segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Latitude Zero (1969)

Latitude Zero (1969)

Título em Inglês: Latitude Zero

Elenco: Joseph Cotton, Richard Jaeckal, Akira Takarada, Cesar Romero, Patricia Medina, Linda Haynes, Masumi Okada, Tetsu Nakamura, Mari Nakayama

Diretor: Ishiro Honda

Produtor(es): Tomoyuki Tanaka, Don Sharpe

Latitude Zero é um dos poucos filmes japoneses de ficção científica que foi lançado no Brasil em fita, tendo sido distribuído pela distribuidora uma vez famosa WR Filmes Ltda. Sediada no Largo Paissandu em São Paulo, WR Filmes, gerenciada por Wilson Rodrigues, trouxe vários filmes japoneses e alemães para o Brasil, inclusive a épica espacial Bye, Bye Jupiter, qual filme nunca foi lançado oficialmente em fita nos EUA. O Wilson Rodrigues acabou produzindo seus próprios filmes, embora muitos desses foram filmes pornográficos (vejahttp://redutovhs.blogspot.com.br/2013/01/selo-wr-filmes.html) .

Latitude Zero foi produzido durante uma época difícil no cinema japonês. Havia anos que o número de pessoas frequentando os cinemas estava diminuindo, ao ponto que a série de Godzilla havia “terminado” no ano anterior com O Despertar dos Monstros. Além disso, os filmes de Hollywood como Planeta dos Macacos e2001: Uma Odisseia no Espaço havia levantado uma nova estandarte para efeitos especiais, algo que os filmes japoneses, com os orçamentos cada vez menores, jamais poderiam copiar. Finalmente, o Grande Mestre de Efeitos Especiais em Japão, Eiji Tsuburaya, não estava com boa saúde e acabou falecendo no ano depois do lançamento de Latitude Zero. Então, como o crítico Scott Ashlin comentou na sua resenha do mesmo filmes, o Latitude Zero se destaca por ser um síntese de todos os elementos que definiam o cinema fantástico japonês desde 1954: super-gênios benevolentes e malevolentes; submarinos que voam; monstros (gigantes e do tamanho de pessoas normais); armas futuristas; e sociedades submarinas.

Em 1969, três pessoas: Dr. Fujira (Akira Takarada, Gojira e Ebirah, Horror do Abismo), Dr. Jules Maison (Masumi Okada) e um repórter, Perry (Richard Jaeckal, O Lodo Verde), estão descendo para o fundo do mar para investigar uma corrente de água que passa pela área. A sua pesquisa é interrompida por uma explosão vulcânica submarina, o que decepa a corta ligando o bathysphere ao navio na superfície o oceano. Os três homens são salvos por dois mergulhadores de um submarino, o Alpha, que também está fazendo pesquisas na região. Quando o Fujira e Perry acordam, descobrem que os seus benfeitores não são americanos...nem japoneses....e nem russos. São habitantes de uma cidade submarina conhecida como Latitude Zero, localizada abaixo do mar onde o Equador passa pela Linha Internacional de Data.

O Capitão do submarino é Capitão MacKenzie (Joseph Cotton, A Meia Luz), que alega ter 204 anos de idade. Ele auxiliado por um assistente japonês e uma loira bonita, Dra. Barton (Linda Haynes, Coffee: Em Busca de Vingança), a médica do submersível. A ferida do Dr. Maison é muito grave para ela tratar, então o Capitão MacKenzie resolve voltar para Latitude Zero para poder salvar a vida do cientista francês (estrelado por um ator japonês). Durante a viagem para casa, o Alpha é atacada por outro submarino, o Tubarão Negro. Ele pertence ao Malick (Cesar Romero, que fez o Coringa no seriado do Batman da década de 60), o arquiinimigo do MacKenzie e um ex-habitante do Latitude Zero. Malick deseja destruir o Latitude Zero para que não haja ninguém de impedi-lo de conquistar o próprio mundo.

Sobrevivendo o ataque, o Alpha chega no seu destino. Em Latitude Zero, aprendemos um pouco mais sobre a sociedade. Primeiro, a tecnologia do local já chegou ao ponto que não mais escassez, e, portanto, nenhum conflito sobre como dividir os recursos. Além disso, o segredo de juventude eterna já foi descoberta e é aplicada aos habitantes. A cidade é habitada em grande parte por cientistas, muitos dos quais são recrutados pelos habitantes do Latitude Zero, que aproveitam a falta de interferência de governos e outros interesses para realizar os seus estudos em paz. Às vezes, os resultados das suas pesquisas são divulgadas secretamente para as nações pelos agentes do Latitude Zero para o bem da humanidade. Atualmente, o Latitude Zero está no processo de “recrutar” um cientista japonês, Dr. Okada, que acabou de descobrir uma maneira de proteger células humanas contra a radiação. Infelizmente, o Dr. Okada e a sua filha, Tsuruko, são raptados pelo Malick, que ameaça transformá-los em monstros (no estilo de Dr. Moreau de H.G. Wells) se o Dr. Okada não revelar a fórmula. Então o Capitão MacKenzie, acompanhado por seus três novos amigos da superfície, vai até a ilha Blood Rock para resgatar os reféns do Malick.

O roteiro do filme foi escrito por Shinichi Sekizawa e Ted Sherdeman, o segundo sendo mais famoso por ter escrito O Mundo em Perigo (1954), um dos filmes de monstros atômicos mais importantes de todos os tempos. Sherdeman escreveu as primeiras histórias de Latitude Zero em 1941, o que foi adaptado como um programa de rádio. O roteiro demonstra o optimismo presente em muitos dos filmes do Ishiro Honda, em que ele acreditava que a ONU poderia resolver as suas diferenças mesquinhas se fosse para o maior bem. Neste filme, a cidade de Latitude Zero é uma verdadeira utópia, sem nenhuma ironia. em que o conhecimento científico consegue superar todos os obstáculos (humanos) necessários para ter uma sociedade pacífica. O filme ainda reconhece que o mundo como um todo não está pronto para saber da existência de um lugar assim. 

Os efeitos especiais foram providenciados pela equipe de Eiji Tsuburaya, com Teruyoshi Nakano como assistente do diretor e Sadamasa Arikawa encarregado com os efeitos fotográficos. Infelizmente, o produtor Don Sharp retirou a sua contribuição monetária no último momento, e as fantasias dos monstros são especialmente fracas. Há uma raça de homens morcego que servem o Malick e ratos gigantes que infestam as cavernas do Blood Rock. O monstro mais famoso é um grande leão com asas que o Malick cria através de experiências com animais vivos. Infelizmente, o monstro não faz nada até os últimos momentos do filme. O melhor efeito é a explosão vulcânica no início do filme, que é bastante impressionante. O Alpha é afinal uma cópia interessante, mas inferior, ao submarino Gotengo do filme Atragon (1963).

A versão brasileira que foi lançada em fita VHS tem duração de 88 minutos, mas segundo o Internet Movie Database, há versões do filme de 99 minutos e 105 minutos. A falta de material é sentido nessa versão, pois parece que nós da plateia não temos tempo o bastante de realmente conhecer o Latitude Zero antes de partir para a invasão de Blood Rock. Além disso, o filme implica dois romances entre os personagens principais, mas nenhum motivo é dado para ninguém se apaixonar a não ser "porque fulana está disponível". 

sábado, 5 de setembro de 2015

Vídeo 1995

Vídeo 1995: O Dicionário dos Melhores Filmes

Autor: Vários
Ano de Publicação: 1995
Editora: Nova Cultura/Círculo do Livro Ltda.

O único filme japonês a ser mencionado no livro:

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Monsters from the Movies

Monsters from the Movies

Autor: Thomas G. Aylesworth
Ano de Publicação: 1972
Editora: J. B. Lippincott Company
Páginas: 160




 
 
Agora tentem descobrir todos os erros fatuais que há nessas páginas.

terça-feira, 25 de agosto de 2015

Godzilla vs the Robot Monsters - Uma Resenha

Godzilla vs the Robot Monsters
 
Autor: Marc Cerasini
Ano de Publicação: 1998             
Editora: Random House
Páginas: 279 (mais um glossário de monstros e trecho de Godzilla and the Lost Continent)
 
Infelizmente, Godzilla vs the Robot Monsters foi o último livro na série de livros de Godzilla escritos para o público adolescente e jovem adulto. O quinto livro, Godzilla and the Last Continent, foi cancelado, e o mundo criado pelo Cerasini termina com uma questão importante não respondida: o que será o destino final do Godzilla? Há bastante ação, e as virtudes do estilo de Cerasini se manifestam outra vez neste livro, embora as falhas evidentes nos dois livros anteriores atingem o seu auge. O resultado é um livro simultaneamente divertido e frustrante, o que não alcança o níveis de Godzilla 2000 e Godzilla At World’s End.
 
Há nada menos que seis histórias diferentes que fazem parte do enredo, embora nem todos irão convergir da maneira adequada. Por um lado, o G-Force (do livro Godzilla 2000) está construindo uma versão mecanizada de Godzilla, Mechagodzilla, para defender o mundo contra as ameaças kaiju. Um sistema de realidade virtual foi desenvolvido para controlar o monstro, mas ninguém conseguiu fazê-lo funcionar...a não ser Michael Sullivan, o hacker paraplégico do livro anterior. Na Rússia, outro robô, MOGUERA, foi construído com a intenção de proteger o pais contra Anguirus, que está atacando plataformas de petróleo no Mar Caspião. O controle do robô é manual, e a pilota principal é Nadia, uma ginasta olímpica. Em Mongólia, um senhor de guerra insano, Kulgan Khan, descobre o corpo de King Ghidorah nas montanhas onde o famoso Genghis Khan foi sepultado. Para ele, isso é um sinal que ele deveria continuar o sonho do seu antecessor de dominar a Ásia...com a ajuda do monstro tricéfalo.
 
