quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Godzilla: Origens


Godzilla: Origens


Lançamento:  2015

Distribuidora: Obras Primas

Idiomas: Português, Inglês, Japonês

Legendas: Português, Inglês, Espanhol

Classificação: 14 Anos

Disco 1:


Starring: Akira Takarada, Momoko Kochi, Akihiko Hirata, Takeshi Shimura, Haruo Nakajima

Diretor: Ishiro Honda

Diretor de Efeitos Especiais: Eiji Tsuburaya

Uma sinopse deste clássico do cinema mundial é quase desnecessária. Uma criatura pré-histórica é acordada e transformada pelo teste da bomba H original numa máquina mortífera de destruição e reduz Tóquio a entulho.  A única arma capaz de detê-lo é algo que é mais perigosa do que a bomba que o criou, mas o seu criador, Dr. Serizawa (Akihiko Hirata), está determinado a esconder a sua descoberta do mundo.

O problema de escrever sobre Gojira é que tantas pessoas já escreveram sobre o filme que não sei como poderia abordar o assunto. O filme é o produto da imaginação do diretor Ishiro Honda, que teve um momento de inspiração num voo da Indonésia para Japão depois que um projeto de um filme de guerra foi cancelado. Olhando para o oceano abaixo, o Ishiro ponderou sobre o que poderia estar habitando abaixo do oceano e dessa ponderação nasceu o Godzilla.

Gojira é uma palavra que mistura Go (de ‘gorila’) e kujira (que significa ‘baleia’ em japonês), que segundo a lenda, foi o apelido de um funcionário gorducho de Toho Studios. Godzilla foi uma romanização do nome (obs. É normal que para os monstros japoneses, a letra ‘r’ vira ‘l’ na tradução). Durante a fase de pré-produção, várias ideias foram discutidas quanto à natureza do monstro. Em uma versão do roteiro, Godzilla era um polvo gigante. Uma ideia conceitual para o Godzilla caracterizou o monstro como quase uma alienígena com uma cabeça que parecia um cogumelo, para lembrar a nuvem cogumelo  da explosão de uma bomba atômica. No final, foi decidido que Godzilla seria um dinossauro, em parte por causa do sucesso de O Monstro do Mar (1953) do ano anterior.

Apesar de ser um monstro atômico cinemático da mesma espécie do Rhedosaurus de O Monstro do Mar e o polvo de O Monstro do Mar Revolto, o Godzilla carrega consigo um significado especial. Afinal, ele foi criado por um país que foi o único país até hoje—61 anos após o fato—que sofreu um verdadeiro ataque atômico. Apesar da ameaça constante de guerra nuclear durante a Guerra Fria, nenhum míssil foi lançado ofensivamente. Japão, porém, foi sujeito a duas bombas atômicas em 1945 e, quando os EUA testaram a primeira bomba H em 1954, foi um barco japonês, O Dragão Sortudo, que sofreu os efeitos da radiação produzida pela bomba. Portanto, o Godzilla é mais do que uma advertência contra os possíveis perigos da Era Atômica, ele é simbólico do que o país já havia sofrido por causa desses avanços na química nuclear.

É por isso que o Godzilla não é vulnerável a armas convencionais, pois como um tanque deter uma explosão nuclear. Além disso, a arma que acaba derrotando o monstro não é um produto direto da Era Atômica. Afinal de contas, será que uma arma nuclear pode realmente destruir outra? Neste caso, a solução ao problema de Godzilla é o Destruidor de Oxigênio, uma substância fictícia que destrói o oxigênio na água e desintegra toda vida animal. Essa química é descoberta pelo Dr. Serizawa, que está tanto fascinado quanto horrorizado com a substância. Afinal, dinamite foi descoberto pelo Alfred Nobel para usar no trabalho de mineração, mas acabou virando uma arma. A energia nuclear pode ser uma bênção, e pode trazer o fim da humanidade. Então, o que aconteceria se essa substância fosse utilizada como arma? É essa questão que impede o Dr. Serizawa inicialmente de voluntariar o seu conhecimento para destruir o Godzilla.

