quinta-feira, 30 de julho de 2015

Varan, o Monstro do Oriente (1962/1959)


Varan, o Monstro do Oriente (1962)

Título(s) em Inglês: Varan the Unbelievable

Elenco: Myron Healy, Tsuruko Kobayashi, Derick Shimatsu, Kozo Nomura, Ayumi Sonoda, Akihiko Hirata

Diretor(es): Ishiro Honda, Jerry Baerwitz (novas cenas)

Produtor(es): Tomoyuki Tanaka, Sid Harris (novas cenas)

Sinopse (versão americana): Um comandante naval americano, , e a sua esposa japonesa estão trabalhando numa pequena ilha japonesa chamada Kunashirahima. A missão deles é para testar uma nova química que pode dessalinizar a água. Contra a vontade dos nativos, a química é lançada no lago salgado no meio da ilha. Um grande monstro pré-histórico, Varan, é acordado pelos testes e começa a destruir tudo ao seu redor.

Mais do que outros filmes japoneses, podemos fazer o argumento de que Varan, o Monstro do Oriente e a versão original, Daikaiju Baran, são realmente dois filmes completamente diferentes. Embora muitos fanáticos de cinema iriam denunciar o tratamento do filme original japonês desse jeito, clamando “Racismo!” contra os cineastas que estavam convencidos de que um filme de monstros iria necessitar de um ator branco para vender ingressos, a verdade é que Varan, o Monstro do Oriente, por mais inferior ao original que seja, tem algo que o original não possui: uma história.

O filme japonês é demasiadamente simples quanto ao seu roteiro. No começo do filme, um foguete é lançado para  o espaço e todo mundo está feliz com essa proeza. Mas isso não tem nada ver com os eventos subsequentes. No norte do Japão, alguns cientistas procurando uma espécie rara de borboleta são mortos por um monstro. Uma dupla de cientistas chega lá para pesquisar, e o monstro titular emerge de um lago e começa destruir tudo. Fim. Não há nenhum subtexto tampouco uma explicação de por que o monstro apareceu no primeiro lugar. O filme é basicamente uma cena de ação ininterrupta do ataque de um monstro.

A versão americana já aborda a situação diferente. Ator Myron Healy (que apareceu em vários seriados de faroeste como Cheyenne; Rawhide e Laramie) aparece como Capitão James Bradley, um oficial no exército americano conduzindo experiências numa ilha japonesa fictícia chamada Kunashirashima. O objetivo da experiência é transformar água salgada em água doce através de uma nova química. Os nativos não querem colaborar com a operação, e o exército local é chamado para “convencer-lhes” a sair. Isso tem o efeito de sujar o nome do Bradley com a imprensa japonesa. E quando a experiência é executada, o monstro Varan (chamado “Obake” no filme, apesar do título reter o nome original da criatura) aparece.

Por quase toda a primeira metade do filme, o foco está nas cenas novas de Healey e atriz Tsuruko Kobayashi, que faz o papel de Ana, a esposa japonesa do Capitão Bradley. De tempos em tempos, alguns segundos do filme original são mostrados. Interessante é que os cientistas principais do filme japonês (Kozo Nomura e Ayumi Sonoda) aparecem em algumas cenas, mas segundo a narração do Healey, são Paul e Shidori Aeso, dois jornalistas de Tóquio. Akihiko Hirata, que apareceu no original como cientista, pode ser visto apenas brevemente no filme americano. É somente quando o Varan/Obake sai do lago que as cenas dos novos atores se tornam mais escassas e o foco é colocado nas cenas de Baran destruir tudo ao seu redor. Os personagem de Ana e Capitão Braldey passam a última metade do filme na estrada dentro do seu jipe, já que não havia dinheiro no orçamento para montar um cenário que se integraria com o  ataque em Tóquio (agora “Oneda, a cidade maior de Kunashirashima”).  


Se Varan, o Monstro do Oriente é superior artisticamente ao original, então podemos dizer que é inferior tecnicamente ao Daikaiju Baran. Apesar das cenas de efeitos especiais são as mesmas entre os dois filmes—o maior corte nesse respeito é a cena em que o Varan voa feito um esquilo voador—os cineastas americanos acharam necessário mudar o rugido do monstro e a trilha sonora. O berro do Varan era muito aparecido ao do Godzilla, principalmente a berro que se ouvia em Godzilla Contra Biollante e Godzilla contra o Monstro do Mal. Isso foi trocado um chilro parecido como o dos velociraptores em Jurassic Park e um rosnado baixo de um cachorro. Mas pior que isso, a trilha sonora formidável de Akira Ifukube é trocado por umas músicas genéricas pouco inspiradas. De fato, boa parte das cenas de ação nos últimos 20 minutos do filme faltam acompanhamento musical de qualquer tipo. Isso se torna as cenas menos interessantes do que são na versão japonesa e é evidência de quanto importância a trilha sonora e o compositor têm nesse gênero.


Além da música, a maior contribuição desse filme ao gênero é a criação do monstro Varan, que é mistura sublime de simplicidade e criatividade. Uma espécie de dinossauro, o Varan é quadrúpede com uma única linha de espinhas longas e finas começando no topo da cabeça  e descendo até a cauda. Tem membranas entre as pernas, com as quais possa voar. Também é capaz de ficar em baixo da água durante períodos longos, tornando-o um monstro trifíbio. O monstro nunca teve um papel expressivo em mais nenhum filme: aparece um alguns segundos em Despertar dos Monstros e uma cena desse filme aparece no início de Godzilla: A Batalha Final. Houve alguns roteiros que contavam com a sua presença, como no roteiro original de Godzilla, Mothra, King Ghidorah: Giant Monster All-Out Attack, mas foi trocado por outros monstros posteriormente. Ele apareceu no jogo Godzilla: Monster of Monsters para o Nintendo Entertainment System.

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