Ao mesmo tempo, em Montana, EUA, uma tribo de índios estão discutindo entre si sobre a possibilidade de construir um casino nas terras sagradas da reserva. O filho do Pajé, Jack, não acha isso uma boa ideia e prefere abrir a velha mina, onde ele acha que tem uma camada de urânio. Segundo a lenda local, a região da mina é onde foi descoberto a “Rocha Búfalo”, um crânio de um monstro pré-histórico que recebeu o nome popular de Baragon. Para quem conhece filmes de monstro, isso só pode significar uma coisa...
 
Finalmente, o Godzilla sai da cratera de Krakatau na Indonésia e inicia um percurso de volta para Japão.
 
O maior ponto fraco do livro é (mais uma vez) o Rodan. Rodan aparece brevemente para atacar os EUA antes de botar outro ovo. Como Godzilla 2000, ele nunca interage com os personagens principais ou com os outros monstros. É triste dizer isso, mas o Rodan e o Mothra são os dois elos fracos da série, quando falamos de monstros. Baragon, porem, é mais interessante. Como o Varan em Godzilla 2000, uma boa parte do livro acompanha o seu enredo e o fato do monstro ser menos conhecido entre os monstros do Toho faz a trama ser mais marcante. O fato que o contexto dessa parte da história, incorporando assuntos sociais referente aos índios americanos numa história de monstro gigante, é original ajuda muito.
 
Além do enredo do Baragon, a história de MOGUERA e Anguirus na Rússia ocupa boa parte do livro. Fãs do dinossauro espinhoso irão gostar que o Anguirus se demonstra capaz de lutar contra um robô cheio de armas avançadas, e quase ganhar. A história  de MOGUERA ganha uma reviravolta durante a última luta em Tóquio, o que acaba por completar o ciclo de desenvolvimento dos personagens, principalmente a Nadia. Muita atenção é dada para Michael Sullivan e Mechagodzilla durante os primeiros capítulos, mas eles desapareçam da trama e só voltam nos últimos dois capítulos para lutar contra Baragon e depois contra Mechagodzilla. Isso diminui a majestade do monstro robô, pois se torna apenas uma arma militar a mais, e não um personagem em si. Godzilla também sofre no meio do caos de monstros, personagens e tramas conflitantes, pois ele sai do vulcão, destrói alguns navios, e depois tem nada a fazer até a última luta. Até a destruição da China pelo Mecha King Ghidorah parece abreviada e apressada, como se o Cerasini tivesse que cumprir o prazo para terminar o livro e correu até última luta o mais rápido possível.  
 
Como as outras sequências a Godzilla Returns, o elenco do livro é uma mistura de personagens novos e velhos. O canal INN, cujos personagens foram um dos vínculos principais entre os livros, está quase ausente desta história, a não ser uma breve menção de Brian Shimura durante a última luta. A Robin Halliday e o Nick Gordon dão um sumiço do enredo. O G-Force, que quase não foi nem mencionado em Godzilla At World’s End, volta a ter participação aqui, já que construiu Mechagodzilla. Estranho é que o Pierce e Kip, os dois pilotos principais em Godzilla 2000, não retornam. A Profetista do Destino, que teve uma pequena participação no segundo livro, também faz um participação especial aqui, suprindo o misticismo na ausência da Mothra (graças ao Cerasini). Se for para escolher quem são os protagonistas principais, seriam a Nadia (do segmento de MOGUERA) e o Jack (do segmento de Baragon), que mais crescem como pessoas durante a trama (embora o segundo não participe na última batalha).
 
Em sumo: o livro precisava de menos monstros, menos personagens e mais foco.

domingo, 23 de agosto de 2015

A Vingança de Godzilla (1969)

A Vingança de Godzilla (1969)

Título(s) em Inglês: Godzilla's Revenge; All Monsters Attack

Elenco:  Kenji Sahara, Hideyo Amamoto, Sachio Sakai, Kazuo Suzuki, Tomonori Yazaki, Machiko Naka

Diretor: Ishiro Honda

Produtor: Tomoyuki Tanaka

A Vingança de Godzilla é filme notório entre os fãs. Para muitos, é o *pior* filme Godzilla já produzido. Para outros, é o segundo pior após o Godzilla (1998). Para mais alguns, está entre os piores cinco, sem sombra de dúvida. Para mim, o filme tem certo valor emocional e nostálgico que quase impossibilita uma classificação com os outros filmes.

Quando estava na terceira série, levei emprestado o livro Godzilla de Ian Thorne, livre que, para muitos da minha geração, foi o primeiro "fonte" de informações sobre a série de Godzilla organizado num livro. Infelizmente, estava claro que o Thorne escreveu o livro baseado em parte por lembranças desses filmes, pois quando falou de A Vingança de Godzilla, ele falou que o filme foi sobre um rapaz que sofria abuso com seus pais e que o filme terminou com os pais prometendo a nunca mais abusá-lo. Não foi bem assim quando finalmente assisti o filme.

Adquiri o filme no verão de 1991 durante uma visita ao shopping (provavelmente em Pleasanton, embora poderia ter sido em Modesto). Estava a venda por apenas 10 dólares e foi a primeira vez que eu o vi na prateleira. Acordei bem cedo no próximo dia para assistir. Não foi aquilo que esperei. Mas, por ser um filme curto, consegui assistir uma segunda vez em seguido antes dos meus irmãos acordarem. Poucas horas depois, foi na casa do meu amigo Dante no outro lado da rua e assisti com ele. Mais ainda, esse foi o filme que usei para tentar converter os meus amigos da quarta série para Godzilla, embora não funcionou.

O filme conta a história de Ichiro (Tomonori Yazaki), uma criança alienada pelos pais (que trabalham demais) e por seus colegas (ele sofre bullying por um grupo de rapazes liderado por um garoto chamado Gabara). Ele passa muito tempo sozinho em casa, e a única pessoa que consegue simpatizar com ele é um inventor de brinquedos, Manami (Hideyo Amamoto, A Fuga de King Kong). O mecanismo que o Ichiro desenvolveu para lidar com a solidão é imaginar que ele vai para a Ilha Ogasawara, também conhecida como a Ilha dos Monstros. Lá, ele faz amizade com Minya, o filho de Godzilla (nos sonhos do Ichiro, Minya para mudar de tamanho e falar--na versão japonesa, ele tem voz de menina; na versão americana, ele tem voz de caipira).  Daí o motivo do desgosto que os fãs sentem pelo filme: as aventuras dos dois consistem principalmente em assistir as lutas do Godzilla, que são cenas reutilizadas de Ebirah, Horror do Abismo e O Filho de Godzilla. As únicas cenas novas envolvem o monstro Gabara, o monstro valentão que atormenta Minya. Está vendo um paralelo aqui?

Durante um dos seus passeios pelo distrito industrial onde ele mora, o Ichiro entra numa fábrica abandonada. Ele acha uma carteira descartada...bem, não exatamente. A carteira pertence a um de dois ladrões que acabou de roubar 50 milhões de ienes de um banco, que agora estão escondendo da polícia. Os ladrões conseguem descobrir onde Ichiro mora o sequestram. Então, o garoto coloca em prática as lições que aprendeu na Ilha dos Monstros para se livrar dos bandidos idiotas. Espera aí!!! Um garoto? Que se defende contra dois bandidos? Num lugar solitário? Nossa, A Vingança de Godzilla na verdade é o protótipo de Esqueceram de Mim!!!!

Capa da fita VHS que eu tinha
A origem do filme é interessante. O cinema em Japão estava sofrendo muito na segunda metade dos anos 60 por causa da televisão e o sucesso de shows como Ultraman, Ultra 7, Vingadores do Espaço e outros programas. Afinal, agora as crianças poderiam assistir monstros gigantes em casa na televisão colorida. (OBS: esse fenômeno afetou o cinema japonês como um todo, e não apenas os filmes de monstro) No entanto, o estúdio Toei achou sucesso no cinema com uma maratona que passava no cinema (principalmente nos fins de semana) que consistia em episódios de alguns desenhos e talvez um filme de desenho animado. Assim, os pais podiam deixar as crianças no cinema por algumas horas enquanto faziam compras ou algo assim (foi assim que os filmes de Dragon Ball Z foram lançados no cinema japonês).

Então, o estúdio Toho começou a fazer a mesma coisa. Trabalhando como Tsuburaya Productions, que criou Ultraman, eles fizeram uma espécie maratona de programas juvenis para as crianças assistirem no cinema como um único pacote. Teria alguns episódios de Ultraman e um filme curto. Alguns desses foram filmes antigos de Godzilla editados para 70 minutos. Daí, o produtor Tomoyuki Tanaka resolveu seguir os passos de Gamera e fazer um filme novo, mas que poderia reciclar cenas de outros filmes. Assim a produção seria muito mais barata. O resultado foi este filme. Com o passar dos anos, essas maratonas cinemáticas de programas para crianças fizeram tanto sucesso que os cinemas começaram a pedir novos filmes, o que levou à ressurreição da série Godzilla em 1971.