O elenco oferece um bom apoio aos efeitos especiais e matéria temática. Akira Takarada interpreta Ogata, um marinheiro que namora com a Emiko Yamane, quem, por sua vez, foi prometida ao Dr. Serizawa como criança. É Ogata que ajuda convencer o Serizawa de usar o Destruidor de Oxigênio como arma no final do filme. Akira Takarada apareceu em vários outros filmes de Toho com o passar dos anos, voltando às telas para Godzilla: A Batalha Final. Durante a produção de Godzilla (2014) de Gareth Edwards, houve uma petição para incluir Takarada no elenco. Uma cena foi filmada com ele fazendo papel de agente alfandegário no aeroporto de Tóquio, mas a cena foi cortada da versão final.

Emiko Yamane é interpretada por Momoko Kochi, que apareceria 41 anos depois no mesmo papel em Godzilla vs. Destroyer (1995). Ela assume o papel de uma mulher que tem o trabalho nada desejado de declarar ao noivo (de um casamento arranjado)  que ela se apaixonou por outra pessoa. E é justamente a pessoa cujo coração ela terá que partir que guarda o segredo de salvar o mundo do Godzilla. Momoko Kochi também tinha papel como a noiva de Akihiko Hirata em Os Bárbaros Invadem a Terra (1957), qual relacionamento também acaba em tragédia. Que vida dura!

Finalmente há o pai da Emiko, Dr. Yamane, interpretado por Takeshi Kimura. Kimura havia recebido elogios da comunidade cinemática naquele mesmo ano pela sua atuação como o líder dos Sete Samurai s, de Akira Kurosawa. Dr. Yamane é o cientista que vê em Godzilla uma oportunidade para estudar o Godzilla e entender porque existe e o que esse conhecimento poderia fazer pela humanidade. Mas ele logo se resigna a ser espectador enquanto o SDF (Força de Auto-Defesa) japonesa dispõe todas as armas possíveis contra o monstro. Kimura voltaria como Dr. Yamane em Godzilla Contra-Ataca (Godzilla Raids Again) e teria outros papeis e filmes posteriores de ficção do mesmo estúdio.

Por esses filmes de ficção científica da década de 50 e de 60 ser rebaixados ao plano de “filmes infantis” por muitos críticos, o Gojira foi tratado como tal durante várias décadas. Mas agora que a versão original está disponível, já pode assumir o seu lugar entre as obras mais celebradas do cinema japonês e o cinema mundial. É um dos filmes de ficção científica mais importantes de todos os tempos, ocupando um lugar ao lado de 2001: Uma Odisseia no Espaço de Kubrick; Alien e Aliens: O Resgate de Ridley Scott e James Cameron, respectivamente; Guerra dos Mundos de George Pal; e alguns outros filmes.

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AKA: Godzilla, o Monstro do Mar; Godzilla, King of the Monsters


Starring: Raymond Burr, Akira Takarada, Momoko Kochi, Akihiko Hirata, Takeshi Shimura, Haruo Nakajima

Diretor: Ishiro Honda (novas cenas dirigidas por Terry Morse)

Diretor de Efeitos Especiais: Eiji Tsuburaya

A história desta versão é o seguinte:

Em 1955, uma versão legendada deste filme estava passando num cinema em Los Angeles, onde foi visto por Edmund Goldman. Ele comprou os direitos internacionais para o filme por 25.000 dólares, e, por sua vez, vendeu o filme para um estúdio independente chamado Jewell Enterprises. Um dos investidores na Jewell Enterprises foi o Joseph Levine, que ficou famoso alguns anos depois quando importou os filmes italianos de Hércules para os EUA.

Novas cenas com o ator Raymond Burr, que ficaria famoso posteriormente pelos seriados Perry Mason e Têmpera de Aço (Ironside em inglês), foram filmadas. O personagem do Burr é o Steve Martin (duas décadas antes do surgimento do ator cômico com o mesmo nome), um jornalista americano que vem para Japão a fim de visitar o Dr. Serizawa, um velho amigo da universidade.  Ele logo se envolve nos eventos do filme, acompanhando a imprensa para Ilha Oto duas vezes, e depois testemunha os ataques do Godzilla em Tóquio.

