quinta-feira, 30 de julho de 2015

Batalha dos Monstros (1969)

Batalha dos Monstros (1969)

Título(s) em Inglês: Gamera vs. Guiron; Attack of the Monsters

Elenco: Nobuhiro Kajima, Miyuki Akiyama, Christopher Murphy, Yuko Hamada

Diretor(es): Noriaki Yuasa

Produtor(es): Hidemasa Nagata, Masaichi Nagata

Sinopse: Dois garotos, um japonês e outro branco, encontram um navio espacial perto da sua casa. Os dois entram nele e são levados para outro planeta, que fica na mesma órbita da terra, mas em invisível ao telescopo. Lá conhecem um par de irmãs ET e o seu bicho de estimação, um monstro gigante chamado Guiron. A princípio, as anfitriãs são extremamente bondosas. Mas isso só esconde as suas verdadeiras intenções: elas são canibais e os meninos estão no cardápio! ---

Batalha dos Monstros é um bom exemplo de como a visão dos japoneses sobre o que seria apropriado para crianças difere do Oeste, principalmente os Estados Unidos e o Hollywood. A violência no Hollywood para programas e filmes infantis é frequentemente tão cômico e exagerado que se torna inofensiva. Sangue raramente faz parte do negócio. É só assistir o filme Esqueceram de Mim para entender; por mais que os ladrões levam pancadas que matariam uma pessoa normal, nem uma única gota de sangue aparece no seu corpo. Além disso, filmes que colocam crianças em perigo são frequentmente criticados por jornalistas, como no caso de Despertar de um Pesadelo com Samuel L. Jackson.

Este filme, porem, pega essas normas conservidoras, joga-as no chão, cospe nelas, e depois convida os monstros gigantes para pisar nelas. Afinal, quantos filmes infantis—e vamos lembrar que os filmes de Gamera eram filmes para crianças—têm cenas em que um monstro não apenas decapita o seu oponente, mas esquarteja-o enquanto solta rugidos que parecem risadas? Ou em que o plano das alienígenas é não apenas matar as crianças, mas devorar o seu cérebro e guardar os restos para depois? Não estamos falando de uma cena cómica em que a criança é colocada num caldeirão gigante enquanto as mulheres cortam cenouras e colocam a água. Não, neste filme, as mulheres chegam a raspar o cabelo do garoto e estão quase abrindo a cabeça dele na nossa frente antes de serem interrompidas. Esse tipo de atitude não se vê no Oeste.

São esses toques perversos e sádicos, além da oportunidade de ver o Gamera lutando em outro planeta, que distinguem o filme dos outros filmes (inferiores) em que o Gamera luta contra os invasores do espaço. Mas a violência não compensa completamente um roteiro fraca—mesmo pelos padrões do gênero—cheio de momentos ilógicos que poderão explodir a cabeça de qualquer pessoa racional (quem gosta de ciência deverá ter o maior cuidado). No universo apresentado por este filme, é possível cortar um navio espacial no meio, juntar os dois pedaços e levar pessoas através do espaço sem elas queimarem na atmosfera. Aqui as pessoas acham um absurdo acreditar em extraterrestres, mesmo quando uma memória extraída da criança prova que os eventos de Destruam Toda a Terra realmente aconteceram. E por que as alienígenas precisam devorar o cérebro dos garotos para absorver o seu conhecimento quando parece que já tem uma máquina que faz a mesma coisa.

Mas poderão me dizer: as crianças não ligam para este tipo de coisa, apenas os nerdes. Tudo bem, então. Como estão os monstros? Ryosaku Takayama continua a nos impressionar com a sua imaginação fértil, dando-nos o oponente mais bizarro da série: um monstro que parece um lagarto, mas cuja cabeça é literalmente uma faca gigante. As fantasias em si ainda estão alguns degraus em qualidade abaixo das dos filmes de Godzilla e como sempre, o Takayama favorece criaturas que ou não tem braços ou são quadrúpedes, e ficam desajeitados ao se levantar em duas pernas. Isso limita muito os movimentos dos monstros durante as lutas. O problema é exacerbado pelo uso de marionetes para várias cenas, que são mais rígidos do que as fantasias.

O diretor de efeitos especiais Kazufumi Fujii empilha os momentos absurdos e criativos um em cima do outro para compensar a falta de agilidade dos monstros. A cena mais famosa do filme depois da mutilação do Gyaos é quando o Gamera se faz de ginasta durante a última luta com o Guiron. Por mais bobo que seja, é apropriado que um monstro que tem uma lâmina gigante por uma cabeça também tem shuriken—estrelas de ferro utilzadas por ninjas—como uma arma. O novo planeta (ou “estrela”, segundo o diálogo) não é tão convincente quanto ao Planeta X em Guerra dos Monstros, mas lutar dentro de uma cidade alienígena é algo novo que nem o outro filme fez.

A versão disponível em DVD no Brasil vem da versão editada para televisão pelo American International Pictures, que atualmente está no domínio público (conhecido em inglês como Attack of the Monsters). A cena da mutilação do Gyaos e o coro de crianças cantando a música tema do Gamera em japonês foram cortadas desta versão. Para assistir a versão completa, terá que achar a versão do Sandy Frank, lançado em fita como Gamera vs. Guiron, ou comprar o DVD importado.

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