Entendendo o contexto em que A Vingança de Godzilla foi produzido e aceitando-o não como filme de Godzilla, mas um filme sobre uma criança que gosta de Godzilla, é possível apreciá-lo pelo que realmente é. O filme é um comentário sobre o desenvolvimento econômico japonês na década de 60 e 70, e o efeito que teve sobre as crianças. Muitos pais da classe médio tinham que trabalhar, às vezes dois turnos em seguido, para sustentar a família e seus filhos cresciam como "latchkey kids" (i.e. crianças que voltam sozinhos da escola que ficaram sozinhas em casa até que os pais chegaram). As primeiras imagens do filme é do Ichiro e uma coleguinha da escola andando sem supervisão de adultos no meio do cacofonia de carros e caminhões que caracterizava a região industrial de qualquer cidade grande em Japão. A encrenca que o menino arruma com os ladrões começa pela falta de um adulto que poderia impedi-lo de brincar num prédio abandonado. Algumas famílias tinham um avô presente para ajudar, mas o Ichiro só tem o Manami, que ainda tem que trabalhar (mesmo em casa).

A Vingança de Godzilla no final é um filme charmoso e fascinante de assistir, embora diferente dos demais e faltando em cenas originais de efeitos especiais. Dito isso, prefiro a versão americana à versão japonesa. O Minya caipira tem mais personalidade do que o Minya japonês, e a música que toca no começo da versão dublada é mais legal e funky do que a canção infantil irritante que se ouve na versão japonesa.

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Godzilla At World's End - Uma Resenha

Godzilla At World's End

Autor: Marc Cersasini
Ano de Publicação: 1998
Editora: Random House
Páginas: 323

Godzilla At World's End, o terceiro livro na série de romances de Godzilla escritos para fãs e adolescentes, é uma obra bastante ambiciosa do Cerasini, até mais do que o livro anterior, Godzilla 2000. Além de aumentar o escopo do perigo (o mundo inteiro entra em colapse neste livro), o Cerasini homenageia não apenas os filmes japoneses de ficção científica, mas também as obras literárias de Jules Verne, Edgar Rice Burroughs e H.P. Lovecraft.

Em Godzilla 2000, uma das protagonistas secundárias foi uma jovem repórter chamada Robin Halliday. O personagem dela passou o livro acompanhando a destruição realizada pelo monstro Varan. Quase um ano após os eventos do livro, ela agora é apresentadora de um show chamado Teen Beat, um tipo jornal de televisão voltado para adolescentes. Um dos projetos dela é o lançamento de um dirigível, o Destiny Explorer, com uma tripulação que inclui quatro jovens gênios, vencedores de um concurso de ciência. Os participantes são Leena Sims (engenharia de computação), Michael Sullvian (um hacker), Peter Blackwater (botânica) e Ned Landson (biologia marinha). Os quatro jovens são acompanhados na viagem pela Halliday, o Nick Gordon (dos outros dois livros), e a tripulação técnica do dirigível, inclusive Shelly Townsend, outra jovem e filha do engenheiro que desenhou o navio.

Durante a viagem, vários monstros surgem de Antártida e começam a destruir cidades em continentes diferentes. Um besouro mutante, Megalon, ataca Lima, Peru. Gigan, um cyborg, destrói todos os satélites em órbita antes de trazer o seu reino de fogo para Rússia. Manda, um serpente gigante, surge das águas do South China Sea para atacar Xangai. Finalmente, Hedorah, um monstro feito de gosmo e poluição, traz a morte para Osaka. Enquanto um contingente de monstros "bons", como Godzilla, luta contra essas aberrações, o Destiny Explorer adquire mais passageiros: um pelotão de soldados americanos. A missão: ir até Antártida e descobrir quem (ou o que) criou esses monstros.

Fora dos monstros japoneses, a maior influência sobre o Cerasini neste livro é o H.P. Lovecraft. O cenário em Antártida e a presença de "Anciões" monstruosos habitando abaixo do gelo naquele continente é uma homenagem ao romance Nas Montanhas da Loucura. Cerasini também inclui a universidade fictícia Miskatonic University, que aparece em boa parte dos contos do Lovecraft (e outros contribuintes à Mitologia de Cthulhu). O autor até faz menção ao artista Nicholas Roerich, algo que apenas os fãs hardcore do Lovecraft irão perceber. A viagem num dirigível e o personagem Ned Landson são homenagens às obras do Jules Verne, além da ideia da terra oca (também popular nos escritos de Edgar Rice Burroughs).

A vantagem que este livro tem sobre o último livro é que o enredo é mais focado. Todos os monstros do mal têm a mesma origem, então a história evita a sensação que é nada mais do que uma série de eventos ataques aleatórios por monstros diferentes. Além disso, os personagens principais também habitam o mesmo espaço geográfico durante boa parte do livro, então a trama parece estar mais "unida". Também, há mais luta entre monstros para fãs desse tipo de coisa (nem consigo imaginar quem seria). Na verdade, a estrutura do livro me lembra muito de um protótipo para o filme Godzilla: A Batalha Final (a destruição do mundo, uma parte da trama que ocorre em Antártida, a ideia de Godzilla viajando de cidade em cidade para lutar com monstros diferentes, etc.).

Há algumas falhas na trama, porém. Mais uma vez, há tantos protagonistas que é difícil saber quem é o principal no final. No começo, há toda indicação que será a Robin Halliday (e o Nick Gordon). Depois, parece que vão ser os quatro jovens gênios. Mais para frente, a Shelly Townsend e Sean Brennan (líder do pelotão) recebem mais atenção do autor. A protagonista que desenvolve mais como personagem é a Leena Sims, mas ela passa boa parte do livro trancada no seu quarto dentro do Destiny Explorer.

Da mesma forma, Cerasini coloca nada menos do que dez monstros no entrecho. Alguns deles, como Megalon e Gigan, deixam uma forte impressão. Outros, como Battra e Rodan, aparecem só para ter uma luta breve, e depois somem completamente da trama. O pior (mais uma vez) é a Mothra, que aparece uma vez nos sonhos da Leena e a adverte sobre o que há em Antártida, mas não faz nada depois disso. Cerasini poderia ter tirado a Mothra facilmente da série como um todo sem perder nada da história. Alguns leitores podem não gostar da batalha inconclusiva entre Godzilla e Biollante, um favorite dos fãs, no final.

Como sempre, as descrições de armas militares do Cerasini e as cenas de ação são extremamente bem escritas. Os detalhes referentes aos locais geográficos também são bastante impressionantes. O Cerasini realmente fez a lição de casa em preparação para este livro, bem como os outros dois. E, mais importante, o livro nos lembra de quão horroroso é estar no meio de um assalto por um monstro gigante (ex. quando a marinha chinesa ataca a Manda, que está enrolada em volta de um prédio, e mata centenas com balas perdidas).

Como os outros livro Godzilla At World's End não é perfeito, mas é uma ótima aventura para fãs de monstros e ficção científica em geral.

terça-feira, 18 de agosto de 2015

Godzilla 2000 (livro): Uma Resenha

Godzilla 2000

Autor: Marc Cerasini
Ano de Publicação: 1997
Editora: Random House
Páginas: 324


A história de Godzilla 2000 começa apenas algumas meses após os eventos de Godzilla Returns. Almejando uma escala bem maior do que o primeiro livro, o Cerasini nos dá um livro com várias tramas diferentes, (quase) todas interligadas pela presença do G-Force, uma organização militar composta de jovens com o intuito de proteger os EUA do Godzilla e qualquer kaiju que poderia surgir. A maneira de recrutar jovens é bastante interessante: um vídeo game popular nas fliperamas com câmeras escondidas que identificam os jogadores mais talentosos e investigam a sua vida, sem que eles saberem! O último recruto desse processo é o Kip Daniels, um jovem de uma família desestruturada morando nos guetos de Los Angeles. Ele logo se torna o membro mais talentoso da equipe, embora o seu receio moral em lutar contra Godzilla ameaça a união do time.

Durante o treinamento do G-Force, uma praga de monstros desce sobre a terra. Dois monstros pré-históricos aparecem na América do Norte: Rodan, um “pássaro de trovão” mítico aparece no Ártico e voa em direção a Canadá; e Varan, um lagarto gigantesco que ataca o México. Além disso, Godzilla volta das profundezas do Oceano Pacífico e nada rumo à Califórnia. Mas isso não é tudo. Astrónomos descobrem que um grupo de asteroides, o mesmo que atingiu a terra no final da Era Cretácea, encerrando o reinado dos dinossauros, está vindo em direção à Terra. Pouco tempo depois da sua descoberta, uma raça de louva-deus gigante surge no central dos Estados Unidos. E, por falar em insetos gigantes, Lori Angelo, membro do G-Force, começa a sonhar com uma entidade chamada Mothra (vindo de “moth”, que significa “mariposa” em inglês). Mas tudo isso é apenas o começo. Há uma celebridade em Hollywood, um médio que usa o apelido “A Profetista do Destino”, que começa a sonhar com a vinda do Rei do Terror: um monstro conhecido como King Ghidorah.

De um livro para outro, o Cerasini aumenta o seu fardo de escrever sobre apenas um monstro para seis monstros no mesmo livro. Isso é bom e ruim. Por um lado, fãs dos filmes de Godzilla irão se divertir muito com as novas interpretações dos monstros clássicos, principalmente o Varan, que recebeu pouco amor por fãs e cineastas e agora é um dos monstros principais do livro. Depois do Godzilla, ele é o segundo monstro que mais tem uma arca dentro da história. Eu pessoalmente gosto muito dele, e o fato que ele ocupa boa parte dos primeiro e segundo atos livro foi um ponto bastante positivo para mim. Também gostei na nova interpretação do G-Force, entidade que apareceu tanto nos quadrinhos publicados pela editora Dark Horse quanto nos filmes dos anos 90. Como no livro anterior, as cenas de ação têm bastante detalhe militar, e o Cerasini não poupa esforço em nomear cada arma, jata, tanque e míssil que é utilizado nas frequentes batalhas entre o exército americano e os monstros. Bastante interessante é que a história de Godzilla entrando nos Estados Unidos via San Francisco e atravessando o país para enfrentar o seu inimigo mortal, King Ghidorah, em NYC é bastante parecido como o roteiro do projeto Godzilla vs. The Gryphon.