Nessas cenas, o Burr interage com o Chefe de Segurança Tomo Iwanaga (Frank Iwanaga), que serve de intérprete para o Sr. Martin. Durante esses segmentos, os personagens originais do filme falam em japonês. Às vezes, há uma narração do Burr para explicar o que estamos vendo, o que dá uma atmosfera de documentário para o filme. Além disso, Burr interage diretamente com os personagens do filme original do Gojira, interpretados por atores usando as mesmas roupas, mas filmados por trás para não mostrar os rostos. Finalmente, algumas cenas do filme original foram dubladas, embora as vozes, principalmente a da Emiko Yamane, são drasticamente diferentes daquilo que ouvimos em japonês.

O filme teve duas distribuidoras nos EUA. No oeste dos EUA, o filme foi distribuído nos cinemas pela TransWorld Releasing Corporation, uma empresa pertencente a Richard Kay, um dos donos de Jewell Enterprises. No leste do país, o Joseph Levine e a sua empresa, Embassy Pictures, se responsabilizou pela distribuição. O filme acabou ganhando uns 2 milhões de dólares nas bilheterias americanas, um grande valor da época (principalmente considerando o preço original dos direitos internacionais do filme). Fez tanto sucesso que esta versão foi importada até pelo próprio Toho, que lançou o filme nos cinemas japoneses, onde também fez sucesso.

Durante décadas e décadas, Godzilla, Rei dos Monstros, era a única versão que os fãs neste lado do mundo podiam assistir. Eu mesmo consegui alugar o filme do Blockbuster Video (nos EUA) em 1992, e só achei para comprar (a fita foi lançado pelo Paramount) em 1996. Eu consegui assistir Gojira em 1999 quando comprei a fita de uma empresa no mercado cinza, mas as pessoas não interessadas em bootlegs tinham que esperar até 2004, quando Gojira foi exibido em alguns cinemas como parte do aniversário de 50 anos do monstro, e depois em 2006, quando Gojira foi lançado em DVD nos EUA. Aqui no Brasil, o DVD importado (da distribuidora prestigiosa Criterion) está disponível para compra pela Livraria Cultura, para um valor exorbitante. O DVD de Godzilla: Origens é primeira oportunidade que muitos brasileiros terão para assistir as duas versões deste filme oficialmente.

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Disco 2:

 

AKA: The Beast from 20,000 Fathoms

 
Starring: Paul Christian, Paula Raymond, Cecil Kellaway, Kenneth Tobey, Lee Van Cleef

Diretor: Eugène Lourié

Diretor de Efeitos Especiais: Ray Harryhausen

Antes da televisão se tornar um objeto ubíquo na sociedade moderna, era normal para alguns filmes bem sucedidos serem exibidos no cinema mais que uma vez. Isso foi o que aconteceu com o King Kong, cuja estreia inicial foi em 1933. Ele foi reexibido no cinema em 1938, 1942, 1946, 1952 e 1956, antes de ser vendido para a televisão. Foi depois do sucesso desse filme em 1952 que dois produtores, Hal Chester e Jack Dietz, resolveram fazer o seu próprio filme sobre um monstro que destrói ataca e destrói a Cidade de Nova Iorque.

O roteiro original foi chamado de The Monster from Beneath the Sea (trad. O Monstro Que Veio De Baixo do Mar) e o Ray Harryhausen, que havia ganhado o Oscar por Melhores Efeitos Visuais em 1949 por Mighty Joe Young (Br. O Monstro do Mundo Proibido), foi contratado para fazer os efeitos do tipo stop motion. Durante a produção, o Harryhausen percebeu que havia uma cena em que o monstro, um dinossauro gigantesco acordado pela explosão de uma bomba atômica perto do Polo Norte, ataca e destrói um farol, o que era semelhante a um conto escrito por Ray Bradbury, autor conhecido de ficção científica. Incentivados pelo desejo de vincular o seu roteiro a um autor famoso e de evitar qualquer processo de plágio, Dietz e Chester compraram os direitos para o conto do Bradbury e mudaram o nome do seu roteiro para refletir o conto dele: The Beast from 20,000 Fathoms.

O orçamento do filme acabou sendo 225 mil dólares, e o filme final foi vendido para Warner Brothers por 500 mil dólares, mas acabou ganhando 5 milhões de dólares na bilheteria naquela época. O filme é o primeiro filme de monstro gigante da década de 50 e o Rhedosaurus foi o primeiro monstro atômico da nova era.

