ponte, aparentemente matando Kevin e Kruschev. Tanques aparecem e atacam Godzilla, mas só conseguem enraivecer o monstro, que destrói a ponte inteira. Ao mesmo tempo, Daxton e Balinger elaboram um plano para destruir o Godzilla com os misseis soviéticos.
 
Jatas tipo F-16 atacam Godzilla no Union Square, mas o Godzilla pega um bonde e o usa como uma maça contra as jatas. Dana Martin e Balinger vão para Alcatraz para tocar a gravação do outro monstro numa tentativa de chamar a atenção de Godzilla. Enquanto o Daxton está carregando os misseis num helicóptero Cobra, Kruschev reaparece com o Kevin, exigindo a devolução dos misseis. Daxton e Kruschev logo está lutando novamente, mesmo depois do helicóptero decolar. Kruschev finalmente cai do helicóptero na mão do Godzilla. Godzilla olha para agente soviético por um distante antes de queimá-lo com seu bafo radioativo.
 
Godzilla continua destruindo San Francisco em busca da outra criatura. Achando o corpo do outro animal, Godzilla solta um berro de raiva e angústia. Antes de voltar para a cidade, Balinger e Martin tocam a gravação, fazendo com que o Godzilla vá até a Ilha Alcatraz. Daxton chega, arrastando com si um dos misseis dragão, o que é carregado num helicóptero protótipo Scorpion-78. Um dos soldados cai do helicóptero, e Daxton pede para o Kevin lançar o míssil contra Godzilla. O míssil explode dentro da boca de Godzilla. A força da explosão faz o Kevin cair, mas ele é pego no ar pelo Godzilla, que o coloca no chão antes de morrer.
 
História: O projeto foi concebido pelo Steve Miner (Sexta-feira 13 parte 2 e Sexta-feira 13 parte 3). O Toho concordou com o projeto. A história foi escrita por Fred Dekker (Deu uma Louca nos Monstros e Noite dos Arrepios) e o plano foi para usar stop motion para os efeitos especiais. Esta versão do Godzilla foi projetada por artista William Stout e Stephen Czerkas (Planeta dos Dinossauros) construiu o protótipo físico do monstro. Em algum momento, David Allen (Querida, Encolhi as Crianças) e Rick Baker (MIB: Men in Black e o clipe de Thriller do Michael Jackson) iam fazer parte da equipe de efeitos especiais do projeto. O orçamento foi projetado como sendo de 30 milhões de dólares, um valor absurdo para o que os produtores achavam ser um filme infantil. O Steve Miner tentou vender a ideia para vários estúdios, mas nenhum estava interessado. Depois tirou o elemento de 3-D a fim de baixar o projetado orçamento, mas ninguém se interessou. Em 1984, o Miner desistiu da ideia.