As interpretações dos monstros é de assustar, outro ponto no favor do livro. Os filmes de Godzilla de qualquer época são bastante divertidos, mas raramente são capazes de assustar uma criança acima de 6 ou 7 anos. Talvez por não ter uma classificação como filmes, mas Cerasini tem mais liberdade de escrever como um ataque de um monstro gigante realmente seria. E como o filme Cloverfield: Monstro (2008), não é muito divertido não. Milhares de pessoas morrem no livro. Os Kamacuras, os louva-deus gigantes, devoram os habitantes de várias cidadezinhas. Varan faz a mesma coisa. Godzilla traz consigo não apenas a destruição, mas a doença de radiação para qualquer pessoa azarenta que estiver perto dele. King Ghidorah reduz cidades inteiros a cinzas numa questão de minutos. E o Marc Cerasini nunca deixa de nos lembrar que aqueles soldados infelizes convocados para lutar contra os kaiju são pessoas e não meros figurinos sem nome.

Apesar da diversão do livro, ele não é perfeito. Há tanta coisa acontecendo, com tantos monstros destruindo o mundo, que vários aspectos da história parecem ser subdesenvolvidos. O pior é o Rodan, cuja trama, desde a sua origem até a sua saída, é completamente desligada do resto dos eventos da história. Em outras palavras, o livro não sentiria falta nenhuma do Rodan se fosse tirado. A mesma reclamação poderia ser feita contra Kamacuras, embora a origem deles está relacionado à origem do King Ghidorah. E, mais importante, a batalha aérea entre eles e a Fora Aérea americana é extremamente legal (e um dos poucos momentos em que os humanos têm chance contra os monstros). Outra reclamação que tenho é contra Mothra. Apesar da sua presença ser mais ou menos constante pela duração do livro, a sua “grande” contribuição à trama é “ela tinha que guiar o Godzilla até NYC.” Suponho que isso faz sentido se supor que o Japão era o território natural dele, mas isso poderia ser feito através de outro mecanismo de história sem introduzir outro monstro à história. Se o seu papel contra King Ghidorah fosse maior, talvez iria justificar a sua presença no livro.

Outra observação eu já fiz é que há muitos personagens secundários neste livro. Quase toda pessoa que aparece no livro é dado um nome e (pelo menos) uma motivação e/ou breve biografia. Muitos personagens são introduzidos no começo do capítulo, só para morrer dentro de dez páginas. Isso não seria estranho (pois lembrar-nos que os monstros estão matando pessoas faz o livro ser mais assustador), só que o epílogo conta o “depois” de personagens que apareceram por uma ou duas páginas, e, em um caso, de alguém que simplesmente foi mencionado por nome no livro. Vale mencionar que alguns personagens do livro anterior, como Nick Gordon, Emiko Takado e Brian Shimura voltam brevemente neste livro. Shimura, que nem foi muito interessante em Godzilla Returns, não faz nada interessante aqui. Nick Gordon tem papel um pouco mais importante, principalmente no final. Emiko Takado sofreu uma mudança bizarra, pois agora não é mais Tenente Emiko Takado do exército e sim Dra. Emiko Takado, kaijuóloga.

Apesar das minhas críticas, Godzilla 2000 é uma leitura imprescindível para fãs (que falam/lêem inglês, pois não foi traduzido para Português).

sábado, 15 de agosto de 2015

Godzilla Returns: Uma Resenha

Godzilla Returns

Autor: Marc Cerasini
Ano: 1996
Editora: Random House
Páginas: 234

Diferente do que o filme mais recente de Godzilla, o primeiro filme americano do Godzilla desfrutou de um pleno blitz de marketing, um dos maiores de qualquer filme já feito. Prateleira após prateleira estavam cheias de novos brinquedos (de vários tamanhos) de Godzilla e os personagens do filme. Prédios, ônibus e outros lugares públicos foram enfeitados com faixas com mensagens como "Size Does Matter" (Tamanho é documento) e "He is Bigger Than this Bus" (Ele é maior do que este ônibus) e tal. Tri-Star Pictures finalmente adquiriu os direitos para os filmes japoneses de Godzilla produzidos no anos 90, os quais foram lançados em fita pela primeira vez nos EUA (antes, tinha que comprar versões piratas de vendedores como Video Daikaiju, Revok e Far East Flix).

E tem a parte de literatura. Além dos livros diretamente associados com a produção e estreia do filme em si, livros de ficção sobre o Godzilla japonês também foram publicados. Houve uma série de livros para crianças pequenas, como Godzilla Likes to Roar e Who's Afraid of Godzilla. Para crianças da segunda/terceira série, houve uma série de livros escritos por Scott Ciencin, como Godzilla: King of the Monsters e Godzilla Invades América. Também havia uma série de romances de Godzilla direcionado para adolescentes e fãs mais velhos, escritos por Marc Cerasini (que escreveu vários livros sobre Guerra das Estrelas; Kim Possível; a série 24; histórias em prosa sobre Wolverine, e mais). Quatro livros foram publicados, mas o quinto e último livro, Godzilla and the Lost Continent, foi cancelado depois da tamanho decepção do filme Godzilla (1998) por fãs e críticos. Godzilla Returns foi o primeiro livro na série.

A história é simples. Após a morte da sua mãe, Brian Shimura, um estudante de jornalismo, aceita um estágio para o canal INN em Japão, a terra de seus antepassados. Ele sabe nada da cultura, e espera uma oportunidade de crescer não apenas profissionalmente, mas como uma pessoa também. Ele logo faz amizade com o branco Nick Gordon, outro jovem com aspirações para ser uma jornalista de ciência. Após a destruição de alguns navios na região, inclusive uma balsa coreana, fica claro de que o Godzilla está de volta pela primeira vez desde o seu ataque inicial em Japão em 1954. Shimura e Gordon são convocados para acompanhar as tentativas de combater o monstro, em parte porque o tio do Brian, Almirante Willis, está encarregado com a tarefa. Daí começa uma aventura que os colocará face a face com a morte, várias vezes.

Em muitas maneiras, a trama é bastante parecida como a do filme Godzilla 1985. Pode se dizer que este livro é uma "refilmagem literária" desse filme. Ambos tratam do mesmo assunto: a volta do Godzilla ao Japão depois de várias décadas. Os dois contam com protagonistas que são da imprensa, a destruição de um submarino nuclear russo, e um plano final para acabar com o reinado de terror do monstro através de um sinal que imita a frequência de pássaros. No entanto, este livro é muito mais excitante do que aquele filme, com mais ação e batalhas militares entre Godzilla e o exército, e uma coisa que o Cerasini sabe fazer bem é escrever sobre batalhas e armas militares. O autor demonstra o seu amplo conhecimento do assunto através de descrições detalhadas de todas as armas, misseis, bombas e veículos utilizados no combate contra o monstro.

Os personagens são carismáticos, embora um pouco rasos, principalmente o protagonista principal Brian Shimura. Não há muito crescimento no personagem dele e na maior parte da história, ele simplesmente está seguindo a onda. Gordon, o jornalista ambicioso e amigo do Brian, é mais interessante e animado do que Shimura, e participa das cenas mais arrepiantes do livro. É interessante que essa ideia dos protagonistas serem jornalistas que passam a história inteira seguindo a destruição em nome de mostrar notícias ao mundo seria utilizada anos depois por Toho para o filme Godzilla, Mothra, King Ghidorah: Giant Monsters All-Out Attack (2001).

Apesar de alguns personagens mais fracos, o Cerasini sabe não apenas escrever ação, ele demonstra um conhecimento forte do assunto: Godzilla. O livro faz menção várias vezes do filme Godzilla: O Monstro do Mar/Godzilla: O Rei dos Monstros (1956). No universo que o Cerasini cria, os eventos daquele filme aconteceram, o personagem Steve Martin existia, e até o filme existe, feito como um "docu-drama" do ataque. Também há personagens com nomes que lembram os personagens do filme e as pessoas que trabalharam nos bastidores. Um dos personagens principais do livro é uma soldada chamada Emiko (Emiko foi o nome do personagem principal do filme Gojira) e há outros soldados com nomes como Ogata (homenagem ao personagem de Akira Takarada em Gojira) e Tsuburaya (diretor de efeitos especiais nos filmes japoneses de ficção e fantasia de 1954 até 1969).

O livro não está disponível em Português, e pode ser um pouco caro comprar nos EUA. Mas se sabe ler inglês e tem dinheiro de sobra, vale o investimento. É muito divertido ler!

sábado, 8 de agosto de 2015

King Kong X Godzilla Parte 2: O Filme

King Kong X Godzilla (1962)

Elenco: Kenji Sahara, Tadao Takashima, Mie Hama, Ichiro Arishima, Yu Fujiki, Akiko Wakabayashi, Michael Keith, Harry Holcombe, James Yagi, Jun Tazaki, Akihiko Hirata

Diretor: Ishiro Honda, Thomas Montgomery (cenas americanas)

Produtor: Tomoyuki Tanaka, John Beck (cenas americanas)

Sinopse: Um submarino americano carregando consigo uma equipe de cientistas da ONU é despachado para o Oceano Ártico para investigar o aquecimento das águas da região. Em Japão, o dono de um canal de TV e uma empresa farmacêutica envia dos funcionários, Sakurai (Tadao Takashima) e Furue (Yu Fujiki) dele para a Ilha Faro, onde há relatos que um "deus misterioso", descrito como sendo um monstro gigante, habita na ilha. O dono, Sr. Tako (Ichiro Arishima) espera aumentar a publicidade do seu canal trazendo esse monstro para Japão. O submarino chega no Ártico e descobre (fatalmente) que a causa da temperatura elevada das águas é Godzilla, que estava emprisionado num iceberg. O monstro pré-histórico escapa e nada até Japão. Na Ilha Faro, o deus se revela a ser King Kong, o macaco gigante. Ele é levado até Japão, onde um encontro com Godzilla é iminente.