O enredo é simples. O exército americano está testando uma bomba atômica no Ártico. A explosão liberta um dinossauro, o Rhedossauro,  da sua prisão congelada. Dois cientistas acompanhando a experiência veem o monstro, mas um deles morre num avalanche. O outro, Tom Nesbitt (Paul Christian), é machucado e é levado de volta para civilização, mas ninguém acredita na sua história. Ele visita um paleontólogo (Cecil Kellaway) que também não acredita na história, mas a sua assistente, Lee (Paula Raymond) acha que pode ser verdade e tem uma boa ideia para descobrir:

Primeiro, ela convida o Nesbitt a olhar para uma coleção de gravuras de todos os animais pré-históricos já registrados (muitos dos quais foram pintados pelo artista famoso Charles Knight). Assim que ele identifica o que viu, o Nesbitt viaja até Canadá para ver o sobrevivente de um acidente de barco que alega que uma serpente de mar foi responsável. O marujo, Jacob, volta para Nova Iorque e identifica o monstro que ele viu: justamente o mesmo que o Nesbitt identificou. As duas testemunhas convençam o paleontólogo que há algo acontecendo. Um relatório da Guarda Costeira revela uma série de estranhos acontecimentos de Maine até Boston. Uma visita aos desfiladeiros submarinos perto do litoral da Nova Iorque revela o monstro, que logo aparece no “Big Apple”.

 A opinião popular desse filme varia entre muitas pessoas. Para alguns, o filme é um clássico do mesmo nível de O Mundo em Perigo (1954) e Gojira (1954). Outros elogiam os efeitos especiais do Harryhausen, mas acham o resto do filme “sem sal” e entediante. Não acho isso um problema, pois o filme é curto (apenas 80 minutos) e atuação de todos é forte e carismática. O roteiro mantem o foco durante todo o filme, mesmo quando parece que os dois protagonistas irão esquecer-se do que está acontecendo ao seu redor para namorar (típico de muitos filmes do gênero).

Não precisa nem dizer que os efeitos do Harryhausen são maravilhosos. O monstro do Rhedosaurus é bastante diferente do que o tiranossauro genérico que os produtores haviam solicitado no começo. O monstro é uma amalgamação de várias criaturas: tem a cabeça de um tiranossauro, a expressão facial de um alienígena que o Ray havia criado para um projeto não realizado, o corpo de um dimetrodon,  e as pernas e cauda de um crocodilo. A animação é sublime e a realização do monstro supera o trabalho que o Ray fez posteriormente em O Monstro do Mar Revolto (1955) e A Invasão dos Discos Voadores (1956). O showstopper do filme é o clímax em que o Nesbitt e um atirador fuzileiro (Lee Van Cleef, antes de ficar conhecido por estrear em filmes de faroeste) sobem uma montanha russa para matar o monstro.

Uma observação final que preciso fazer. Apesar de ser libertado e/ou acordado pela bomba atômica, o Rhedossauro não é um monstro atômico. Na verdade, é um isótopo radioativo que acaba por destruí-lo, ou seja, o filme não nos adverte nada sobre os possíveis perigos da Era Atômica, pois a solução ao problema também é produto dela. Podemos ver essa atitude de usar as armas nucleares como solução legítima aos problemas da humanidade em outros filmes durante várias décadas, inclusive Profundo Impacto e Armagedom (ambos de 1998), Independence Day (1996), Stargate (1995) e até recentemente em Circulo de Fogo (2013). Para os americanos, em que duas bombas atômicas terminaram uma guerra bastante sangrenta, podemos entender porque nossos cineastas ainda tratam armas nucleares assim. Por outro lado, o Japão, que estava no lado receptor dessas bombas, já tem outra visão mais sombria e negativa dessas armas, como exemplificado em Godzilla.

 
Extras:

“Sétima Arte Após a Bomba” – 14:30 – Um documentário sobre o cinema japonês durante a década de 50 produzido por David Dias, cujo foco é filmes que tratam da Era Atômica. Os três filmes que mais recebem atenção são Gojira; Anatomia do Medo (1955) de Akira Kurosawa e Filhos de Hiroshima (1952).