É difícil escrever sobre este filme, já que nunca assisti a versão japonesa, que foi feito como uma sátira da modernização econômica de Japão na era pós-Segunda Guerra Mundial. Popular na década de 60 foi o subgênero de comédia chamado "salaryman comedy", ou comédia do homem assalariado. A premissa desses filmes é que há uma empresa em que o chefe tem uma ideia maluca para ganhar dinheiro, empregando um coitado subordinando para implementar essa ideia. No caso, é exemplificado pelo Sr. Tako mandar o Sakurai buscar um monstro e trazê-lo para Japão. Até o ator Ichiro Arishima era conhecido nessa época mais por seus filmes de comédia, alguns dos quais chegaram até Brasil (O Dedo de Ferro; Entre o Amor e Futebol).

Quando o John Beck trouxe o filme para os Estados Unidos, a sátira e os elementos "locais" do roteiro não traduziram bem com ele. Então, como muitos outros importadores desses filmes, ele resolveu fazer algumas alterações. Boa parte da história humana do filme foi cortado e cenas novas foram filmadas. Nessas cenas, um jornalista da ONU, Eric Carter (Michael Keith), aparece numa sala (barata) e comenta nos eventos do filme. As vezes ele entrevista um paleontólgo, Dr. Johnson (Harry Holcombe), para a sua opinião "científica" do que está acontecendo. Há outro jornalista, Yutaka Omura (James Yagi), localizado no "escritório da ONU em Tóquio" (provavelmente a mesma sala em que as cenas do Eric Carter foram filmados) para comentar no que está acontecendo. Essas cenas criam uma atmosfera mais de um documentário, do que uma sátira.

Além disso, ele removeu quase a trilha sonora completa do Akira Ifukube (menos as músicas tribais) e colocou música de outros filme no seu lugar, como de O Monstro da Lagoa Negra e O Monstro que Desafiou o Mundo. Na versão japonesa, é a canção dos habitantes da Ilha Faro que é tocada na abertura do filme. Na versão americana, é a música de abertura de A Princesa e os Bárbaros (1951). Segundo August Ragone, o motivo é que Beck achava a música "oriental demais". Isso se trata de uma grande ironia, já que A Princesa e os Bárbaros tratava do Gengis Khan invadindo a Pérsia e a música era muito mais oriental do que os temas do Akira Ifukube. Devemos notar aqui que este filme marcou a introdução do rugido famoso do Godzilla e do seu tema musical.

O elenco japonês do filme é composto de vários veteranos do gênero. Fãs de 007 irão reconhecer Mie Hama (Fumiko) e Akiko Wakabayashi (Tammy) como as amantes do Sean Connery em Com 007 Só Se Vive Duas Vezes. Tadao Takashima foi o principal em Atragon (1963) e teve papeis importantes em Frankenstein Conquista o Mundo (1965) e Filho do Godzilla (1967).  Kenji Sahara não necessita de introdução, pois foi o principal na maioria dos filmes do Toho na década de 50 (Rodan, o Monstro Voador; Os Bábaros Invadem a Terra; O Monstro da Bomba H) e continuou sendo um ator importante durante a década de 60. Akihiko Hirata, o famoso Dr. Serizawa, aparece novamente como cientista, mas o papel dele existe apenas para discutir com o primeiro ministro sobre usar a bomba atômica contra o Godzilla.

Os efeitos especiais estão entre os piores da série, em parte porque grande parte do orçamento foi gasto só em comprar os direitos para King Kong (segundo Ragone, as cenas na Ilha Faro ia ser filmados em Sri Lanka, mas não deu dinheiro para isso). Marionetes são utilizados para cenas filmadas à grande distância durante a última luta e parecem como isso mesmo: marionetes. Stop motion é utilizado, quando Godzilla atinge o King Kong com um chute frontal que deixaria o Steven Seagal cheio de orgulho. A fantasia do Godzilla é excelente, pelo menos quando visto do lado. De frente, a sua aparência é meio bizarra. As fantasias do King Kong são pouco convincentes; o Tsuburaya e sua equipe fariam um trabalho melhor com monstros mamíferos em Invasão das Gargântuas. Mais dois monstros aparecem no filme: um polvo gigante que ataca o vilarejo na Ilha Faro (realizado através de três polvos reais e um modelo) e um lagarto de dois metros que também aparece na ilha. Fora disso, porém, as miniaturas são ótimas: e equipe construiu miniaturas da região do Monte Fuji, inclusive milhares de árvores pequenas, todas cheias de folhas. O mesmo trabalho foi feito para algumas cenas em Hokkaido antes do primeiro encontro dos dois monstros e na Ilha Faro.

Apesar da qualidade dos efeitos, o filme está cheio de ação, mesmo na sua forma mutilada disponível no Brasil. A chegada do submarino no Ártico é um dos momentos mais emocionantes da série inteira e a batalha entre o Godzilla e o exército japonês também é divertido. A luta final é uma das melhores lutas de monstro de todos os tempos. Haruo Nakajima, o Godzilla, observou praticantes de luta livre para poder coreografar essa última luta. E, como no filme anterior, os combatentes destroem um castelo tradicional japonês. E quando o filme termina, o Kong ganha...em ambas as versões do filme.

 


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quinta-feira, 6 de agosto de 2015

King Kong X Godzilla (1962) - Parte 1: A Origem

King Kong X Godzilla (1962) - Parte 1: A Origem
 
 
A história de King Kong X Godzilla começa com a carreira trágica de Willis O’Brien. O’Brien foi um dos pioneiros da técnica de efeitos especiais conhecida como “stop motion”. Stop motion é feito através de bonecas de massinha, em que a boneca é filmada uma fotograma por vez, com o técnico fazendo pequenos movimentos com a boneca antes de filmar a próxima fotograma. Ao juntar todas as fotogramas, dá-se a impressão de que a boneca está se mexendo sozinho. Willis O’Brien ganhou bastante fama durante a era de filmes mudos por suas curtas metragens utilizando dinossauros, como Dinosaur and the Missing Link (trad. Dinossauro e o Elo Perdido), que contem o primeiro dinossauro cinemático. Em 1925, o filme O Mundo Perdido estreou no cinema e fez bastante sucesso nas bilheterias. Isso abriu a porta para o seu próximo projeto, King Kong (1933). King Kong fez tanto sucesso que foi exibido nos cinemas mais duas vezes durante a década de 30, mais algumas vezes na década de 40 e no começo da década de 50.



É lógico que King Kong não seria o clássico do cinema mundial se não fosse pelos efeitos especiais montados pelo Willis O’Brien. Seria lógico imaginar que um sucesso desse tamanho garantiria trabalho para O’Brien pelo resto da sua carreira, mas isso não é o que aconteceu. Willis O’Brien passou quase trinta anos tentando elaborar, vender e realizar projetos de filmes de fantasia e de dinossauros, só para ser negado a oportunidade de replicar para o mundo o que ele havia feito pelo King Kong.

Alguns dos seus projetos não realizados incluíram:

- War Eagles (Águias de Guerra) – O roteiro tratava de uma expedição ao polo norte em que uma sociedade Viking é descoberta. Os Vikings andam de águias gigantes e dinossauros moram neste continente perdido também. No final, as águias iriam ajudar as pessoas proteger os EUA de invasores.

- Gwangi  – Um filme sobre a descoberta de um mundo perdido pré-histórico encontrado no Grand Canyon. A produção iniciou, mas foi impedido por uma troca na diretoria do estúdio RKO. Anos mais tarde, o seu sucessor, Ray Harryhausen, realizou o projeto em 1969. No Brasil foi lançado como O Vale Proibido (Valley of Gwangi em inglês).

- Valley of the Mists (Vale do Nevoeiro)/El Toro Estrada (O Touro Estrela) – Filme sobre o garoto mexicano cujo animal de estimação, um touro, luta contra um tiranossauro. A ideia não foi para frente, mas mais tarde, outro técnico de stop motion, Edward Nassour, tentou filmar a ideia. O filme foi produzido na década de 70, mas sem dinossauros.

  Na década de 50, Willis O’Brien achou trabalho em projetos de orçamento limitado como O Monstro Submarino (que copiou O Monstro do Mar e Godzilla, Rei dos Monstros) e O Escorpião Negro. Ele também participou no documentário Animal World. A ideia dele de juntar cowboys e dinossauros foi a base do roteiro de The Beast of Hollow Mountain (1956), dirigido por Edward Nassour. Nassour deu crédito para Willis O’Brien pela história, mas não o contratou para fazer os efeitos especiais.



Em 1960, O’Brien convenceu Irwin Allen, diretor de Animal World, a fazer uma refilmagem de O Mundo Perdido. Infelizmente, Allen optou para não usar stop motion para os dinossauros, notando o quanto esse tipo de efeito especial demorava para realizar. No final, lagartos com chifres de plásticos colados na cabeça e magnificados através de truques de fotografia foram usados como dinossauros. O’Brien ajudou um pouco com a fotografia, mas o resultado é longe do que ele havia imaginado.

No mesmo período, O’Brien teve mais uma ideia para um filme: trazer o King Kong de volta às telas. A ideia dele era para criar um oponente para o macaco enorme: um monstro criado a partir de vários animais africanos. O nome do projeto era King Kong vs. Prometheus. A origem do nome do oponente do Kong vinha do livro Frankenstein da Mary Shelley, cujo título completo é Frankenstein, ou, o Prometeu Moderno. Willis tentou vender a ideia para vários estúdios, mas sem sucesso. Quem finalmente comprou a história foi o John Beck, um ex-produtor de Universal Studios.

Beck levou a história para o estúdio Toho em Japão. Toho gostou da premissa do filme e da proposta do Beck, que incluiu distribuição nos EUA pelo Universal, mas acabou fazendo algumas alterações na história. O monstro de Frankenstein/Prometeu foi tirado, pois o Toho tinha outros planos para ele. King Kong permaneceu, mas Toho achava que necessitava de outro oponente. Que tal o mais famoso e lucrativo de seus monstros, Godzilla? Afinal de contas, Toho queria fazer algo grande para comemorar o aniversário de 30 anos do estúdio e King Kong foi o oponente ideal para ressuscitar a série de Godzilla, que não havia aparecido num filme desde 1955. Toho pagou um valor absurdo—200,000 dólares—para RKO (o estúdio que retinha os direitos de King Kong) para poder usá-lo no filme. O filme foi para frente e acabou vendendo o maior número de ingressos para um filme de Godzilla, tanto em Japão quanto nos EUA. E Willis O’Brien? Mais uma vez ele foi negado a oportunidade de mostrar a sua magia ao mundo.

Vai para Parte 2.


Bibliografia

Ashlin, Scott. "King Kong vs. Godzilla". 1000 Misspent Hours and Counting. Retrieved from http://www.1000misspenthours.com/reviews/reviewse-g/kingkongvsgodzilla.htm .

Ragone, August. (2007) Eiji Tsuburaya: Master of Monsters. San Francisco: Chronicle Books.

Van Hise, James. (1993) Hot-Blooded Dinosaur Movies. Las Vegas: Pioneer Books.

sábado, 1 de agosto de 2015

Godzilla vs. Gryphon - O Antecessor ao Godzilla '98

Godzilla vs. Gryphon - O Antecessor ao Godzilla '98
 
OBS: Esta postagem é uma tradução/resumo do artigo encontrado em Rodan's Roost
 
 
Arte conceitual do filme
No Oceano Ártico no litoral de Alasca, um navio está em busca de reatores nucleares descartados pela União Soviética durante a Guerra Fria. Um acidente ocorre causando uma enorme explosão. O gelo da região começa trincar, soltando uma substância vermelha que parece como sangue.
 
Keith Llewellyn, um cientista trabalhando com o governo americano, chega na cena do accidente para investigar. O "sangue" é colocado em barris e levado para o continente para estudo, que demonstra que o líquido é como fluido amniótico. Uma caverna é descoberta abaixo da fenda no gelo. Dentro dela, um enorme monstro é encontrado no gelo, com a sua cabeça sobressaindo do chão. Keith sobe em cima da criatura, notando a sua aparência parecida como um dinossauro. Neste momento, os olhos do monstro se abrem. O monstro se livra da sua prisão, matando todos dentro da caverna, inclusive o Keith. O monstro nada até as ilhas Kuril do Japão, destruindo um vilarejo. Um pescador sobrevivente chama a criatura de Godzilla, baseada num dragão lendário.
 
12 anos depois, criptozoólogo Aaron Vaught e seu assistente, Marty, entram escondido num hospício japonês para entrevistar o pescador. A polícia militar aparece para levar os dois embora, mas não antes de eles verem uns desenhos feitos pelo pescador mostrando dois monstros lutando entre si. Ao mesmo tempo, no estado de Kentucky nos Estados Unidos, um meteoro atinge um lago. A explosão levanta todos os animais da região, criando um dilúvio de peixes e rãs na cidade mais próxima.
 
Em Massachusetts, o governo americano estabelece o Projeto São Jorge, que tem por finalidade encontrar o Godzilla. Ele foi visto seis anos antes, quando destruiu um navio petroleiro. Aaron Vaught é convocado para o projeto, na esperança que um "especialista" em monstros irá impressionar o Congresso e liberar mais fundos para o projeto. Jill Llewellyn, a viúva de Keith, está encarregada com o projeto, mas não está contente de que vai ter que compartilhar a sua autoridade com Aaron. Para piorar a situação dela, a sua filha, Tina, é presa pela polícia militar ao tentar roubar um carro.
 
Numa caverna em Kentucky, uma massa viscosa metálica saindo do meteoro começa consumir e absorver os morcegos lá, soltando-os como monstros com envergaduras de 3 metros.
 
Jill, Aaron e Marty vão até a caverna em Alasca, onde o líquido amniótico começa a fluir novamente. O Aaron supõe que este foi o momento correto para o Godzilla acordar, mas a explosão adiantou o seu ressurgimento. Figuras desenhadas nas paredes da caverna sugerem que uma antiga, embora avançada sociedade, habitava na região. Durante a investigação da caverna, uma pequena criatura entra no pescoço do Marty, sem mesmo ele perceber.
 
Em Kentucky, há uma onda de mutilações de gado. Godzilla é localizado nadando em direção de San Francisco.
 
Uma base temporária para o Projeto São Jorge é montado no Presídio em San Francisco. Ao chegar em San Francisco, o Marty passa mal e é levado até um hospital. A marinha americana envia vários navios de guerra para impedir a sua chegada na cidade. O Godzilla emerge do mar em baixo de um dos navios, fazendo-o rachar no meio. Ele destrói os outros navios com um raio tão quente que ioniza o oxigênio. O Aaron conclui que o líquido amniótico foi utilizado para manter o Godzilla em animação suspensa até o momento certo.   Aaron sugere que utilizem o líquido para deter o monstro. A baía de San Francisco é coberta com líquido, fazendo com que o monstro perca a consciência perto da Ponte de Golden Gate. Godzilla é levado por vários helicópteros até Massachusetts e colocado dentro de um hangar. Tina, a filha da Jill, entende que a mãe dela está associado com o projeto por querer vingança contra Godzilla pela morte do Keith, e discute com a mãe, dizendo que Godzilla não é mal, mas apenas uma força de natureza. Jill manda a Tina para Nova Iorque ficar com os avôs.
 
Num hospital militar, a infecção que o Marty pegou está piorando, deixando o seu rosto sem traços faciais. Antes de morrer, ele conta para a Jill que a criatura dentro dele contou a sua história. O Godzilla foi criado por uma sociedade altamente avançada a partir do DNA de dinossauros para proteger a Terra contra uma força de invasão alienígena. Os invasores mandam um monstro para destruir toda a vida no planeta antes da sua chegada. Os monstros morcego continuam mantando animais e trazendo seus restos para a caverna, onde são absorvidos pela massa principal do meteoro que começa a assumir uma forma definitiva.
Arte Conceitual do Gryphon
 
Ao ouvir a história do Marty, o Aaron chega na conclusão que o Godzilla estava indo para Kentucky. Ele vai até a caverna onde o meteoro caiu. Dentro dela, descobre um monstro enorme com o corpo de uma puma, as asas de um morcego, e uma língua composta de cobras. O monstro persegue o Aaron antes de sair da caverna. Ele ataca um trem, matando centenas de pessoas.
 
Neste momento, Godzilla acorda, destruindo o hangar e entrando no Oceano Atlântico. Está previsto de que os dois monstros irão se enfrentar na Cidade de Nova Iorque. A Jill vai de carro até lá, mas é preso num túnel quando o Godzilla pisa nele. Ela consegue fugir, e encontra com a sua filha no momento em que a batalha entre Godzilla e o Gryphon começa. A batalha é feroz, e o Aaron percebe que o Godzilla não consegue lutar bem em razão de um dispositivo suprindo-o com o líquido amniótico.
 
Helicópteros atacam o Gryphon enquanto o Aaron escala o Godzilla para colocar explosivos no dispositivo. A Jill e Tina procuram destruir o Gryphon ainda mais, explodindo um caminhão de combustível perto dele. O dispositivo é destruído e a batalha continua. Ela finalmente termina quando o Gryphon voa em direção de Godzilla, quem se dobra para frente, esventrando o seu oponente. Godzilla arranca a cabeça do monstro, coloca-a na tocha da Estátua da Liberdade, e queima o seu corpo.
 
Godzilla volta para o mar. Um esquadrão de jatas o atacam, mas a Jill, agora aceitando a morte do seu marido, cancela o ataque.
 
Comentários:
 
Modelo construído por Stan Winston (Predator; Jurassic Park)
A história sobre a Produção e eventual cancelamento deste projeto é longa. Basta dizer por enquanto que o roteiro foi escrito por Terry Rosio e Ted Elliot, os roteiristas de Os Piratas do Caribe. A princípio, nenhum diretor de destaca se interessou pelo projeto, a não ser o Tim Burton. Conflitos de agenda o impediu de se comprometer com o filme. O diretor escolhido acabou sendo Jan de Bont, que trabalhou na cinematografia de filmes como Dura de Matar. Mais tarde seria o diretor de Velocidade Máxima e A Casa Amaldiçoada, a refilmagem do clássico Sombras de Terror. O orçamento foi projetado em 130 milhões de dólares, fazendo o filme o mais caro da época (para fins de comparação, Jurassic Park: Parque dos Dinossauros estreou no ano anterior e custou apenas 63 milhões de dólares para produzir). Jan de Bont saiu do projeto por não concordar com as limitações de orçamento. Outro escritor foi contratado para fazer ajustes no roteiro que poderiam baixar o orçamento, mas o projeto enfim morreu.
 
Com o sucesso de Independence Day, Sony/Tristar ressuscitou o projeto com produtor Dean Devlin e diretor Roland Emmerich envolvidos. Mas a sua visão de Godzilla foi uma criatura bem diferente...