“Haruo Nakajima” – 9:41 – Entrevista com Haruo Nakajima, o homem que vestiu a fantasia de Godzilla em 12 filmes, começando com Gojira em 1954 e mais alguns outros filmes de monstro durante a mesma época. Não há nada aqui que não foi mencionado em vários livros sobre o assunto, mas novatos ao kaiju eiga irão admirar o relato do Nakajima das dificuldades de vestir-se de Godzilla.


“Tadao Sato” – 13:57 – Entrevista com um jornalista japonês que acompanhou a história de Godzilla. O mais interessante é quando ele compara o Godzilla japonês com o Godzilla ágil americano de 1998, falando que é difícil sentir empatia por uma criatura tão ágil.


“Ray Harryhausen – The Rhedosaurus and the Roller Coaster” – 6:11 – Entrevista com Ray Harryhausen de 2003 sobre a produção de O Monstro do Mar.  Descobri  que em todos os filmes dele desde O Monstro do Mar (1953) até Simbad e o Olho do Tigre (1977), o Harryhausen trabalhou completamente sozinho.


“Unused Footage from Godzilla” – 9:04 – Legendas em inglês(!?) – Depois de uma breve entrevista com Koichi Kawakita, diretor de efeitos especiais dos filmes de Godzilla durante a década de 90, há uma exibição de cenas/frames de Gojira, mostrando quais partes eram mattes (pinturas) ou miniaturas e quais partes da cena eram cenas filmadas com atores reais. A composição dessas cenas é bem feita.

 
“Dragão Terrível” – 9:39 – Breve documentário sobre o incidente do navio Daigo Fukuryu Maru (trad. O Dragão Sortudo), que ficou famoso quando entrou na região onde a primeira bomba H foi testada, onde a tripulação foi exposta aos resíduos radiativos da explosão. A tripulação inteira sofreu com intoxicação de radiação, e um homem acabou morrendo. O documentário também esclarece que a pesca na região inteira foi devastada  pela radiação da bomba e que o governo americano nunca assumiu culpa pelo sofrimento dos marinheiros.

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Return of Godzilla - A Era das Trevas Pt. 4

Return of Godzilla (roteiro #1)



The Return of Godzilla (trad. O Retorno do Godzilla) foi uma trama escrita por Akira Murao ao pedido do produtor Tomoyuki Tanaka, que desejou ressuscitar o Godzilla como o símbolo hediondo dos perigos da energia nuclear depois de uma década como um personagem infantil. Assim ele achou que poderia atingir mais pessoas e estabelecer o seu lugar na cultura popular novamente.

A roteiro introduz um novo monstro na forma de Bagan, qual monstro apareceu em alguns outros projetos não realizados, inclusive um filme em que lutaria com a Mothra. Bagan acabou aparecendo como o chefe final do jogo do Super Nintendo Super Godzilla, mas não apareceu em filme nenhum até hoje*.

No filme, Bagan aparece como um monstro que muda de forma (Murao conceituou três formas--uma terrestre, uma submarina e uma aérea) que ameaça a terra. Godzilla, semelhante à sua encarnação da década de 70, aparece para salvar o mundo de Bagan. No começo, o Godzilla não consegue derrotar o Bagan, pois é capaz de regenerar feito o Wolverine dos X-Men. Finalmente o Godzilla atinge o seu poder máximo ao destruir uma usina nuclear e é capaz de destruir o seu oponente.

Depois da sua vitória, o Godzilla começa a destruir o Japão, mas é derrotado por um cientista que constrói uma super-arma nuclear a partir de um novo elemento chamado "Reicônio." Na última cena do filme, Godzilla iria ressuscitar e o tema do filme seria: enquanto há energia nuclear na terra, o Godzilla sempre existirá.

Bibliografia:

Ghee, Jay and Steve Ryfle. "Begin the Bagan." Japan's Favorite Mon-Star: The Unauthorized Biography of "The Big G". ECW Press, 1998.


* - Houve um filme feito por um jovem fã, Omar Sayyah, nos anos 90 chamado Godzilla vs. Bagan. Eu mesmo recebi uma cópia do filme, o que foi bastante interessante. Foi filmado na floresta perto da casa do Omar, na fábrica de ração de animal onde trabalhava, na sua casa, e na casa dos seus amigos também.