Godzilla 3-D - O Filme que Não Era

Godzilla 3-D - A Primeira Tentativa de Trazer o Godzilla ao Hollywood
 
 
 
 
OBS: Este artigo é uma tradução (e resumo) do artigo postado no Rodan's Roost.
 
 
Um meteoro choca com um satélite americano em órbita, fazendo com que dispare um míssil nuclear, que entra na atmosfera da Terra e explode no meio Oceano Pacífico. A explosão acorda uma criatura reptiliana gigante. Ao mesmo tempo, um navio de pesca japonês se perde no mar. Quando é encontrado, o navio está queimado e fortemente danificado. O governo americano confisca o navio. Jornalista Dana Martin entra escondida no navio, e acha um trilobita viva entre os destroços. Ela fica estarrecida quando um pescador sai das sombras, falando a palavra "Godzilla" antes de morrer.
 
Martin leva a trilobita para paleontólogo Gerald Balinger, que duvida que a criatura é autêntica até conseguir examiná-la. Enquanto isso, soldados americanos estacionados na Ilha Oto, perto do Taiti, testemunham a destruição de um vilarejo por uma criatura gigante que emerge do mar.
 
No litoral do México, Coronel Peter Daxton da marinha americana é convocada para investigar a destruição de um submarino soviético. Daxton perdeu um olho numa briga com um espião russo Boris Kruschev, que está assistindo a investigação americana de um barco. Kruschev perdeu uma mão na mesma briga que custou Daxton o seu olho, e agora tem uma lâmina de aço no seu lugar. Kruschev não está interessado no submarino em si, mas quer dois misseis "Dragão" que se afundarem com ele. Esses misseis são armas "anti-fusão" desenhados para neutralizar armas nucleares. Os misseis são confiscados pelo governo americano até um acordo é feito entre a União Soviética e os Estados Unidos mediante uma conversa com as Nações Unidas. Uma gravação é encontrada, mostrando o navio sob ataque por uma criatura gigante.
 
Depois da missão, Daxton volta para Califórnia, onde encontra com seu filho Kevin. Kevin é um mágico amador e tem uma fascinação por lagartos. Pouco tempo depois, o CIA convoca o Daxton para Baja Califórnia, onde a carcaça de um grande réptil apareceu na praia. Daxton o reconhece como a criatura que atacou o submarino, e acha que foi morto por torpedos lançados pelos russos que estavam tentando proteger o navio. Balinger, o paleontólogo, acha que é um dinossauro, mas o governo americano acredita que o monstro tem origens extraterrestres e inicia um processo de encobrimento (ou "cover up"). Balinger, decepcionado com a atitude do governo, conta para o Kevin sobre a lenda de Godzilla, um dragão mitológico conhecido pelos pescadores japoneses.
 
Perto do litoral californiano, uma criatura ainda maior emerge do mar para destruir uma plataforma de petróleo.
 
A carcaça do outro animal é levado para um armazém em San Francisco. Os pesquisadores começam a ficar doentes, mostrando sinais de intoxicação de radiação. Balinger supõe que a criatura era um reator nuclear vivo, um "proto-ssauro" que existia até antes dos dinossauros. Ele também acredita que há um outro animal, um maior, que está causando os desastres marinhos.
 
Kruschev, num tentativo de pegar os misseis de volta, sequestra o Kevin e o leva para um base secreto na Ponte de Golden Gate. Neste momento, o Godzilla aparece, aterrorizando os motoristas presos na ponte. Um golpe com a sua cauda destrói parte da ponte, aparentemente matando Kevin e Kruschev. Tanques aparecem e atacam Godzilla, mas só conseguem enraivecer o monstro, que destrói a ponte inteira. Ao mesmo tempo, Daxton e Balinger elaboram um plano para destruir o Godzilla com os misseis soviéticos.
 
Jatas tipo F-16 atacam Godzilla no Union Square, mas o Godzilla pega um bonde e o usa como uma maça contra as jatas. Dana Martin e Balinger vão para Alcatraz para tocar a gravação do outro monstro numa tentativa de chamar a atenção de Godzilla. Enquanto o Daxton está carregando os misseis num helicóptero Cobra, Kruschev reaparece com o Kevin, exigindo a devolução dos misseis. Daxton e Kruschev logo está lutando novamente, mesmo depois do helicóptero decolar. Kruschev finalmente cai do helicóptero na mão do Godzilla. Godzilla olha para agente soviético por um distante antes de queimá-lo com seu bafo radioativo.
 
Godzilla continua destruindo San Francisco em busca da outra criatura. Achando o corpo do outro animal, Godzilla solta um berro de raiva e angústia. Antes de voltar para a cidade, Balinger e Martin tocam a gravação, fazendo com que o Godzilla vá até a Ilha Alcatraz. Daxton chega, arrastando com si um dos misseis dragão, o que é carregado num helicóptero protótipo Scorpion-78. Um dos soldados cai do helicóptero, e Daxton pede para o Kevin lançar o míssil contra Godzilla. O míssil explode dentro da boca de Godzilla. A força da explosão faz o Kevin cair, mas ele é pego no ar pelo Godzilla, que o coloca no chão antes de morrer.
 
História: O projeto foi concebido pelo Steve Miner (Sexta-feira 13 parte 2 e Sexta-feira 13 parte 3). O Toho concordou com o projeto. A história foi escrita por Fred Dekker (Deu uma Louca nos Monstros e Noite dos Arrepios) e o plano foi para usar stop motion para os efeitos especiais. Esta versão do Godzilla foi projetada por artista William Stout e Stephen Czerkas (Planeta dos Dinossauros) construiu o protótipo físico do monstro. Em algum momento, David Allen (Querida, Encolhi as Crianças) e Rick Baker (MIB: Men in Black e o clipe de Thriller do Michael Jackson) iam fazer parte da equipe de efeitos especiais do projeto. O orçamento foi projetado como sendo de 30 milhões de dólares, um valor absurdo para o que os produtores achavam ser um filme infantil. O Steve Miner tentou vender a ideia para vários estúdios, mas nenhum estava interessado. Depois tirou o elemento de 3-D a fim de baixar o projetado orçamento, mas ninguém se interessou. Em 1984, o Miner desistiu da ideia.

 


quinta-feira, 30 de julho de 2015

Zigrah, Terror do Planeta (1971)

Zigrah, Terror do Planeta (1971)


Título(s) em Inglês: Gamera vs. Zigra

Elenco: Koji Fujiyama, Reiko Kasahara, Isamu Saeki, Yasushi Sakagami, Eiko Yanami

Diretor(es): Noriaki Yuasa

Produtor(es): Hidemasa Nagata, Yoshihiko Manabe

Sinopse: Uma astronauta na lua é sequestrada e hipnotizada por um ser alienígena chamada Zigrah. Dois cientistas humanos (um japonês e um branco) e seus filhos (um garoto e uma garota) são raptados por Zigrah como parte do seu plano para destruir o mundo. As crianças conseguem escapar e são salvos pela Gamera. A Gamera consegue destruir o disco voador do Zigrah, que então revela a sua verdadeira forma: um tubarão mutante espacial!

Zigrah, Terror do Planeta foi o último filme da série original do Gamera antes do estúdio Daiei entrar em falência no mesmo ano. O Daiei parou operações durante três anos, voltando a produzir filmes em 1974, mas com um volume bem menor do que havia feito antes. A série Showa de Gamera ficou em coma até 1980, quando a produção ultra-barata Super Monster Gamera foi lançada. Super Monster Gamera foi composta quase inteiramente de cenas de todos os filmes anteriores do Gamera, contando com apenas dois minutos de cenas novas de efeitos especiais. Havia planos para filmar um filme original, Gamera vs. Garasharp, em que a tartaruga gigante lutaria contra um grande serpente no estilo de Manda. Mas o projeto não foi para frente—hoje os storyboards desse filme abortado podem ser vistos facilmente pela internet. Então, se o Zigrah, Terror do Planeta for considerado como o último filme mesmo da série, lamentaremos dizer que que os cineastas conseguiram deixar o poço mais fundo ainda do que vimos em Destruam Toda a Terra!

Como nos três filmes anteriores, o orçamento aqui estava obviamente limitado, embora os cineastas resistiram a tentação de roubar mais cenas dos outros filmes. Em vez disso, o cenário é em grande parte limitado para um parque aquático e uma porção razoável da duração do filme é composta de filmagens feitas dos animais do parque. A história trata mais uma vez de uma invasão extraterrestre, esta vez pelo ser Zigrah, que é um tubarão espacial (!) inteligente. Ele alega que os oceanos do seu planeta foram estragados pela “ciência terráquea,” que não faz sentido, já que ninguém no filme ouviu falar desse filme e em momento nenhum foi estabelecido nos filmes anteriores que os homo sapiens possuía a tecnologia necessária para viajar para outras galáxias. Zigra quer conquistar os oceanos da Terra e usar a raça humana como alimentação, e pretende causar terremotos para esse fim (preste atenção: tudo que tem haver com destruição de cidade é descrito pelos personagens em vez de ser mostrado através de efeitos especiais).

Opondo-se ao Zigra são duas crianças—uma garota branca, Helen (Gloria Zoellner), e um garoto japonês, Kenichi (Yasushi Sakagami)—que são mais jovens ainda do que os pré-adolescentes dos filmes anteriores. Como o Zigrah é capaz de causar terremotos que matam dezenas de milhares de pessoas mas não consegue matar dois mirins é bastante confuso. Ainda mais que essas crianças não exibem a mesma inteligência precoce que os protagonistas dos filmes anteriores demonstraram. Eles passarão boa parte do filme fugindo da mulher que trabalha pelo Zigra (estrelada por Eiko Yanami, mais famosa por aparecer na série de Koukousei, um dos quais foi lançado no Brasil como O Jogo do Sexo) ou arrumando alguma confusão com os seus pais (o pai da Helen é estrelado por ator japonês Koji Fujiyama, que apareceu nos primeiros dois filmes do Gamera e alguns filmes da série Lobo Solitário) e você, o telespectador, passará boa parte do filme perguntando-se por que ninguém consegue matá-los.

Gamera não tem muito para fazer até a segunda metade do filme, quando ele finalmente ataca o navio espacial do Zigra, que está estacionado abaixo do mar. O bafo flamejante do Gamera aparentemente funciona normal abaixo da água(!) e ele consegue destruir o navio, libertando o Zigra. A primeira luta é uma das mais entediantes da história do kaiju eiga, em que ambos os monstros ficam balançando suas patas/barbatanas e fazendo quase nada durante mais parte da cena. No final, o Zigra atinge o Gamera com um raio paralisador e deixa o Gamera como estátua. Os dois lutam no final do filme, que é notável pelo momento quando o Gamera toca a sua música de tema nos espinhos dorsais do Zigra.

Zigra parece um tubarão duende metálico e provavelmente foi a inspiração para Knifehead, o kaiju que luta contra Gypsy Danger no começo de Círculo de Fogo do Guillermo del Toro. A ideia de um tubarão kaiju é fascinante, mas o problema dele (e os outros monstros do Gamera) é a falta de uma aparência antropomórfico, o que limita os seus movimentos, principalmente na hora de lutar. A ideia de usar a cabeça como uma navalha é interessante, mas é a única técnica de luta que tem. Os filmes de Godzilla durante os anos 70 sofreram cortes parecidos no seu orçamento, mas o desenho geral das criaturas permitiam um range maior e mais diversificado de ataques, fazendo as lutas dos monstros muitas vezes mais interessantes. Aqui, a falta de movimento junto com a mesma trilha pouca inspirada dos outros filmes do Gamera tornam o que deveriam ser as cenas mais cheias de emoção num verdadeiro tédio.

Lamentável tudo isso, pois Zigrah, Terror do Planeta poderia facilmente ser um dos filmes de kaiju mais sombrios desde Gojira/Godzilla, o Monstro do Mar, se não fosse pela falta de grana e a insistência nos produtores em ter crianças como o público alvo. Os filmes do Gamera sempre eram mais sombrios do que os filmes do Godzilla apesar de serem mais infantis no seu exterior. Mas aqui supera os outros filmes. Entre os terremotos na Índia e em Tóquio, o número de mortos facilmente poderia superar o número de pessoas que perderam a sua vida quando o Godzilla atacou pela primeira vez. Em uma cena, podemos ouvir a voz do rádio comentando no número de famílias mortas pelo Zigra. Se tirasse os atores mirins chatos e gastasse mais uns ienes em construir miniaturas, poderia ter sido um filme que nos lembraria o quão perigoso uma batalha de monstros realmente é. Do jeito que é, parece mais um detalhe de um filme ruim que nos lembra o quão pouco dinheiro tinham para produzi-lo.

Gamera vs. Jiger/Gamera vs. Monster X (1970)

Gamera vs. Jiger/Gamera vs. Monster X (1970)

Elenco: Tsutomu Takakuwa, Kelly Varis, Katherine Murphy, Kon Ohmura

Diretor(es): Noriaki Yuasa

Produtor(es): Hidemasa Nagata, Masaichi Nagata

Sinopse:  Em preparação para o Japan Expo 70, um grupo de arqueólogos escava e remove um ídolo de pedra de uma ilha na Ilha Pacífica, com a finalidade de exibir no Expo. Apesar da intervenção do Gamera e do embaixador da ilha, a estátua é levada para Japão. Um monstro pré-histórico emerge do chão onde a estátua estava e luta contra o Gamera, desabilitando-o. O monstro, Jiger, vai para Japão em busca da estátua, deixando a morte e caos no seu rastro. O Gamera se recupera e vai para Japão para lutar novamente. Esta vez, a Jiger implanta um embrião dentro do Gamera, incapacitando-o. Apenas uma dupla de crianças poderão salvar o Gamera...e o mundo.

Após dois filmes tratando com invasores do espaço, cenas roubadas de filmes anteriores e cortes óbvios no orçamento, o Gamera voltou à forma neste penúltimo capítulo da primeira série. O orçamento ainda estava limitado: os cenários estão limitados; a fotografia favorece close-ups em muitas cenas para mascarar a falta de cenário; e os efeitos especiais—principalmente as miniaturas—estão no nível de um seriado tokusatsu da televisão. Além disso, o roteiro é tão desprovido de lógica e sentido quanto aos dois filmes anteriores. Mas ao mesmo tempo, toda a ação de monstro gigante é composta de novas cenas (obs: há uma montagem de cenas dos outros filmes durante a abertura do filme, mas isso não conta) e a quantidade é maior do que os últimos dois filmes. E, mais importante, o Daiei continuou pensando “fora da caixa”, criando não apenas um oponente que representa o apogeu de monstros com poderes estranhos, mas incluindo uma homenagem ao filme Viagem Fantástica num filme que nem tinha dinheiro para montar as cenas de destruição de cidade direito, muito menos uma cena dentro do corpo do Gamera.

Gamera vs. Jiger não tem uma história tanto quanto tem um set-up para explicar por que o monstro Jiger está atacando. Neste sentido o filme parece uma mistura de Mothra e Gamera vs. Barugon, pois há um monstro que sai de uma ilha pacífica em busca de algo associado com a sua lenda (Mothra), e o objeto que atrai a sua atenção é justamente o seu ponto mais fraco (Gamera vs. Barugon). Tudo isso ocorre com a Exposição Mundial de 1970 em Osaka como pano de fundo. Os cineastas merecem louvores por não usar filmagens da exposição para encher a linguiça e aumentar a duração do filme.

Por sua vez, o Jiger é um monstro fascinante. Por um lado, a sua aparência é o mais convencional de todos os monstros que o Gamera já lutou: parece um tricerátope com a posição dos chifres invertida e sem a crista. O que mais destaca o Jiger são os seus poderes e habilidades. Afinal, quantos tricerátopes vocês conhecem que atiram arpões dos seus chifres? Ou que possuem poderes de telecinesia?  Além disso, o monstro também é portador de um raio que o roteirista não tem certeza de se é um raio de energia sônica, ou um raio de calor.  Mas o poder mais marcante do Jiger é que o monstro, através da cauda, é capaz de injetar um embrião dentro de outro ser vivo. Lembrem-se de que este filme foi produzido oito anos antes de Alien: O 8º Passageiro.

Esta cena em particular é particularmente bizarra. Os dois protagonistas (um rapaz japonês e outro inglês) roubam um mini-submarino do pai do primeiro e entram no corpo do Gamera, que foi paralisado após a injeção do feto no seu corpo. Eles chegam no pulmão no monstro e saem do submarino, sem roupas especiais, sem tanque de ar, sem nada. Andando pelo pulmão da criatura, que parece uma caverna—até tem solo no chão--eles encontram o feto, que parece como a mãe, só que tem o tamanho de um ser humano. Ele ataca atirando cola(!) dos seus chifres. A parte fascinante é que em momento nenhum o submarino é atacado por glóbulos brancos ou anticorpos, provocando um fã a supor que não apenas o Gamera é o amigo de todas as crianças, mas as suas células e tecidos também. Quando o filme lançado em 1970, ainda não tinha filmes como Alien, então as crianças então não teriam elaborado uma imagem mental em que o Jiger sai do peito do Gamera. Mas para quem assistiu nos anos 80, isso devia ter sido a matéria da qual os pesadelos são feitos.

A verdade é que o filme inteiro é um poço de combustível para pesadelos, mais que os outros filmes de Gamera. Quando o Jiger está nadando para Japão, é mostrado um navio cheio de homens doentes que haviam tocado no ídolo. Por um minuto vemos o seu sofrimento e loucura. Segundos depois, o Jiger colide com o barco, matando todos a bordo. Sempre imaginamos que nos filmes de Godzilla, haveria pessoas que morreriam durante os ataques de monstros gigantes. Os filmes do Gamera tendiam a ser mais explícitos sobre o fato, apesar de serem feitos para crianças pequenas. Durante o ataque do Jiger em Osaka, ele utiliza o seu raio da morte, que transforma pessoas inocentes em esqueletos. E quando o Gamera está com o embrião do Jiger dentro dele, um médico nos mostra um documentário de um elefante doente. Sem recuar, o diretor Noriaki Yuasa permite que a plateia infantil veja um grupo de médicos abrir a tromba inchada do elefante com bisturi, e tirar milhares de vermes de dentro dela. Isso jamais aconteceria num filme do Disney.

É igualmente interessante que este filme alega carregar consigo uma mensagem séria sobre crianças. No filme Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban, quando o Dumbledore ouve o relato do Harry e Hermione sobre o Sirius Black, ele comenta que ele acredita no que falam, mas muitos adultos, por terem perdido a sua imaginação ao longo dos anos, jamais o fariam. Isso resume o conflito entre as crianças e os adultos aqui. Por mais que os dois garotos sempre chegam na conclusão correta, mesmo sem todas as informações à sua disposição, os adultos sempre se demonstram céticos a respeito. Apenas o cientista principal demonstra um pouco de confiança nas teorias corretas dos meninos. A grande mensagem é que os adultos jamais deverão subestimar o poder da imaginação da criança. É uma mensagem admirável, sim. A segunda lição é menos admirável: Não há problema em deixar os seus filhos assistirem uma luta de monstros gigantes de perto, desde que o Gamera esteja por perto. Sim, um personagem diz isso no filme. São técnicas de ser pai que jamais deveríamos nos esquecer!